Faustine (Muriel Catala) sofre as feridas do primeiro amor neste suave filme francês. Durante o verão, ela ficará com a avó, ela passa a conhecer os vizinhos mais próximos. Dois irmãos vivem em uma mansão. Uma é divorciado e outra recentemente se casou novamente, os dois vivem lá com seus filhos adolescentes e adultos. Embora os meninos da casa são atraídos por Faustine, ela se sente encantada por um homem mais velho divorciado. Durante uma visita, ela tem que se esconder em seu quarto para evitar as atenções indesejadas de seus filhos. À medida que o verão se aproxima do fim, ela tem seu primeiro beijo.
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-Por que você se casou com meu pai?
-Porque ele tem dois bons filhos.
-O que você quer de mim?
-Quero passar minha mão em seu corpo nu…
-só isso?
-entre outras coisas, não…
A luxúria sussurrada entre as linhas da imaginação…
Este filme me tocou em lugares profundos do meu imaginário , explorando temas que para mim ecoam como desejos secretos. O relacionamento entre a madrasta e seus dois enteados, carregado de um tabu inconfessável, pulsa com uma sensualidade latente.
Faustine, com sua curiosidade insaciável, mergulha em um turbilhão de desejo, medo e uma coragem hesitante. Ela se entrega ao seu próprio mundo imaginário – um refúgio que também me é familiar – buscando ali uma completude que a realidade se recusa a oferecer. O narcisismo que permeia cada personagem adiciona uma camada extra de complexidade a essa teia de paixões proibidas. Em sua essência, o filme é um retrato vívido de uma libido que reside nas profundezas do nosso subconsciente, à espera de ser despertada.
A câmera, com sua dança lenta e sensual pelos corpos, olhares e bocas, acende a imaginação de uma forma inebriante. A possibilidade de se identificar com as emoções e desejos ali retratados é deliciosamente provocante, mesmo quando a narrativa se perda em devaneios ocasionais.
A verdadeira chama reside nos diálogos sussurrados, nos olhares carregados de intenção que se cruzam no ar, nas bocas entreabertas em antecipação e nas mãos que deslizam pelos contornos dos corpos, como se explorassem um território proibido. É nesse jogo de sedução silenciosa que o filme encontra sua verdadeira força, incendiando os meus sentidos e deixando um rastro de desejo persistente.
Só quem já teve um “Joachim” na vida sabe o que é sentir desejo e ódio ao mesmo tempo.
Se você não gosta de filmes lentos, subentendidos, evite, esse não é para você!
' O OLHAR DE UMA MULHER '
.... E bem no começo desta pepita sensual, a primeira aparição de todas de Isabelle Huppert. Gostei da proposta do filme, filmar o verão, apesar de achar que ficou cafona com o tempo. Mas quem não gosta de cafona ? Um filme realizado por uma mulher que coloca o personagem de Muriel Catala no primeiro plano e o olhar dela do mundo. Longe do "male gaze" tão tradicional na história do cinema ? O que é ver uma mulher dando "prazer visual" a si mesma ? E aquela vontade de inverter um pouco a ordem das coisas ?
Não há formula para construir um roteiro longe dos clichês discursivos e sexuais de gênero, mas aqui é ao menos uma experiência erótica no cinema muita distinta daquela proposta na série de filmes "Emmanuelle". Sabe-se que é muito frequente no cinema o fato do espectador ser convidado a se projetar em personagens masculinos ativos e corajosos em detrimento a personages femininos passivos e sofredores....
Em FAUSTINE ET LE BEL ÉTÉ, a singularidade do filme é aos meus olhos a sequência tão doce, mas complexa cinematograficamente falando, na qual Faustine pega a câmera da família para utilizar a objetiva zoom e não para ver melhor, mas para ver de maneira diferente, o mundo, com a qual o espectador vive a experiência dos outros e da natureza pelo seu olhar insistente e provocador. Agora o corpo dela desnudado pela câmera como em filmes masculinistas, isso é uma outra historia...