Acho que faltou um pedido de desculpas, do traidor, apesar de ter sido perdoado, acredito que todos nós deveríamos ter visto um pedido de desculpas sincero...
THE DREAM CHILDREN Direção: Robert Chuter Ano: 2015 Assistido em: 04/09/2022
Faz uns bons anos que eu tento assistir “The Dream Children”, desde de 2017 para ser mais exato, entretanto nunca consegui. Desde o primeiro momento que fiquei sabendo desse filme, dois pontos muito interessantes me chamaram atenção, o primeiro obviamente era por ele ser um romance homoerótico, e segundo pela discussão do tema da adoção por um casal gay. Como homossexual, eu tinha motivos suficientes para querer assistir, mas confesso que levei um certo banho de água fria quando vi as notas e a recepção do público, entretanto apesar de alguns deslizes, o saldo foi positivo.
Steven e Alex são namorados, e apesar de serem apaixonados, eles mantêm seu relacionamento em segredo devido ao trabalho de Steven que é um famoso apresentador de TV na Austrália. A vida de ambos muda bastante quando Alex decide que é hora de eles evoluírem como casal, e formarem uma família tradicional com um filho. Entretanto casais homossexuais não podem adotar crianças, e com o relacionamento dos dois sendo mantido em segredo, eles não têm muitas opções para realizar esse sonho. Outro obstáculo a ser superado é o fato de Steven não estar tão empolgado com a ideia de ser pai quanto Alex.
O roteiro traz uma abordagem primorosa, são poucas as vezes que vimos no cinema um casal homoafetivo com um drama tão interessante. A grande maioria dos filmes gays são voltados para comédia quase pornográfica, ou para tragédias de partir o coração, enquanto que casais héteros tem romances/dramas com “N” configurações, é quase insignificante o número de produções direcionadas ao público LGBT com uma discussão mais sólida, mais palpável. É óbvio que o diretor Robert Chuter dá umas derrapadas no caminho, ele opta por ser o mais gráfico possível abusando do explícito, algo desnecessário, e consequentemente nos faz questionar algumas escolhas.
Apesar de possuir material suficiente para render uma grande produção, o filme é curto em suas 1h40min, entretanto isso não quer dizer que os personagens são superficiais, muito pelo contrário, eles são bastante complexos. Mesmo com as limitações do roteiro e da direção, os atores entregam o que é necessário para a história. Steven, é um personagem complexo, ele se sente extremamente incomodado por não poder ser quem verdadeiramente é, entretanto observamos que ele também se sente desconfortável no papel de marido, e assustado no possível papel de pai, ele trai Alex com muita frequência, mesmo tentando desesperadamente manter a fachada do galã famoso que precisa para sua profissão. Alex por outro lado é retratado como um homem muito controlador, não vemos em nenhum momento ele discutindo com o companheiro a possibilidade de ter um filho, esse desejo dele é tão forte que ele impõe a decisão em seu relacionamento, sem ponderar atitudes, levando o casal a cair nas mãos de uma mulher vigarista e extremamente interesseira que vende o filho. O espectador percebe que essa relação desnecessariamente próxima vai ser um grande problema lá na frente, o que obviamente se confirma, entretanto em sua ânsia por ser pai, Alex é descuidado, e acaba expondo sua família há um perigo que se avizinhava e ele não percebeu.
Graeme Squires e Nicholas Gunn esbanjam química, as cenas de sexo protagonizadas por eles são bastante realistas. Para os gays é excelente ter um romance erótico como esse, mais entretanto é preciso salientar que como um drama, o filme não precisava desse tipo de sequencia. Deixo claro que não estou reclamando, jamais irei reclamar de ver dois homens lindos e gostosos transando, mas analisando a obra cinematográfica, admito que elas ficaram soltas, serve para chamar atenção, causar polêmica, um adendo, mas não indispensável para o roteiro.
Em linhas gerais "The Dream Children" traz um resultado positivo, é observável que em mãos mais experiente a história poderia render melhor, um roteiro mais talhado na parte dramática e uma direção que soubesse extrair dos atores (que são muito bons e está muito confortáveis em seus personagens) interpretações mais profundas, poderiam fazer desse um clássico da filmografia LGBT, ainda assim, é uma excelente pedida para quem quer ver um filme gay que não é somente focado na promiscuidade, mas sim um drama, de uma família que tenta se formar, que tenta se construir, mesmo em condições tão desfavoráveis.
P.S.¹: Honestamente não entendi a cena final, apesar de tudo se encaminhar para um final feliz, é perceptível uma tristeza no olhar de ambos os protagonistas, ainda assim, prefiro acreditar que eles conseguiram se acertar no final.
P.S.²: Em 2018, quatro anos após esse filme ter sido filmado, a Austrália finalmente aprovou a adoção de crianças por casais homossexuais, uma vitória tanto para comunidade, quanto para crianças que agora podem encontrar um lar, onde vão receber cuidado, carinho, e amor. É muito satisfatório ver como a sociedade está evoluindo, devagar, mas evoluindo.
Filme fraquíssimo. Umas cenas terrivelmente desnecessárias, tipo a do vaso sanitário e a do boquete. Leva uma segunda estrela só pela beleza e química do casal.
