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Gina (Lindsay Burdge), uma comissária de bordo americana, que depois de uma temporada sozinha e deprimida pelo suicídio de seu namorado, acaba conhecendo e se apaixonando por Jérôme (Damien Bonnard), um garçom parisiense. E, quando finalmente decide ficar na França para viver este amor, surge Clémence (Esther Garrel), um antigo amor de Jérôme que transformará a vida de Gina em uma rede de desiluções e loucura.
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surtada que chama
Não consegui entender até agora como um filme com uma montagem inicial artística e certeira, com altos teores de ironia se perde completamente no momento em que deixa o sarcasmo de lado e abraça diversos tipos de esteriótipos e preconceitos sem qualquer originalidade. Francamente, em tempos de desconstrução de certos padrões "femininos", tais como a histeria e obsessão, um filme como esse é um desserviço social.
Honestamente, não vale a pena gastar um centavo apoiando um tipo de trabalho, que apesar de uma boa fotografia, remete a uma mentalidade completamente retrógrada.
A profundidade de campo rasa e os primeiríssimos planos – o diretor de fotografia Sean Williams, inclusive, não tem pudor em cortar partes do rosto dos personagens – tornam o espectador cúmplice de Gina e salientam a dificuldade de a visão periférica enxergar algo afora a “paixão” por Jêrome. Enquanto isto, o desconforto narrativo introduzido por Nathan Silver, com inspiração na obra de Roman Polanski a Brian De Palma (com o uso split dioptre do diretor) e certo erotismo blasé com uma trilha sonora característica do cinema setentista, bem como a abordagem original, fazem de Uma Escala em Paris uma experiência única e irresistível para quem procura fugir da mesmice em direção à autoralidade.
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A narração solene da ótima Anjelica Huston recheia a atmosfera desta narrativa inusual, aqui romântica, lá thriller, que é banhada em filtros multicoloridos e retratada através de uma fotografia ruidosa e granulada de uma Paris suja e marginal (distante do encanto e magia normalmente atribuídos à Cidade-Luz). A melhor maneira de retrata o transtorno dissociativo e delirante da protagonista, cuja conjuntivite parece não haver embaçado só a sua visão, mas também seu discernimento.
A atuação de Lindsay Burdge evita que a protagonista Gina deteriore-se ante o público, que dificilmente simpatizaria com uma stalker / voyeur. A solidão e ingenuidade ajudam a estabelecer empatia, e note que lhe falta a malícia nata às personagens obsessivas; pelo contrário, a sensação é a de conto de fadas, um distante dos parques da Disney.
Os enquadramentos em primeiríssimos planos e a profundidade de campo rasa tornam o público cúmplice de Gina e salientam a difícil tarefa de ela enxergar além da redoma. Já o desconforto da narrativa também investe no erotismo blasé e na trilha sonora típica do cinema setentista do gênero (amantes de sintetizadores serão recompensados). Não é convencional a narrativa, confesso, mas é uma experiência única e irresistível a quem deseja fugir da mesmice.
+ Críticas:
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Gina a personagem mas sem noção que eu vi nos últimos tempos. A loucura dessa mulher não tem limites. E vai crescendo de uma maneira durante o filme e deixa a gente aflito. Não é o melhor filme da vida, mas é um filme muito bom.