Diferente das adaptações de jogos que muito se levam a sério, Resident Evil se permite o contrário e talvez alivie demais o impacto dos seus grandes momentos em função de uma experiência palatável. O filme se recusa a te causar repúdio, mesmo quando parece tentar.
O protagonista tem em sua maior qualidade também o seu maior defeito. Por se aproximar tanto de como o telespectador se comportaria caso colocado na mesma situação, ele se torna um avatar incapaz de evocar grandes emoções, com o qual é um impossível se conectar pra além da mera auto inserção.
Entre a tela e o controle funciona, mas só entre a tela e o controle…
Tempo cômico excelente, atuações incríveis e direção mais que competente que oferecem uma experiência indispensável pra lavar a alma.
Assistido como se fosse um item secreto de um menu coberto de blockbusters dublados e cash grabbers de baixo orçamento, The Invite te invade e se torna íntimo sem que se perceba.
Com seu cenário único e personagens críveis, o filme é muito eficiente em te colocar nas situações que se desdobram ali sem recorrer a arquétipos entediantes, ou recursos narrativos superficiais.
Em vez disso, em meio às risadas (que são muitas) os temas desconfortáveis sobre amor, liberdade e desconexão se desdobram calma e sutilmente. Um iceberg irresistível que brilha em sua simplicidade.
Despretensioso e pungente. As duas horas mais rápidas da minha semana.
De previsível proeza técnica, Monster se desvencilha de uma aparente esterilidade emocional para evocar os sentimentos mais diversos.
Seja atento pela tensão, ou entregue ao núcleo emocional da trama, o espectador é forçado a sentir algo que não necessariamente tem a ver com o que se desenrola na tela, mas que o encara no fundo dos olhos…inquirindo.
Hiroshima Mon Amor se lastra em sua memória enquanto explora o esquecer.
O diálogo afetadamente poético escancara que as dores do passado são implacáveis e nossas cicatrizes, janelas através do tempo.
Como toda janela, elas podem nos dar vistas para fora, mas aos outros a vista para dentro, se levantarmos as cortinas.
Mas e quando alguém entra pela janela?
É com essa ideia que o filme lírica e simbolicamente passeia com duas pessoas que exploram um ao outro, se entendendo e aceitando de dentro pra fora. Uma enxurrada sentimental por vezes até exagerada.
“Você me dá um tremendo desejo de amar.”
O que se vê e ouve em Hiroshima faz pensar sobre o quanto incorporamos nossas alegrias e sofrimentos, o quanto de nós está significado no passado e o vão exercício de tentar esquecer o inesquecível.
Uma não-trama caleidoscópica que se retorce e debate em meio a possibilidades ou nefastas, ou absurdas, ou espirituais, ou alegóricas, ou improváveis, ou inexistentes…
Marienbad te joga num império de rigidez formal apenas para desmembrá-lo á sua frente. Tudo é feito para te aprisionar em um mundo dissoluto que oprime, desconcerta e desafia a intuição. O todo é uma experiência imprevisivelmente individual que te engana deliberadamente e derrete todo o espaço-tempo ao seu redor.
O simples pode ser infinitamente complexo, ou o incompreensível pode, de repente, gritar seu próprio nome sem avisar, mas Marienbad presenteia de fato o que se entrega desarmado à sua absoluta e impecável desorientação.
Resident Evil
3.6 239Diferente das adaptações de jogos que muito se levam a sério, Resident Evil se permite o contrário e talvez alivie demais o impacto dos seus grandes momentos em função de uma experiência palatável. O filme se recusa a te causar repúdio, mesmo quando parece tentar.
O protagonista tem em sua maior qualidade também o seu maior defeito. Por se aproximar tanto de como o telespectador se comportaria caso colocado na mesma situação, ele se torna um avatar incapaz de evocar grandes emoções, com o qual é um impossível se conectar pra além da mera auto inserção.
Entre a tela e o controle funciona, mas só entre a tela e o controle…
O Convite
3.9 349 Assista AgoraTempo cômico excelente, atuações incríveis e direção mais que competente que oferecem uma experiência indispensável pra lavar a alma.
Assistido como se fosse um item secreto de um menu coberto de blockbusters dublados e cash grabbers de baixo orçamento, The Invite te invade e se torna íntimo sem que se perceba.
Com seu cenário único e personagens críveis, o filme é muito eficiente em te colocar nas situações que se desdobram ali sem recorrer a arquétipos entediantes, ou recursos narrativos superficiais.
Em vez disso, em meio às risadas (que são muitas) os temas desconfortáveis sobre amor, liberdade e desconexão se desdobram calma e sutilmente. Um iceberg irresistível que brilha em sua simplicidade.
Despretensioso e pungente. As duas horas mais rápidas da minha semana.
Monstro
4.2 398 Assista AgoraQue monstro é esse que se parece tanto comigo…?
De previsível proeza técnica, Monster se desvencilha de uma aparente esterilidade emocional para evocar os sentimentos mais diversos.
Seja atento pela tensão, ou entregue ao núcleo emocional da trama, o espectador é forçado a sentir algo que não necessariamente tem a ver com o que se desenrola na tela, mas que o encara no fundo dos olhos…inquirindo.
Hiroshima, Meu Amor
4.2 333 Assista AgoraHiroshima Mon Amor se lastra em sua memória enquanto explora o esquecer.
O diálogo afetadamente poético escancara que as dores do passado são implacáveis e nossas cicatrizes, janelas através do tempo.
Como toda janela, elas podem nos dar vistas para fora, mas aos outros a vista para dentro, se levantarmos as cortinas.
Mas e quando alguém entra pela janela?
É com essa ideia que o filme lírica e simbolicamente passeia com duas pessoas que exploram um ao outro, se entendendo e aceitando de dentro pra fora. Uma enxurrada sentimental por vezes até exagerada.
“Você me dá um tremendo desejo de amar.”
O que se vê e ouve em Hiroshima faz pensar sobre o quanto incorporamos nossas alegrias e sofrimentos, o quanto de nós está significado no passado e o vão exercício de tentar esquecer o inesquecível.
O Ano Passado em Marienbad
4.1 159 Assista AgoraUma não-trama caleidoscópica que se retorce e debate em meio a possibilidades ou nefastas, ou absurdas, ou espirituais, ou alegóricas, ou improváveis, ou inexistentes…
Marienbad te joga num império de rigidez formal apenas para desmembrá-lo á sua frente. Tudo é feito para te aprisionar em um mundo dissoluto que oprime, desconcerta e desafia a intuição. O todo é uma experiência imprevisivelmente individual que te engana deliberadamente e derrete todo o espaço-tempo ao seu redor.
O simples pode ser infinitamente complexo, ou o incompreensível pode, de repente, gritar seu próprio nome sem avisar, mas Marienbad presenteia de fato o que se entrega desarmado à sua absoluta e impecável desorientação.
Golpe Perigoso
2.8 1 Assista AgoraIndefensavelmente superficial, Bad Lands tem em Sakura Ando sua única saving grace.
Muito se fala, não tanto se mostra, os personagens não são muito interessantes e tudo vai pra todo lugar e a lugar nenhum ao mesmo tempo.
Dei um sorrisinho com a referência à Love Exposure 👍