Bem fraquinho, mas bonitinho. Veja mas não espere muito do filme. 09.09.2021
Acho que faltou um pedido de desculpas, do traidor, apesar de ter sido perdoado, acredito que todos nós deveríamos ter visto um pedido de desculpas sincero...
26/6/23
THE DREAM CHILDREN
Direção: Robert Chuter
Ano: 2015
Assistido em: 04/09/2022
Faz uns bons anos que eu tento assistir “The Dream Children”, desde de 2017 para ser mais exato, entretanto nunca consegui. Desde o primeiro momento que fiquei sabendo desse filme, dois pontos muito interessantes me chamaram atenção, o primeiro obviamente era por ele ser um romance homoerótico, e segundo pela discussão do tema da adoção por um casal gay. Como homossexual, eu tinha motivos suficientes para querer assistir, mas confesso que levei um certo banho de água fria quando vi as notas e a recepção do público, entretanto apesar de alguns deslizes, o saldo foi positivo.
Steven e Alex são namorados, e apesar de serem apaixonados, eles mantêm seu relacionamento em segredo devido ao trabalho de Steven que é um famoso apresentador de TV na Austrália. A vida de ambos muda bastante quando Alex decide que é hora de eles evoluírem como casal, e formarem uma família tradicional com um filho. Entretanto casais homossexuais não podem adotar crianças, e com o relacionamento dos dois sendo mantido em segredo, eles não têm muitas opções para realizar esse sonho. Outro obstáculo a ser superado é o fato de Steven não estar tão empolgado com a ideia de ser pai quanto Alex.
O roteiro traz uma abordagem primorosa, são poucas as vezes que vimos no cinema um casal homoafetivo com um drama tão interessante. A grande maioria dos filmes gays são voltados para comédia quase pornográfica, ou para tragédias de partir o coração, enquanto que casais héteros tem romances/dramas com “N” configurações, é quase insignificante o número de produções direcionadas ao público LGBT com uma discussão mais sólida, mais palpável. É óbvio que o diretor Robert Chuter dá umas derrapadas no caminho, ele opta por ser o mais gráfico possível abusando do explícito, algo desnecessário, e consequentemente nos faz questionar algumas escolhas.
Apesar de possuir material suficiente para render uma grande produção, o filme é curto em suas 1h40min, entretanto isso não quer dizer que os personagens são superficiais, muito pelo contrário, eles são bastante complexos. Mesmo com as limitações do roteiro e da direção, os atores entregam o que é necessário para a história. Steven, é um personagem complexo, ele se sente extremamente incomodado por não poder ser quem verdadeiramente é, entretanto observamos que ele também se sente desconfortável no papel de marido, e assustado no possível papel de pai, ele trai Alex com muita frequência, mesmo tentando desesperadamente manter a fachada do galã famoso que precisa para sua profissão. Alex por outro lado é retratado como um homem muito controlador, não vemos em nenhum momento ele discutindo com o companheiro a possibilidade de ter um filho, esse desejo dele é tão forte que ele impõe a decisão em seu relacionamento, sem ponderar atitudes, levando o casal a cair nas mãos de uma mulher vigarista e extremamente interesseira que vende o filho. O espectador percebe que essa relação desnecessariamente próxima vai ser um grande problema lá na frente, o que obviamente se confirma, entretanto em sua ânsia por ser pai, Alex é descuidado, e acaba expondo sua família há um perigo que se avizinhava e ele não percebeu.
Graeme Squires e Nicholas Gunn esbanjam química, as cenas de sexo protagonizadas por eles são bastante realistas. Para os gays é excelente ter um romance erótico como esse, mais entretanto é preciso salientar que como um drama, o filme não precisava desse tipo de sequencia. Deixo claro que não estou reclamando, jamais irei reclamar de ver dois homens lindos e gostosos transando, mas analisando a obra cinematográfica, admito que elas ficaram soltas, serve para chamar atenção, causar polêmica, um adendo, mas não indispensável para o roteiro.
Em linhas gerais "The Dream Children" traz um resultado positivo, é observável que em mãos mais experiente a história poderia render melhor, um roteiro mais talhado na parte dramática e uma direção que soubesse extrair dos atores (que são muito bons e está muito confortáveis em seus personagens) interpretações mais profundas, poderiam fazer desse um clássico da filmografia LGBT, ainda assim, é uma excelente pedida para quem quer ver um filme gay que não é somente focado na promiscuidade, mas sim um drama, de uma família que tenta se formar, que tenta se construir, mesmo em condições tão desfavoráveis.
P.S.¹: Honestamente não entendi a cena final, apesar de tudo se encaminhar para um final feliz, é perceptível uma tristeza no olhar de ambos os protagonistas, ainda assim, prefiro acreditar que eles conseguiram se acertar no final.
P.S.²: Em 2018, quatro anos após esse filme ter sido filmado, a Austrália finalmente aprovou a adoção de crianças por casais homossexuais, uma vitória tanto para comunidade, quanto para crianças que agora podem encontrar um lar, onde vão receber cuidado, carinho, e amor. É muito satisfatório ver como a sociedade está evoluindo, devagar, mas evoluindo.
sei lá.... um outro elenco, menos capa de revista rs, ficaria mais sincero e palpável e uma lapidada na história, renderia mais...
Filme fraquíssimo. Umas cenas terrivelmente desnecessárias, tipo a do vaso sanitário e a do boquete. Leva uma segunda estrela só pela beleza e química do casal.