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Joseph Conrad engatinhou para que Coppola e Scorsese pudessem correr. Ao colocar um jesuíta do século XVII como entidade enunciadora, o filme apresenta um olhar inequivocamente colonialista sobre a cultura japonesa. Mas, mesmo quando comete esse segundo atentado - o primeiro foi ter escalado Andrew Garfield como protagonista -, Scorsese consegue dar provas do porquê de ser um dos maiores cineastas vivos. Os diálogos entre os jesuítas Sebastião e Ferreira e entre o primeiro e o inquisidor Inoue são primorosos. Os questionamentos em torno de uma noção universalista de verdade, nos marcos de uma concepção de mundo racionalmente ordenado por Deus, e as constantes aparições de “Santa Verônica segurando o véu”, de El Greco, são sutilezas que apenas um gênio pode oferecer. A grande qualidade do filme reside nessa tensão entre a visão transcendental de Jesus, compreendida dentro do regime ético das imagens (Rancière) - que problematiza a relação entre a imagem, a verdade que ela representa e seus efeitos sobre a comunidade - e uma alteridade cultural que desafia a pretensão universalista do cristianismo.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Tá bom meu querido, muito obrigado!
Olá meu querido... Vi que você deixou um link nos comentários do filme "Iremos a Beirute". Imaginei que poderia ser o link pra ver o filme, mas não tá ativo. Você saberia me dizer onde posso assistir esse filme?
Muito melhor do que o filme de que eu me lembrava. A filmografia de Tim Burton foi progressivamente se encaminhando para um “camp deliberado que fracassa”, para usar a expressão de Sontag. Aqui, ele ainda estava em sua melhor forma, encontrando nas HQs da DC Comics uma mera desculpa para referenciar o artifício e o exagero das grandes produções expressionistas, como “A última gargalhada”, “Gatinha selvagem”, “Metrópolis” e “O gabinete do dr. Caligari”. Os fãs da franquia da Marvel talvez o detestem, mas isto porque Tim Burton está pouquíssimo interessado em super-heróis.