O que fazer com esse sentimento de revolta que a séria nos cria? A série se torna mais uma das ferramenta importantes para entendermos como o sistema carcerário americano (e também o brasileiro?) é mais um dos capítulos da sangrenta história colonial e escravocrata que (n)os persegue até hoje. Afinal, embora os EUA e o Brasil já não sejam mais colônias escravocratas, assim como tb já tiveram seus escravos "libertos", a série nos ajuda a flagrar como as prisões acabam por se tornar uma nova tecnologia da escravidão reciclada. Se tornam mais uma ação do racismo estrutural em forma modernizada. Afinal, tanto lá, quanto cá, nossa maioria de detentos sempre foi negra. Por quê? Seria uma resposta longa... (no doc 13ª Emenda podemos ter um boa referência pra isso, pra começar) mas, olhando pro nosso aqui e agora brasileiro, não é difícil localizarmos casos onde julgamentos se revelam completamente desiguais conforme o réu é branco, ou negro. Será que podemos, no fim, trazer este sentimento de revolta que a série nos traz para refletir sobre o nosso próprio racismo - seja ele declarado ou velado (afinal, difícil não ser racista nascendo no Brasil) - e tentar interromper esse tipo de comportamento?
Termino o filme com a sensação de que tudo está amarrado no roteiro. Ao final e afinal, nada é por acaso. "Ela já havia preparado tudo antes de entrar alí"? Tudo é confuso e misturado: o diretor, que quer - na verdade - ser a personagem, por querer secretamente experimentar seus mais particulares desejos? E afinal, há um desejo reprimido e Masoch-Istas de dominação em nós? Ficção, realidade, reflexão pessoal… Confuso? É interessante! Ou será que estou sendo sádica? Haha
Chocada, passada e no chão! As aristotélicas se revoltam, as simbolistam piram. Não é o primeiro filme que vejo onde numa floresta acontece um tipo de rito de passagem, de amadurecimento, onde o homem - através de diversas maneiras de se confrontar com a vida e com a morte - se revê, e de certa forma, amadurece, desabrocha e voa como um novo homem! De Fernando para Antônio, neste caso, né. E isto através de desapegos do antigo eu, como na cena
onde ele se desfaz do seu celular (onde mantinha comunicação com um antigo companheiro, amor, será?), da sua identidade antiga de Fernando, e dos seus remédios, que até então era algo essencial para a sua vida. Mas que agora como Antônio, já não é mais! Fernando morreu! Está morta e enterrada. Assim como a tradicional narrativa aristotélica!
Uma apologia ao império dos sentidos, acima da razão. O que não é facil, é confuso. Como na conversa com os peixes, quando ele se questiona: "Porque vocês não vivem em águas menos turvas, onde poderiam ver seu caminho?"
Dizer que este filme não faz sentido algum é muito fácil. O excitante é encontrar-se, criar seus próprios sentidos nestas belas fotografias.
Quem disse que os filmes que você dorme no meio não são bons? A coisa se mistura com os sonhos e você se pergunta tantas coisas. E o que achei legal desse filme foi que o diretor conseguiu contar uma história, e ao mesmo tempo, não só contar a história: deixar dúvidas, pontos abertos. Talvez abertos demais? Quem sabe? É pessoal de cada um. Recomendo assistir bem de noite.
Acredito que um filme é legal quando nos faz repensar nossa maneira de viver. Esse filme fez isso comigo. Esses dias ouvi de um colega "bonzinho só se fode". E fiquei e me perguntando: por quê? Que foda isso... Por quê alguém sendo ''bom" só se fode? E assistindo a esse filme, vejo que muito do "se foder" está nos arredores. Ser bom, no mundo em que vivemos, (ou arrisco dizer, amar no mundo em que vivemos) nos leva à morte. Mas ok, tudo nos leva a morte. Mas quando amamos-morrendo, provavelmente causaremos revolta ao nosso redor (por diversos motivos que podemos discutir). O que gerará dúvida, fé e sacrifício (como nos capítulos do filme). Mas no fim das contas, é uma escolha pessoal, assim como Bess diz ser um dos seus dons pessoais "eu sei acreditar". Na saúde, na doença... e no que mais mesmo? Utópico!
Pra mim não rolou não. Entendo os elogios à atuação da atriz principal. Realmente ela é linda, e instiga. Até mesmo o ator que faz o marido têm um quê de estranho que dá curiosidade. Diria que até a primeira metade do filme fiquei ligada no enredo, nas metáforas, nos olhares. Mas então a trama descarrilha numa histeria sem-pé-nem-cabeça e um final que não me leva a lugar nenhum. E olha que eu adoro um 'sem-pé-nem-cabeça'. Mas dessa vez não.
Exceto o monstro o gosmento. Esse bizarro pra mim funciona, haha. Assim como a cena do metrô, tipo um solo de dança contemporânea. Bizarrice gostosa, hehe.
