"Graves Without a Name" procura um caminho para a paz. Quando uma criança de treze anos de idade, que perdeu a maior parte de sua família sob o Khmer Vermelho, embarca em uma busca por seus túmulos, seja de barro ou em terreno espiritual, o que ele encontra lá? E acima de tudo, o que ele está procurando? Árvores espectrais? Aldeias desfiguradas além do reconhecimento? Testemunhas que estão relutantes em falar? O toque etéreo do corpo de um irmão ou irmã à medida que a noite se aproxima? Um filme cinematográfico que vai além da história de um país para o que é universal.
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mto bomm, mas poderia ter meia hora a menos
Rithy Panh segue nos oferecendo as imagens que lhe faltam (e que nos faltam também) através desses filmes meticulosos. Seguindo na esteira de sua filmografia sobre os múltiplos efeitos do genocídio promovido pelo Khmer Vermelho, Panh nos entrega agora os “Túmulos sem nome". Esse é um daqueles filmes poderosos em despertar uma verdadeira paleta de afetos, arremessando o espectador em um estado de desamparo, revolta e comoção. Utilizando algumas imagens e algumas reflexões que já estavam presentes em “A imagem que falta”, aqui o diretor desdobra ainda mais sua busca pelo direito de memória das famílias, pelas identidades das perdas e por uma forma de trabalhar esses lutos a medida que esses mortos podem ser considerados vidas exterminadas e não simplesmente restos contingenciais. Precisei de vários minutos para me recuperar da desorientação provocada pelo filme.
A parte final da trilogia do diretor cambojiano Rithy Panh (após A Imagem que Falta e O Exilo) medita acerca das centenas de milhares assassinados pelo regime comunista do Khmer Vermelho, regime totalitário tão cruel quanto o de Hitler, Pinochet, Stalin etc. Sim, demora até entrarmos na abordagem ritualística dos sobreviventes e no estilo bucólico que envolve o lamento dos camponeses sobreviventes, mas tão logo isto acontece, não há como não sentir a dor.
Os relatos sobre a desumanidade e crueldade, além da mea culpa de quem ajudou na revolução crente de que estava do lado da população são os ápices da narrativa, ainda por estarem despidos de paixão. Há apenas serenidade e saudade, enquanto vemos os avatares (fotografias, carrancas, máscaras) que simbolizam os jazigos sem nome. Triste, mas livre do ódio que alimenta a violência. Há somente esperança e paz.
Representante do Camboja no Oscar 2019.
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