Dirigido por
Data de lançamento
26 Out. 1956Duração
Um menino mexicano, Leonardo (Michel Ray), adota um touro depois de salvar a vida do animal durante uma tempestade. A amizade entre o garoto e o touro, apelidado de Gitano, é posta em cheque quando os verdadeiros donos do animal aparecem e levam-no para a arena. Por causa do pedido do garoto, o presidente do México assina um ''perdão'' para o touro. Mas o papel não sai a tempo suficiente. E Gitano é levado à Praça do México para ficar frente a frente com o toureiro Fermín Rivera. O desconhecido Robert Rich, ganhador do Oscar de melhor roteiro por esse filme, era na verdade pseudônimo de Dalton Trumbo, à época proibido de trabalhar por ter seu nome na lista negra durante a caça às bruxas em Hollywood.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Uma pena que o toureiro não morre no final.
Drama em Tecnicolor da RKO Radio Picture indicado a 3 categorias no Oscar: melhor mixagem de som e melhor montagem, vencendo o de melhor história original; no Globo de Ouro, foi nomeado ao prêmio de melhor filme promovendo compreensão internacional. O filme também foi baseado no roteiro original "Corrida de Toros" (170 páginas), de Juan Duval; morreu antes da produção do filme; não creditado.
O longa foi rodado na Cidade do México, com elenco daquele país, e o filme foi direcionado a crianças, ainda que possua vários elementos que podem agradar ao público adulto. Descobriu-se que o roteirista de Hollywood da lista negra Dalton Trumbo (1905-1976) havia escrito o roteiro de "The brave one" usando o pseudônimo de Robert Rich. Como Dalton Trumbo foi colocado na lista negra e Robert Rich foi a frente, não apareceu quem pudesse receber o prêmio. Por causa disso, não houve quem aceitasse o Oscar e foi feita uma busca para encontrar Rich. Mas e estatueta foi entregue apenas em 1975.
Por mais absurdamente esquemático que o filme possa ser, seu didatismo é preparado - e justificado - pelo pano de fundo da escolaridade de Leonardo (ele é o primeiro em sua família a receber uma educação formal), e os 3 primeiros quartos do filme parecem destinados apenas para torne o 4° clímax tão comovente e tenso quanto é. Uma estória legal, bonita e triste, embora clichê, sobre um menino e um touro com visuais impressionantes e um ótimo desempenho da criança principal, o inglês Michel Ray, filho de pai brasileiro e mãe britânica. Este foi o 2° de 6 filmes que o garoto atuou, incluindo o clássico Lawrence da Arábia (62).
Visto em 13 de Junho de 2020.
As sequências da terceira parte do filme são realmente fascinantes. Após a chegada de Leonardo à Ciudad de México, minha dificuldade com o filme, em função das atuações e da dublagem das falas para inglês, bastante problemáticas, foram completamente superadas por uma montagem impecável.
Chamou-me a atenção os elementos nacionalistas contidos no filme. O roteiro é de Dalton Trumbo, um comunista que apoiava a URSS nesse período (lembrando que o processo de desestalinização dos Partidos Comunistas, e o consequente abandono das teses sectárias do "realismo socialista", só ocorreram após o XX Congresso do PCUS, i. e., ainda que não seguisse o receituário dogmático de Jdanov, Trumbo provavelmente chegou a ter contato com essas teses). É interessante a relação de devoção do garoto com o padre, o patrão (bondoso) e os heróis da Revolução Mexicana. O único momento em que se rebela, assumindo a postura (efêmera) de um herói positivo, não é contra os opressores, mas contra a submissão de seu pai. Nesse imbróglio ideológico, sobre o qual ainda estou refletindo, sem estar próximo sequer de uma conclusão parcial, entra também as rivalidades patrão x matador e Gitano x matador. Na primeira, o matador leva a melhor, embora a afirmação do patrão
"qualquer que seja a sua decisão, você sairá de coração partido"
ambos estão mais preocupados com a glória, colocando suas vidas em risco constantemente.
apelo contra esse sentido de glorificação. O grand finale é interrompido, a torcida não quer a consumação do espetáculo mórbido, Gitano não precisa morrer para provar sua nobreza, ele a demonstra em sua bravura diante das agressões covardes dos toureiros. Da mesma forma, o matador também sobrevive e deixa o touro viver, não é o vilão perfeito, ardiloso, sequer poderia ser chamado de vilão. A mensagem desses dois conflitos, em sua relação e em seu desfecho, parece ser a antítese da afirmação do pai do garoto: ninguém (nem mesmo os touros) nasceram para lutar/ser sacrificado, seja em nome da glória ou do que quer que seja. E a luta contra a opressão não virá do alto (de uma carta do patrão ou do presidente), ela virá do povo.
Algumas impressões bem genéricas. Diria mesmo que escrevi para entender. Espero que sirva a alguém mais. De qualquer forma, já me serviu de algo.
O filme que deu o segundo Oscar a um Dalton Trumbo escondido sob pseudônimo (pra escapar do macartismo), batendo na disputa ninguém menos que Jean-Paul Sartre e Cesare Zavattini.
Está longe de ser um filme perfeito: a fotografia é ruim, a direção é apenas correta e o ator mirim que faz o protagonista é um porre, fica boa parte do filme gritando de modo dramaticamente caricato "Guitaaano".
Mas o roteiro compensa, a montagem é esforçada - sobretudo quando precisa sobrepor a narrativa com notícias da imprensa mexicana - e a música de Victor Young empolga, além da cena da tourada final ser bem construída e tensa.
Saldo levemente positivo.