Quando a série contextualiza seu ponto de vista localizando sua história no tempo-espaço, apresenta passagens realmente relevantes. O problema é a isenção, a tentativa de separar seu personagem principal dos grandes problemas que envolveram a marca. Perdi as contas de quantas vezes Hefner narrava "eu não fazia ideia"... E os últimos episódios passaram muito rápido pelas décadas finais da revista, explorando muito aquém do possível os acontecimentos mais recentes.
Faço minhas as palavras de outros aqui: foi a melhor temporada do Drag Race UK até hoje, pena que a escolha da vencedora estragou o que estava perfeito...
Série exemplar, pela forma e conteúdo. O delicado tema do assédio sexual no ambiente de trabalho - ou "má conduta sexual", para usar o neologismo explorado nesta primeira temporada - é abordado com o equilíbrio perfeito entre a sutileza necessária ao assunto, tão sensível, e o peso oriundo de sua importância, especialmente no complexo mundo de hoje. A escolha de pano de fundo - os bastidores de um telejornal matutino - é também explorada à máxima potência, o que resulta em alguns excessos e clichês, mas parece desvendar os meandros desses ambientes tão secretos e, ao mesmo tempo, tão conhecidos. O elenco apresenta atuações excelentes, com total destaque a Billy Crudup e seu coringa Cory, sem demérito dos colegas Steve Carell, Jennifer Aniston, Karen Pittman, Mark Duplass e Marcia Gay Haden. Não só no todo, mas individualmente, os episódios funcionam à perfeição. É pena que tudo que se destaca até o 9o episódio seja completamente abandonado no último episódio, que tem edição, trilha sonora e direção incrivelmente cafonas.
Melhor temporada em anos! A estreia dividida em dois episódios é sempre uma boa forma do público conhecer melhor as queens, a maior parte era tão talentosa, há muitas edições o time não era tão forte! Temporada cheia de plot twists e momentos memoráveis
A proposta do reality é ótima, o casting é bem escalado e mesmo os conflitos que surgem entre participantes e convidados contribuem para o resultado. Os especialistas é que poderiam ter sido melhor preparados para a empreitada, são bem fraquinhos.
A dinâmica não eliminatória estabelecida entre as meninas foi um grande acerto, não estimulando a competição e focando na preparação das participantes para o mercado. Nem precisava de vencedora, mas ao menos foi uma boa escolha.
A série é fantasiosa e essa é a proposta, imaginar como seria se... É leve e entretém, foi bom ter assistido. Boa não é. Não acrescenta ao gênero nem à carreira do Ryan Murphy, já que Pose, Feud e até Glee utilizam a mesma licença poética: um mundo ideal em que pessoas diversas, que não seguem o padrão, têm seus talentos reconhecidos. A única contribuição seria apresentar alguns atores (como Patti LuPone) e personagens reais dos anos de ouro de Hollywood (como Rock Hudson e Henry Wilson) às novas gerações, mas tenho cá minhas dúvidas de que o público vá se ocupar de fazer essa pesquisa, infelizmente.
A série é vexatória! Merece uma estrela apenas pelas atuações de Danielle Winits e Otávio Augusto, que acertam no tom de seus personagens. Os atores jovens são PÉSSIMOS, com menção desonrosa para Matheus Braga, mas a realidade é que o texto erra tanto no tom sombrio e excessivamente dramático que nem grandes atrizes do gabarito de Vera Holtz e Arlete Salles conseguem se salvar, muito menos Daniel Rangel, cuja narração piora ainda mais o que já é péssimo!
Quando lançada, em meados de 2018, a minissérie original da HBO "Sharp Objects" fez algum burburinho. "Big Little Lies", outra produção do canal protagonizada apenas por mulheres, tinha acabado de varrer prêmios no Emmy e no Globo de Ouro e fora dirigida pelo mesmo Jean-Marc Vallée. Além disso, seu roteiro parte de "Objetos Cortantes", livro de Gillian Flynn, escritora especializada em abordar o lado sombrio do sexo feminino que já teve sua obra adaptada para o cinema no quase excelente "Garota Exemplar" (2014). Sem contar a inclusão de Amy Adams e Patricia Clarkson no elenco, nomes normalmente atrelados a projetos cinematográficos de qualidade. Então a série estreou e pouco se falou a respeito, deixando a impressão de que talvez não valesse o interesse. Ledo engano.