A interpretação dos atores italianos causa estranhamento, logo de cara. É muito mais melodramática. O que não é ruim, e pode transformar o riso do espectador num silêncio espantoso em segundos. Me chama a atenção a seleção dos contos do Decameron: escolhem desde histórias mais melancólicas e e funestas (como a trama do Gavião), até as hilárias, como a do convento e a abadessa Usimbalda. Que aliás, é belíssima. Um outro ponto de vista da obra do Boccaccio, diferente da comédia sexual de Pasolini.
Dois personagens que ao mesmo tempo que parecem irreais - alcançam uma assustadora sinceridade de diálogo - também atingem uma profunda discussão sobre o amor, e suas diversas reverberações em todos nós, seres humanos. Afinal, se o humano é carne, e carne apodrece, haveríamos nós de conseguirmos amar puramente?
Muito propício as filmagens acontecerem dentro de um teatro. Quando se está representando e quando não? Ao colocar uma câmera em frente de pessoas "comuns", estas também não estariam representando uma personagem? E as atrizes, por mais que sejam rainhas do ofício da interpretação, deixam clara a diferença entre a a ocasião da tentativa de imitação, e a sagaz e simples apresentação (ou exposição, projeção, ...) da lógica de pensamento uma outra pessoa - expondo suas estratégias e dificuldades. Muito legal ver a Andréa Beltrão neste filme.
Surrealmente estimulante. Atuações que tornam uma delícia acompanhar os "nervos" de cada personagem. Um melodrama neurótico na melhor das hipóteses que traz sequência de exageros preciosamente calculados.
Drive My Car
3.8 419 Assista AgoraEu amo, haha
Revelação
4.6 57Já pode por na grade curricular obrigatória do ensino fundamental?
Olhos que Condenam
4.7 684O que fazer com esse sentimento de revolta que a séria nos cria?
A série se torna mais uma das ferramenta importantes para entendermos como o sistema carcerário americano (e também o brasileiro?) é mais um dos capítulos da sangrenta história colonial e escravocrata que (n)os persegue até hoje. Afinal, embora os EUA e o Brasil já não sejam mais colônias escravocratas, assim como tb já tiveram seus escravos "libertos", a série nos ajuda a flagrar como as prisões acabam por se tornar uma nova tecnologia da escravidão reciclada. Se tornam mais uma ação do racismo estrutural em forma modernizada.
Afinal, tanto lá, quanto cá, nossa maioria de detentos sempre foi negra. Por quê? Seria uma resposta longa... (no doc 13ª Emenda podemos ter um boa referência pra isso, pra começar) mas, olhando pro nosso aqui e agora brasileiro, não é difícil localizarmos casos onde julgamentos se revelam completamente desiguais conforme o réu é branco, ou negro.
Será que podemos, no fim, trazer este sentimento de revolta que a série nos traz para refletir sobre o nosso próprio racismo - seja ele declarado ou velado (afinal, difícil não ser racista nascendo no Brasil) - e tentar interromper esse tipo de comportamento?
Linha de Fuga 2.0
2.6 2Nossa, vi na mostra e agora não consigo acessar de jeito nenhum. Alguem imagina algum jeito de acessar o filme?
Um Lugar ao Sol
3.9 169 Assista AgoraEu fico desacreditada. Parece até que são atores, porque é difícil de acreditar.
A Pele de Vênus
4.0 219Termino o filme com a sensação de que tudo está amarrado no roteiro. Ao final e afinal, nada é por acaso. "Ela já havia preparado tudo antes de entrar alí"? Tudo é confuso e misturado: o diretor, que quer - na verdade - ser a personagem, por querer secretamente experimentar seus mais particulares desejos? E afinal, há um desejo reprimido e Masoch-Istas de dominação em nós? Ficção, realidade, reflexão pessoal… Confuso? É interessante! Ou será que estou sendo sádica? Haha
O Ornitólogo
3.5 85Chocada, passada e no chão! As aristotélicas se revoltam, as simbolistam piram. Não é o primeiro filme que vejo onde numa floresta acontece um tipo de rito de passagem, de amadurecimento, onde o homem - através de diversas maneiras de se confrontar com a vida e com a morte - se revê, e de certa forma, amadurece, desabrocha e voa como um novo homem! De Fernando para Antônio, neste caso, né. E isto através de desapegos do antigo eu, como na cena
onde ele se desfaz do seu celular (onde mantinha comunicação com um antigo companheiro, amor, será?), da sua identidade antiga de Fernando, e dos seus remédios, que até então era algo essencial para a sua vida. Mas que agora como Antônio, já não é mais! Fernando morreu! Está morta e enterrada. Assim como a tradicional narrativa aristotélica!
