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Em apenas três dias, dois jovens lituanos e duas garotas russas, que deixaram suas cidades natais, encontram-se em Kaliningrado e compartilham um hotel e um apartamento desabitado. Mas a comunicação é impossível e o contato humano improvável nessas condições. O realizador Sharunas Bartas coloca o elo inicial em sua corrente de seres angustiados e escreve seu primeiro e inquietante capítulo sobre o vazio, uma obsessão que será recorrente em sua obra.
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11.06.2009
- se passa na década de 90, mas os lugares são tão decadentes que parecer ser há séculos atrás
- um filme sobre a miséria, a falta de comunicação e o vazio
- é uma depressão sem fim, unica parte alegre é quando toca chorando se foi (lambada) do kaoma no apartamento ao lado
Um poema visual sobre a insalubridade e a aridez que dispensa a verborragia e nossa expectativa mal acostumada aos grandes acontecimentos e plot points. Sobre a tal incomunicabilidade, é um recurso para promover uma ênfase na pictorialidade dos gestos e dos cenários,, nalguns momentos, sépia das imagens que tende ao cinza e ao sombreado nas extremidades noutros, para focalizar uma dinâmica de culto ao fogo sagrado do lar (aludindo à lareira em Fustel de Coulages, Cidade Antiga): na casa em ambiente bucólico o ritual se processa fora e se completa no interior, na pensão imersa na zona urbana do meretrício portuário, o fogo se instala na centralidade dos planos em diversos momentos, seja em explosões em ruínas tarkovskianas, incêndios não programados, fogueiras improvisadas ou num pedido infantil por um cigarro. O filme todo, a despeito da incomunicabilidade e o vazio associado, é dissolvido em focos centrais de cores quentes, música latina, animação ou situações de busca por asilo e aninhamento
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Três Dias é realmente um filme difícil. Precisa ter muita disposição, mesmo com a sua curta duração para analisar com atenção a sua aura plácida e silenciosa. Sharunas Bartas utiliza da escassez de diálogos para realçar o sentimento de incomunicabilidade que assola seus personagens, tudo o que não é dito é sentido pelo espectador por conta da condução inusitadamente bela dessa trama, mesmo que ela venha a parecer inexistente em alguns momentos.