Passei os últimos dias de 2018 e o primeiro dia de 2019 consumindo vorazmente seus 8 episódios, que contam a história de Camille Preaker, uma jornalista que volta à sua tacanha cidade natal para investigar os misteriosos assassinatos de duas adolescentes. O retorno às origens significa reencontrar a casa onde cresceu, os desprezíveis colegas da época da escola, os vizinhos de mente pequena, sua severa mãe, uma socialite interiorana que sempre a desprezou, e as lembranças de sua irmã caçula, já falecida. Desde o primeiro episódio, cria-se uma atmosfera envolvente, em que pouco é explicado, mas muito é instigado. O ambiente ensolarado remete à férias de verão, mas o município de Mind Gap está por um triz, assombrada pelo risco de novos crimes violentos e sufocada pelos segredos de cidade pequena.
Embora essa descrição remeta a uma trama policial, não é apenas o mistério que prende o espectador: o drama da protagonista, que intensifica o alcoolismo nesse contexto de extrema pressão e depara-se com os fantasma de sua adolescência traumática, gera empatia e propõe temas como rejeição, autoflagelo, os reflexos de uma sociedade machista em três gerações de mulheres, relações familiares e feminicídio. Apesar disso, a vulnerabilidade de Camille na vida pessoal é equilibrada por seu ar de durona, seu caminhar imponente, seu olhar perspicaz e eloquência sagaz. Amy Adams prova-se, mais uma vez, uma das melhores atrizes de Hollywood em atividade, entregando um de seus melhores trabalhos em meio a um currículo repleto de acertos inegáveis. Ainda assim, Patricia Clarkson encontra espaço pra ser brilhante como sempre e a quase estreante Eliza Scanlen, de apenas 19 anos, surpreende. As 3 principais personagens femininas de "Sharp Objects" transitam entre a sociedade de aparências, a fragilidade de seus segredos e a firmeza de suas verdades, e suas intérpretes não deixam nada na superfície.
A crítica especializada é unanimemente positiva, mas parte do público se queixou do final repentino e menos mastigado que o do livro. No entanto, há coerência no corte lacaniano, quando se pensa na ambientação sombria e na crueza dos temas abordados. Mais importante ainda, toda a história está lá, contada e clara, basta apurar a visão e entender que as cenas dos episódio iniciais, classificadas pelo senso comum como "lentas" e "sem sentido", revelam mais do que os olhos destreinados conseguem enxergar. Quem assistiu ao trabalho do diretor Vallée em "Big Little Lies" sabe que sua técnica de fragmentar o passado dos personagens ao longo da história resulta em um quebra-cabeça revelador. Uma das principais características de seu trabalho é a edição, pela qual foi responsável pessoalmente na minissérie. A transição das cenas é sutil e fundamental para ligar os pontos entre o passado e o presente dos personagens, entre os fatos atuais e as lembranças de Camille - interpretada, na adolescência, por uma quase muda Sophia Lillis, a ruivinha do "terror" "It" (2017). Ao final, tudo se conecta e fica claro de que nenhum take foi em vão ou terminou mal explicado. Nas palavras de sua criadora, Marti Noxon (envolvida nas séries "Buffy" e "Angel"), a conclusão é que você pode mudar a maneira como se relaciona com seu passado, mas não modificar seu passado em si.
"Sharp Objects" concorre neste domingo ao Globo de Ouro nas categorias Minissérie, Atriz e Atriz Coadjuvante em Minissérie. A obra é limitada, ou seja, não é feita em temporadas, seus 8 episódios incluem toda a história. Está disponível nos serviços de streaming Now (Net) e no HBO Go. E pra quem pretende assistir, uma dica: assista os créditos do último episódio até o final! Algumas explicações fundamentais são dadas em cenas curtas inseridas nos últimos segundos do capítulo, os únicos momentos em que a história foge da perspectiva de sua protagonista.
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American Playboy: A História de Hugh Hefner
3.9 8 Assista AgoraQuando a série contextualiza seu ponto de vista localizando sua história no tempo-espaço, apresenta passagens realmente relevantes. O problema é a isenção, a tentativa de separar seu personagem principal dos grandes problemas que envolveram a marca. Perdi as contas de quantas vezes Hefner narrava "eu não fazia ideia"... E os últimos episódios passaram muito rápido pelas décadas finais da revista, explorando muito aquém do possível os acontecimentos mais recentes.
