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Duração
Em Tirador, a violência não é crime, é um modo de vida. A vida amoral dos membros marginalizados da sua comunidade são um reflexo da degeneração constante da cultura Filipina urbana, uma vez que se tornou um paradigma da modernidade, mas agora afoga-se no abismo da vida nômade.
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Por mais devoto deste genial diretor filipino que eu seja, estava desgostando deste filme no início. O motivo: além daquela imagem digital estranha [que realça o tom (propositalmente incômodo) de urgência das filmagens], parecia que não havia uma trama, que os eventos não se coadunavam adequadamente, o que só piorava com aquela montagem picotada. De repente, tudo fez sentido: é muito mais um filme descritivo que narrativo. E, ao constatar isso, mais uma vez a inevitável piada com o prenome do diretor se justifica: ele é brilhante! Fiquei absolutamente escandalizado com o que experimentei neste filme, uma ampla tese sobre a gênese da decadência societal globalizada: o consumo como sucedâneo teológico, o dinheiro como entidade a ser diuturnamente reverenciada! Fiquei em choque: quantas e quantas situações como aquela não aconteceram ao meu redor... Tachar este filme de hiper-realista é quase um eufemismo e descrevê-lo como imitativo documental é um erro, já que os imensos esforços "reconstitutivos" do diretor descambam para o naturalismo telenovelesco (no melhor sentido do termo). Ao término deste supremo estilingue cinematográfico (para aproveitar o magnífico título original), fiquei em transe: as chaves para se transformar o mundo estão diante de nós, mas, como habitantes do mundo que também somos, às vezes não as percebemos por causa da urgência na saciação de (pretensas) necessidades fisiológicas, convertidas em aparatos vendáveis e principalmente "roubáveis". Para se assistir com uma mão no bolso e a outra na consciência! (WPC>)
Câmera na mão o tempo todo ,edição frenética e montagem muito bem feita te jogam dentro de um mundo que não é diferente de una favela no Brasil.A miséria, a falta de educação, a omissão dos políticos, são iguais no mundo todo. O cineasta filipino volta a retratar a realidade crua de seu país.Miséria disseminada,corrupção na polícia, políticos literalmente comprando votos e a Igreja Católica ao fundo tentando dar uma esperança ao povo.Em comparação com o Brasil, só pareceu ser menos violento, porque,apesar dos furtos e roubos, não aparece nenhum revólver nem tiro , só uma faca numa briga de causa passional.
Moradores que trocam seu voto eleitoral por dinheiro; miséria por todos os cantos mostrados e batedores de carteiras são alguns dos elementos que são mostrados em Tirador. Brillante Mendoza representa muito bem a condição social do pais com seu cinema-verdade.
Impressionante como variando por sua filmografia, Mendoza tem um estilo indiscutível, uma frieza cruel e inclemente de retratar a vida cotidiana das Filipinas. Seja em Kinatay, Serbis ou Masahista, a notória falta de esperança para com o próprio povo, criminoso, corrupto e decadente, está presente.
Por ora violência realista e cru é deixado de lado pra retratar uma gama de personagens que cada dia mais se afogam na própria miséria, debatem-se como presos em areia movediça, quanto mais tentam fazer pra sair, mais fundo caem no bueiro a céu aberto que é o país.
E você é tragado pra esse mundo desolado, por mais distante que possa parecer, você torce pra que chegue ao fim de sua exibição, como se parecesse impossível no momento respirar, somos todos sufocados pela câmera de Mendoza ao percorrer os labirintos, vielas e pocilgas escuras que abrigam todo tipo de doença, física ou mental.
Estômago é necessário. Não porque o cinema de Mendoza é do gênero terro ou gore ou trash. Mas porque é perigosamente arrebatador e realista.
Tirador é um bom filme que mostra a situação social de seu país.
Nunca pensei em ver um filme das Filipinas, inusitado para mim, e um bom resultado no fim das contas. Não achei um filmaço, mas é bom sim, até pensei que não iria gostar depois de ver algumas cenas.
Tem um tom quase documental, não se apega a nenhum personagem, vai fazendo o retrato de uma sociedade onde a violência faz parte do cotidiano, quase uma forma de expressão. Bom filme.