Últimas opiniões enviadas
1) Há uma fronteira geográfica - o filme se passa na Ilha da Fantasia, um assentamento localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, na área de Leticia, entre a quebrada Yahuarcaca e o sistema fluvial do Amazonas, na região portuária que conecta Leticia (Colômbia) e Tabatinga (Brasil) - e uma fronteira entre diferentes territórios do cinema (ficção, documentário e filme-ensaio); 2) Há uma assembleia real - a “assembleia dos vivos”, que discute uma tentativa de expulsão dos moradores ribeirinhos, refugiados e membros de comunidades indígenas, particularmente Tikuna, da ilha - e uma assembleia fictícia - a “assembleia dos mortos”, em que pessoas que viveram experiências distintas da violência do conflito colombiano, entre ex-guerrilheiros, ex-paramilitares, vítimas e familiares de mortos, são colocadas diante umas das outras para falar de suas dores, sabendo que, no filme, seriam personagens mortos pelos conflitos entre as FARC e o Estado colombiano; 3) Há as cores fluorescentes da cultura amazônica e há um novo modo de retratar nossa relação cultural com a morte; 4) Há uma proposta antropológica e ensaística que o aproxima ao clássico brasileiro “Serras da desordem”, e há um plot twist idêntico ao do clássico de terror hollywoodiano “O sexto sentido”.
Há muitas camadas, sem dúvida. O filme apenas não é para mim. Mas fiquei feliz em tê-lo assistido, especialmente pela presença amabilíssima da cineasta e pelos relatos que compartilhou sobre toda a feitura do filme. Conheci um pouco mais sobre uma parte do Brasil que desconhecia. Valeu demais!
Não é preciso conhecer a peça “Le Dieu du carnage”, de Yasmina Reza, para reconhecer que grande parte do mérito do filme está em seu texto. Há uma clara remissão de Polanski ao clássico “El ángel exterminador”, de Buñuel, mas não sem uma certa atenuação da crítica surrealista à degradação das instituições burguesas e religiosas. Aqui, parecemos estar mais próximos da leitura goffmaniana de um conflito.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Tá bom meu querido, muito obrigado!
Olá meu querido... Vi que você deixou um link nos comentários do filme "Iremos a Beirute". Imaginei que poderia ser o link pra ver o filme, mas não tá ativo. Você saberia me dizer onde posso assistir esse filme?
Embora o Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, seja indefensável, bem como o regime que instaurou no Camboja, há no filme uma igualmente indefensável romantização do período em que aquele país era governado pelo príncipe Norodom Sihanouk e em que Hong Kong era uma colônia britânica. A trilha sonora não deixa margem à dúvida: há um notório saudosismo em relação a uma parte ocidentalizada da China. Mas, como diria Caetano, tudo é cheio de muita coisa. O filme é sobre um mundo que não existe mais, um passado para o qual se olha de maneira turva e indistinta, um olhar, enfim, sobre ruínas. O final é muito benjaminiano, tão lindo quanto o filme como um todo.