RuPaul's Drag Race UK (6ª Temporada)
4.0 12Faço minhas as palavras de outros aqui: foi a melhor temporada do Drag Race UK até hoje, pena que a escolha da vencedora estragou o que estava perfeito...
La Voix merecia demais, tão maravilhosa que me deixa saudade
The Morning Show (1ª Temporada)
4.3 223Série exemplar, pela forma e conteúdo. O delicado tema do assédio sexual no ambiente de trabalho - ou "má conduta sexual", para usar o neologismo explorado nesta primeira temporada - é abordado com o equilíbrio perfeito entre a sutileza necessária ao assunto, tão sensível, e o peso oriundo de sua importância, especialmente no complexo mundo de hoje. A escolha de pano de fundo - os bastidores de um telejornal matutino - é também explorada à máxima potência, o que resulta em alguns excessos e clichês, mas parece desvendar os meandros desses ambientes tão secretos e, ao mesmo tempo, tão conhecidos. O elenco apresenta atuações excelentes, com total destaque a Billy Crudup e seu coringa Cory, sem demérito dos colegas Steve Carell, Jennifer Aniston, Karen Pittman, Mark Duplass e Marcia Gay Haden. Não só no todo, mas individualmente, os episódios funcionam à perfeição. É pena que tudo que se destaca até o 9o episódio seja completamente abandonado no último episódio, que tem edição, trilha sonora e direção incrivelmente cafonas.
RuPaul’s Drag Race (14ª Temporada)
3.9 57Melhor temporada em anos! A estreia dividida em dois episódios é sempre uma boa forma do público conhecer melhor as queens, a maior parte era tão talentosa, há muitas edições o time não era tão forte! Temporada cheia de plot twists e momentos memoráveis
Born to Fashion
4.0 2A proposta do reality é ótima, o casting é bem escalado e mesmo os conflitos que surgem entre participantes e convidados contribuem para o resultado. Os especialistas é que poderiam ter sido melhor preparados para a empreitada, são bem fraquinhos.
A dinâmica não eliminatória estabelecida entre as meninas foi um grande acerto, não estimulando a competição e focando na preparação das participantes para o mercado. Nem precisava de vencedora, mas ao menos foi uma boa escolha.
Hollywood
4.1 332 Assista AgoraA série é fantasiosa e essa é a proposta, imaginar como seria se... É leve e entretém, foi bom ter assistido. Boa não é. Não acrescenta ao gênero nem à carreira do Ryan Murphy, já que Pose, Feud e até Glee utilizam a mesma licença poética: um mundo ideal em que pessoas diversas, que não seguem o padrão, têm seus talentos reconhecidos. A única contribuição seria apresentar alguns atores (como Patti LuPone) e personagens reais dos anos de ouro de Hollywood (como Rock Hudson e Henry Wilson) às novas gerações, mas tenho cá minhas dúvidas de que o público vá se ocupar de fazer essa pesquisa, infelizmente.
Eu, a Vó e a Boi
2.7 29A série é vexatória! Merece uma estrela apenas pelas atuações de Danielle Winits e Otávio Augusto, que acertam no tom de seus personagens. Os atores jovens são PÉSSIMOS, com menção desonrosa para Matheus Braga, mas a realidade é que o texto erra tanto no tom sombrio e excessivamente dramático que nem grandes atrizes do gabarito de Vera Holtz e Arlete Salles conseguem se salvar, muito menos Daniel Rangel, cuja narração piora ainda mais o que já é péssimo!
Objetos Cortantes
4.3 873Quando lançada, em meados de 2018, a minissérie original da HBO "Sharp Objects" fez algum burburinho. "Big Little Lies", outra produção do canal protagonizada apenas por mulheres, tinha acabado de varrer prêmios no Emmy e no Globo de Ouro e fora dirigida pelo mesmo Jean-Marc Vallée. Além disso, seu roteiro parte de "Objetos Cortantes", livro de Gillian Flynn, escritora especializada em abordar o lado sombrio do sexo feminino que já teve sua obra adaptada para o cinema no quase excelente "Garota Exemplar" (2014). Sem contar a inclusão de Amy Adams e Patricia Clarkson no elenco, nomes normalmente atrelados a projetos cinematográficos de qualidade. Então a série estreou e pouco se falou a respeito, deixando a impressão de que talvez não valesse o interesse. Ledo engano.
