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Last Year at Marienbad - Estados Unidos da América
Sinopse
No luxuoso hotel, um estranho tenta convencer uma mulher casada a fugir com ele, alegando que ambos haviam tido um caso amoroso no ano anterior, em Marienbad. Mas a mulher não se lembra do relacionamento.
Uma não-trama caleidoscópica que se retorce e debate em meio a possibilidades ou nefastas, ou absurdas, ou espirituais, ou alegóricas, ou improváveis, ou inexistentes…
Marienbad te joga num império de rigidez formal apenas para desmembrá-lo á sua frente. Tudo é feito para te aprisionar em um mundo dissoluto que oprime, desconcerta e desafia a intuição. O todo é uma experiência imprevisivelmente individual que te engana deliberadamente e derrete todo o espaço-tempo ao seu redor.
O simples pode ser infinitamente complexo, ou o incompreensível pode, de repente, gritar seu próprio nome sem avisar, mas Marienbad presenteia de fato o que se entrega desarmado à sua absoluta e impecável desorientação.
- fiquei completamente encantando com a fotografia, a inventividade na movimentação das câmeras e na ideia em si, de como as lembranças não são confiáveis - mas o texto me cansou bastante, me tirava do filme a toda hora - fiquei mais curioso e ansioso em ver o cara que sempre ganhava no jogo de resta um
O Ano Passado em Marienbad é um filme difícil de ser assimilado. A trama em si não é tão complexa quanto parece, mas a estrutura narrativa com o seu modo extremamente enigmático, fragmentado e surrealista de contar uma história torna a compreensão por parte do telespectador uma tarefa extremamente desafiadora. Na minha interpretação o que acontece é o seguinte:
Naquele universo só existem a mulher casada e o seu amante. Todo o resto, como as locações e as pessoas ali presentes são meras recriações das mentes dos dois. É fácil comprovar isso pela forma como todos ao redor deles se comportam de maneira mecânica e sem vida e como o espaço e o tempo não significam nada e podem ser alternados facilmente de acordo com o desejo dos dois protagonistas. O marido traído, que se mostra intimidador, onipresente e sempre à espreita, também é uma recriação. Aliás, ele é mais do que isso: Ele é um temor, um trauma. Tanto a mulher quanto o amante foram assassinados pelo marido. O marido nunca perdeu um jogo. É algo sempre frisado no decorrer do filme. Ele não se permitiria perder a esposa para um outro homem. O que estamos vendo na verdade é uma espécie de limbo e as almas da mulher e de seu amante estão confusas, sem saberem que ambos estão mortos, tentam recriar os acontecimentos do passado para entenderem o que realmente ocorreu ao mesmo tempo que tentam resolver assuntos pendentes de quando eles estavam vivos.
Acredito que a cena chave para entender o propósito do filme seja aquela da estátua em que a mulher interpreta a obra de arte de um jeito e o amante interpreta de um outro jeito. É uma forma de dizer que o telespectador não deve assistir ao filme buscando respostas definitivas e sim tentar sempre olhar sob uma perspectiva diferente. Tecnicamente falando é muito bem feito. Excelente direção, fotografia deslumbrante, ótimas atuações, tem uma atmosfera de primeira que é charmosa e romântica, mas ao mesmo tempo macabra, misteriosa e sombria, etc. A trilha sonora é perfeitamente inquietante. Eu entendo que seja um filme que divida muito as opiniões. Eu sinceramente amei. 5 estrelas e favoritado.
Uma não-trama caleidoscópica que se retorce e debate em meio a possibilidades ou nefastas, ou absurdas, ou espirituais, ou alegóricas, ou improváveis, ou inexistentes…
Marienbad te joga num império de rigidez formal apenas para desmembrá-lo á sua frente. Tudo é feito para te aprisionar em um mundo dissoluto que oprime, desconcerta e desafia a intuição. O todo é uma experiência imprevisivelmente individual que te engana deliberadamente e derrete todo o espaço-tempo ao seu redor.
O simples pode ser infinitamente complexo, ou o incompreensível pode, de repente, gritar seu próprio nome sem avisar, mas Marienbad presenteia de fato o que se entrega desarmado à sua absoluta e impecável desorientação.
O cabra que faz uma porcaria dessa merece apanhar de cinto.
maçante
no início parece ser um cara chato que tenta convencer a mulher de que os dois tiveram um caso, um tanto meio grosso e que não sabe ouvir um "não".
lendo os comentários abaixo pude ter outra percepção sobre o filme, que ainda sim não me agradou :/
- fiquei completamente encantando com a fotografia, a inventividade na movimentação das câmeras e na ideia em si, de como as lembranças não são confiáveis
- mas o texto me cansou bastante, me tirava do filme a toda hora
- fiquei mais curioso e ansioso em ver o cara que sempre ganhava no jogo de resta um
O Ano Passado em Marienbad é um filme difícil de ser assimilado. A trama em si não é tão complexa quanto parece, mas a estrutura narrativa com o seu modo extremamente enigmático, fragmentado e surrealista de contar uma história torna a compreensão por parte do telespectador uma tarefa extremamente desafiadora. Na minha interpretação o que acontece é o seguinte:
Naquele universo só existem a mulher casada e o seu amante. Todo o resto, como as locações e as pessoas ali presentes são meras recriações das mentes dos dois. É fácil comprovar isso pela forma como todos ao redor deles se comportam de maneira mecânica e sem vida e como o espaço e o tempo não significam nada e podem ser alternados facilmente de acordo com o desejo dos dois protagonistas. O marido traído, que se mostra intimidador, onipresente e sempre à espreita, também é uma recriação. Aliás, ele é mais do que isso: Ele é um temor, um trauma. Tanto a mulher quanto o amante foram assassinados pelo marido. O marido nunca perdeu um jogo. É algo sempre frisado no decorrer do filme. Ele não se permitiria perder a esposa para um outro homem. O que estamos vendo na verdade é uma espécie de limbo e as almas da mulher e de seu amante estão confusas, sem saberem que ambos estão mortos, tentam recriar os acontecimentos do passado para entenderem o que realmente ocorreu ao mesmo tempo que tentam resolver assuntos pendentes de quando eles estavam vivos.