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"Hush now, don't explain"
Num filme que gira em torno de algo pensado, mas não realizado, achei particularmente interessantes as elipses construídas com edições da memória e projeções de cenários possíveis. O humor da cena em que se discute a fotografia do casamento, além de funcionar muito bem, parece dialogar com algumas reflexões de Susan Sontag acerca da fotografia (e, podemos acrescentar, da própria representação). Se aquele que fotografa ou filma se apropria do objeto fotografado e mantém um distanciamento emocional diante do sofrimento, como defende Sontag, que melhor maneira haveria de discutir os tiroteios em massa nos Estados Unidos senão por meio de um que não ocorreu? Afinal, que outros caminhos a vida de Emma poderia ter tomado se outro massacre não tivesse ocorrido naquele dia? Ou se um garoto que queria fazer a diferença não a tivesse convidado a militar contra o armamento? Quantas pessoas que já cogitaram cometer um tiroteio em massa podem cruzar o caminho de um norte-americano médio? Um tiroteio que não ocorreu e não foi filmado passa a dizer respeito a todos os tiroteios em massa. Não se trata mais de um problema individual, mas social.
Em outra camada, o roteiro constrói um arco narrativo redondinho, mas eficiente, sobre a dinâmica do casal. Emma costumava sustentar todos os dramas de Charlie até o dia em que surgiu "O" drama (e o artigo definido no título certamente não é gratuito). "O pior dos temporais aduba o jardim", já dizia Sérgio Sampaio. Ao final, ela finalmente consegue arrastá-lo para essa outra forma de compreensão, a de que certas coisas não precisam ser discutidas à exaustão, mas simplesmente dadas por resolvidas por meio da compreensão mútua. "Eu sei tudo o que você tinha a dizer, você sabe o quanto eu lamento. Sigamos!"
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Tá bom meu querido, muito obrigado!
Olá meu querido... Vi que você deixou um link nos comentários do filme "Iremos a Beirute". Imaginei que poderia ser o link pra ver o filme, mas não tá ativo. Você saberia me dizer onde posso assistir esse filme?
Olá, João Pedro! Lembro de ter visto no youtube, mas acredito que retiraram o vídeo da plataforma.
A chuva e o filho que não vêm, as bonanças do petróleo que não existia. Uma linda alegoria da Guerra do Chaco e da vitória pírrica dos paraguaios.
Os corpos que não gesticulam a fala. Ex-isto. Espíritos que vêm nos contar de vivências passadas. O filme é todo falado em jopara, a variação coloquial que mescla os dois idiomas oficiais do Paraguai, o guarani e o espanhol. A palavra "guerra", ao menos no filme, é sempre dita em espanhol.