Passei os últimos dias de 2018 e o primeiro dia de 2019 consumindo vorazmente seus 8 episódios, que contam a história de Camille Preaker, uma jornalista que volta à sua tacanha cidade natal para investigar os misteriosos assassinatos de duas adolescentes. O retorno às origens significa reencontrar a casa onde cresceu, os desprezíveis colegas da época da escola, os vizinhos de mente pequena, sua severa mãe, uma socialite interiorana que sempre a desprezou, e as lembranças de sua irmã caçula, já falecida. Desde o primeiro episódio, cria-se uma atmosfera envolvente, em que pouco é explicado, mas muito é instigado. O ambiente ensolarado remete à férias de verão, mas o município de Mind Gap está por um triz, assombrada pelo risco de novos crimes violentos e sufocada pelos segredos de cidade pequena.
Embora essa descrição remeta a uma trama policial, não é apenas o mistério que prende o espectador: o drama da protagonista, que intensifica o alcoolismo nesse contexto de extrema pressão e depara-se com os fantasma de sua adolescência traumática, gera empatia e propõe temas como rejeição, autoflagelo, os reflexos de uma sociedade machista em três gerações de mulheres, relações familiares e feminicídio. Apesar disso, a vulnerabilidade de Camille na vida pessoal é equilibrada por seu ar de durona, seu caminhar imponente, seu olhar perspicaz e eloquência sagaz. Amy Adams prova-se, mais uma vez, uma das melhores atrizes de Hollywood em atividade, entregando um de seus melhores trabalhos em meio a um currículo repleto de acertos inegáveis. Ainda assim, Patricia Clarkson encontra espaço pra ser brilhante como sempre e a quase estreante Eliza Scanlen, de apenas 19 anos, surpreende. As 3 principais personagens femininas de "Sharp Objects" transitam entre a sociedade de aparências, a fragilidade de seus segredos e a firmeza de suas verdades, e suas intérpretes não deixam nada na superfície.
A crítica especializada é unanimemente positiva, mas parte do público se queixou do final repentino e menos mastigado que o do livro. No entanto, há coerência no corte lacaniano, quando se pensa na ambientação sombria e na crueza dos temas abordados. Mais importante ainda, toda a história está lá, contada e clara, basta apurar a visão e entender que as cenas dos episódio iniciais, classificadas pelo senso comum como "lentas" e "sem sentido", revelam mais do que os olhos destreinados conseguem enxergar. Quem assistiu ao trabalho do diretor Vallée em "Big Little Lies" sabe que sua técnica de fragmentar o passado dos personagens ao longo da história resulta em um quebra-cabeça revelador. Uma das principais características de seu trabalho é a edição, pela qual foi responsável pessoalmente na minissérie. A transição das cenas é sutil e fundamental para ligar os pontos entre o passado e o presente dos personagens, entre os fatos atuais e as lembranças de Camille - interpretada, na adolescência, por uma quase muda Sophia Lillis, a ruivinha do "terror" "It" (2017). Ao final, tudo se conecta e fica claro de que nenhum take foi em vão ou terminou mal explicado. Nas palavras de sua criadora, Marti Noxon (envolvida nas séries "Buffy" e "Angel"), a conclusão é que você pode mudar a maneira como se relaciona com seu passado, mas não modificar seu passado em si.
"Sharp Objects" concorre neste domingo ao Globo de Ouro nas categorias Minissérie, Atriz e Atriz Coadjuvante em Minissérie. A obra é limitada, ou seja, não é feita em temporadas, seus 8 episódios incluem toda a história. Está disponível nos serviços de streaming Now (Net) e no HBO Go. E pra quem pretende assistir, uma dica: assista os créditos do último episódio até o final! Algumas explicações fundamentais são dadas em cenas curtas inseridas nos últimos segundos do capítulo, os únicos momentos em que a história foge da perspectiva de sua protagonista.
The Voice (8ª Temporada)
3.8 34Como é que o site tem toda uma preocupação com spoilers, cria mecanismos para sinalizá-los e para prevenir o usuário, mas aprova na descrição do texto de um programa como esse a inclusão do vencedor do programa?