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Baseado no conto 'O Sinal' de Guy de Maupassant, Une femme coquette é o primeiro dos quatro curtas feitos por Jean-Luc Godard no início de sua carreira. A história conta as aventuras de uma garota que se arrisca a sorrir para um estranho pela primeira vez depois de ver o gesto sendo feito por uma prostituta.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Um trabalho exordial, com ascendência maupassantiana. A narração possui algum charme, pois a atriz é muito boa. Mas foi difícil encontrar um ponto de "relaxamento" nesse filme: em sua representação "conveniente" (porque objetificada) da licenciosidade feminina, o filme demonstra-se anuente em relação a um estupro, a um abuso persecutório e não desejado. Não achei divertido. Incomodei-me com a romantização do sexo á força (insuficientemente justificado pela confissão epistolar). Um começo de carreira um tanto equivocado e com algumas marcas registradas do diretor. Faltaram as principais, a verve política e a linguagem subversiva. Aqui, dá continuidade ao 'cinéma de papá', pretensamente engraçadinho enquanto humilha uma fêmea. Desapreciei! :( - WPC>
"Yes, I thought to myself, the fate of a coquette is so cruel. The world sentences her to a freedom that tests their virtue. Debauching oneself demands a courage that our time excused too much in the name of prudishness and inattention. Of love, but never of wisdom. Acting with flirtatiousness was, to accept the danger of being taken by surprise."
Um curta com uma mensagem de tema usual, mas de certa forma até cômico. O espectador acompanha através da narrativa da protagonista o que a mera imitação de um gesto é capaz de fazer e que apesar do prazer momentâneo, não há nada de que ela tenha se arrependido. Inusitado!
Um prelúdio de "Une Femme est une Femme". Godard quando fala de amor em seus filmes, geralmente se sai bem("O Desprezo","O Acossado", o próprio "Uma Mulher é Uma Mulher.
Sou capaz de apostar que ele tava apaixonado quando escreveu/dirigiu esse curta. Isso transmite a quem assiste. Talvez por isso mesmo, seja um curta mais palatável, mais fácil e agradável de assistir, o que não quer dizer que ele não buscou inovar, mas foi menos radical.
Interessante comparar desde o conto até esta adaptação a maneira como ambos os autores interpretam a sexualidade feminina - desde a prostituta até a dona de casa. O medo da protagonista em comunhão com a vontade de se provar e, ao mesmo tempo, desafiar a si mesma e aos seus moralismos continua nesta versão do Godard, porém aqui está evidentemente com um peso muito maior o moralismo patriarcal, a necessidade de fazer a mulher pagar por se atrever a provocar um homem. Este ponto que seria a diferença principal perde (em minha opinião) o cinismo do conto
já que neste além do contraponto direto da amiga que ouve a confissão (e ri), também se perde os conselhos da mesma em como se livrar deste perseguidor (o que decididamente já carrega um julgamento também, mas dá ao conto um sabor mais interessante que a adaptação), tanto quanto aliviar a sua consciência comprando com o dinheiro ganhado na traição algo para o esposo.