Uma apologia ao império dos sentidos, acima da razão. O que não é facil, é confuso. Como na conversa com os peixes, quando ele se questiona: "Porque vocês não vivem em águas menos turvas, onde poderiam ver seu caminho?"
Dizer que este filme não faz sentido algum é muito fácil. O excitante é encontrar-se, criar seus próprios sentidos nestas belas fotografias.
Sob a Pele
3.2 1,4KQuem disse que os filmes que você dorme no meio não são bons? A coisa se mistura com os sonhos e você se pergunta tantas coisas. E o que achei legal desse filme foi que o diretor conseguiu contar uma história, e ao mesmo tempo, não só contar a história: deixar dúvidas, pontos abertos. Talvez abertos demais? Quem sabe? É pessoal de cada um. Recomendo assistir bem de noite.
Ondas do Destino
4.2 345 Assista AgoraAcredito que um filme é legal quando nos faz repensar nossa maneira de viver. Esse filme fez isso comigo. Esses dias ouvi de um colega "bonzinho só se fode". E fiquei e me perguntando: por quê? Que foda isso... Por quê alguém sendo ''bom" só se fode? E assistindo a esse filme, vejo que muito do "se foder" está nos arredores. Ser bom, no mundo em que vivemos, (ou arrisco dizer, amar no mundo em que vivemos) nos leva à morte. Mas ok, tudo nos leva a morte. Mas quando amamos-morrendo, provavelmente causaremos revolta ao nosso redor (por diversos motivos que podemos discutir). O que gerará dúvida, fé e sacrifício (como nos capítulos do filme). Mas no fim das contas, é uma escolha pessoal, assim como Bess diz ser um dos seus dons pessoais "eu sei acreditar". Na saúde, na doença... e no que mais mesmo? Utópico!
Possessão
3.9 644Pra mim não rolou não. Entendo os elogios à atuação da atriz principal. Realmente ela é linda, e instiga. Até mesmo o ator que faz o marido têm um quê de estranho que dá curiosidade. Diria que até a primeira metade do filme fiquei ligada no enredo, nas metáforas, nos olhares. Mas então a trama descarrilha numa histeria sem-pé-nem-cabeça e um final que não me leva a lugar nenhum. E olha que eu adoro um 'sem-pé-nem-cabeça'. Mas dessa vez não.
Exceto o monstro o gosmento. Esse bizarro pra mim funciona, haha. Assim como a cena do metrô, tipo um solo de dança contemporânea. Bizarrice gostosa, hehe.
Crash: Estranhos Prazeres
3.6 345 Assista AgoraEsse filme é de foder.
Maravilhoso Boccaccio
3.1 18 Assista AgoraA interpretação dos atores italianos causa estranhamento, logo de cara. É muito mais melodramática. O que não é ruim, e pode transformar o riso do espectador num silêncio espantoso em segundos. Me chama a atenção a seleção dos contos do Decameron: escolhem desde histórias mais melancólicas e e funestas (como a trama do Gavião), até as hilárias, como a do convento e a abadessa Usimbalda. Que aliás, é belíssima. Um outro ponto de vista da obra do Boccaccio, diferente da comédia sexual de Pasolini.
Cenas de um Casamento
4.4 234Dois personagens que ao mesmo tempo que parecem irreais - alcançam uma assustadora sinceridade de diálogo - também atingem uma profunda discussão sobre o amor, e suas diversas reverberações em todos nós, seres humanos. Afinal, se o humano é carne, e carne apodrece, haveríamos nós de conseguirmos amar puramente?
Jogo de Cena
4.4 351 Assista AgoraMuito propício as filmagens acontecerem dentro de um teatro. Quando se está representando e quando não? Ao colocar uma câmera em frente de pessoas "comuns", estas também não estariam representando uma personagem? E as atrizes, por mais que sejam rainhas do ofício da interpretação, deixam clara a diferença entre a a ocasião da tentativa de imitação, e a sagaz e simples apresentação (ou exposição, projeção, ...) da lógica de pensamento uma outra pessoa - expondo suas estratégias e dificuldades.
Muito legal ver a Andréa Beltrão neste filme.
A Viagem do Capitão Tornado
4.2 27Fiquei com uma sensação mista de beleza e tristeza.
"O teatro dá alegria a todos, exceto à quem o faz"
Noite de Estréia
4.3 54Agonia instigante: a complexidade de imaginar um ator que não consegue entrar em cena e dar vida à uma personagem por não suportar a própria vida.
Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos
4.0 561 Assista AgoraSurrealmente estimulante. Atuações que tornam uma delícia acompanhar os "nervos" de cada personagem. Um melodrama neurótico na melhor das hipóteses que traz sequência de exageros preciosamente calculados.
Destaque para a cena do telefone lançado pelos vidros da janela!
Em muitas ocasiões já desejei o mesmo. Da próxima vez, quem sabe...