Uma garota perde o marido na guerra. Um bombardeio destrói a loja de sua família e a viúva permanece para reconstruí-la enquanto o resto da família foge. E, durante 18 anos, por amor ao falecido marido e à sogra, ela cuida da loja. O filme começa depois de 18 anos, quando um novo supermercado corre o risco de colocá-los fora do negócios. Na crise, seu cunhado faz uma confissão que a choca e muda seu futuro.
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Drama clássico japonês de alto nível. O ritmo mesmo sendo um pouco lento não prejudica em nada a história que é muito bem conduzida pela direção, pelo elenco e pela trilha sonora.
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Tem spoiler!
Filme muito bonito não só visualmente, mas pelo roteiro que mostra relações humanas determinadas por valores da cultura tradicional japonesa mesmo numa época de rápida modernização de um país recém destruído pela guerra.
Final triste. Os espectadores, certamente, torcem por um final hollywoodiano, mas felizmente o diretor não embarca nessa canoa furada.
A tese de Naruse é de que os valores perduram e continuam determinando o comportamento dos indivíduos mesmo quando a sociedade se transforma rapidamente.
É tão grande a pressão dos valores culturais sobre as pessoas que a viúva Reiko demora para descobrir que ama o irmão mais novo de seu falecido marido.
Quando este confessa o seu amor por ela Reiko fica chocadíssima. Ela sabe que a sociedade não admitiria um relacionamento tão escandaloso. Seria como um incesto, uma relação consanguínea, já que, na sociedade tradicional japonesa, a mulher pertence à família do marido mesmo quando ele morre.
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Achei o melhor do box do Naruse . A estória é bonita e tem momentos emocionantes . Só não gostei muito do final .
Com toda certeza este foi o melhor filme que assisti do Mikio Naruse. A personagem principal — Reiko — é de uma integridade impar, uma pessoa extremamente bela em todos os sentidos.
Mikio Naruse retorna sua parceria habitual com Hideko Takamine em "Tormento", drama romântico que fala das 'viúvas da guerra' e sobre como eram tratadas com reservas pelos familiares do falecido (e provavelmente não há no cinema de Naruse personagens mais odiáveis do que aquelas duas irmãs). Curiosamente, Naruse não é o primeiro cineasta japonês que eu vejo retratando a má-vontade da família com a 'viúva do irmão', o que me faz pensar que é algo culturalmente comum por lá. Mas também é um filme sobre sentimentos, sobre paixões reprimidas, sobre o conflito entre pequenos empreendedores e grandes corporações (um registro de Naruse sobre a revolução comercial que o país estava sofrendo), e também sobre a incogitabilidade de uma mulher ser aceita como ocupante de um cargo importante em um empreendimento. No mais, Naruse consegue evitar as armadilhas do melodrama e entregar um filme que é sensível e ao mesmo tempo forte, sem com isso ser piegas. Dessa fase final do cineasta, o coloco como um dos melhores.