Um filme arrebatador! Tragédia, romance e catarse espiritual dignos das mais elogiáveis obras de arte. O drama ilustra perfeitamente bem a luta da personagem (Kitty) contra a realidade inexorável da "castração" que envolve a humanidade (Freud); o progressivo abandono de seu egoísmo infantil em direção à conquista da capacidade de empatia e alteridade (expressos pela possibilidade emocional concreta de se colocar afetivamente no lugar de outros), que culminaram finalmente na construção - como sempre, árdua - de um vínculo amoroso realmente significativo - pois produzido a partir do vazio, da dor e da alegria que acompanham inevitavelmente o crescimento e o desenvolvimento de toda e qualquer autonomia individual. Enquanto Fane, mantém-se um cavalheiro mesmo no auge do ressentimento e da amargura diante de seu orgulho ferido. Em nenhum momento (ao contrário do que ele tentou expressar), me parece que lhe faltou intensidade em relação aos seus afetos e a sua incomensurável paixão pela esposa. Uma das belas construções psicológicas e estéticas a respeito do difícil e desgastante processo de amadurecimento humano. Além de roteiro, direção, fotografia, música e figurino excepcionais!!! Sem dúvida, em minha opinião, um filme de "gente grande"...
Na minha avaliação, um dos melhores filmes do ano! Dois pontos a serem enfaticamente destacados: I. O filme retrata precisamente o sentimento de vazio interior, desespero e angústia característicos do sujeito moderno; reiterando assim a minha hipótese de que o mito cínico do "Nada transcendente" é uma invenção produzida especificamente pela modernidade, e de que todo o sofrimento neurótico típico de nossa época reflete nada menos (mas também nada mais) do que a falta de elementos simbólicos ou de outros mitos criativos para além do amor romântico, que sejam suficientes para aplacar o terror diante de uma das mais temíveis manifestações psicológicas descobertas - ou seriam geradas? - pelo mundo moderno: a sensação de tédio! até onde pesquisei, não encontrei quaisquer correlatos para o significado de termos como "tédio", "vazio existencial", "angústia diante do nada", e nem sequer de uma "filosofia do ateísmo" no mundo pré-moderno; o que indicaria que estamos diante de fenômenos não necessariamente ontológicos (universais) da condição humana, mas sim de manifestações singulares referentes a um determinado período histórico de nossa evolução - que compreende-se consensualmente como a "Era Moderna". II. Além disso, ele ilustra escandalosamente bem, noções e conceitos fundamentais da teoria Freudiana: em primeiro lugar a noção de trauma psíquico, seguida logo depois da construção aprisionante de uma armadura neurótica enquanto defesa; a consequente introversão da libido para o reino interior da fantasia e finalmente, o resultado mais doloroso em termos de adoecimento psíquico: a perda (parcial ou total) da capacidade de amar! A estética do período e a sensibilidade aguçada e introspectiva do herói (trágico) me remeteram muito ao drama espetacular de Werther! Ou seja, temos ao mesmo tempo um filme nobre e sensível, além de apaixonadamente intenso e profundo.
Como obstinadamente advogava o psicanalista Sándor Ferenczi ao final de sua obra: a criança fala a linguagem da ternura. São os adultos, ora neuróticos (recalcados) ora perversos, que frequentemente introduzem através de suas paixões o erotismo no universo infantil. Filmaço!!! Final um tanto surpreendente, uma vez que nas palavras do poeta, parece que realmente "existe algo de podre no reino da Dinamarca"... rs!
Deus da carnificina!! O nome não poderia ser mais convincente... Em minha impressão, o filme é uma crítica feroz e muito contundente da mais atual praga que contamina a sociedade moderna: o discurso politicamente correto. Em sua essência, tal discurso apenas traveste uma perversa forma de tirania sob a mascara de uma benevolente preocupação social com o bem estar do mundo; poucas coisas poderiam ser mais bregas do que a crença na salvação da humanidade através da transformação do mundo! E é com maestria e delicados lampejos de sensibilidade trágica, que a estória desvela a fina e frágil (eu diria ainda invisível) camada que separa civilização e barbárie... e o quanto a necessidade compulsiva de negar o impulso vital que reside e alimenta o universo interior do homem (para o bem ou para o mal), está no fundamento da "neurose coletiva obsessiva" que é a modernidade. Roteiro, direção e elenco fortíssimos!!!
Com uma atmosfera 100% shakespeariana, o filme resgata o caráter atemporal dos elementos trágicos e cômicos que insistem em se reproduzir (se repetir) no eterno drama da condição humana. Um verdadeiro banho de água fria nos relativistas da cultura, que acreditam plenamente na transformação sócio-histórica da humanidade. Às favas!!! Independente do período histórico, o ser humano está condenado a ser "demasiado humano"; esse destino é inviolável e nunca escapou à observação dos grandes psicólogos da humanidade. Especialmente para os amantes de Shakespeare, considero o filme imperdível!!!
De inocente, o filme só possui a aparência. Sustenta aquela ilusão tipicamente moderna (tão exaltada pelo cinema americano) de salvação da alma pelo amor romântico, porém, isso não o desqualifica como um todo, uma vez que até mesmo essa ilusão, em sua ingenuidade, retém uma dose considerável de verdade; não é difícil compreender que o amor deve iniciar-se sempre no plano visível para apenas posteriormente poder ser ampliado ao reino do invisível, tal como vislumbrou Platão em seu amor pelas Ideias ou o Cristianismo pelo amor ao Deus criador. Afinal, aquele que não é capaz nem sequer de amar o ser humano que ele vê, como será capaz de sublimar suas paixões em direção ao eterno que ele vislumbra, mas não vê? E além do mais, quem seria capaz de realmente amar um ser atormentado senão alguém no mínimo igualmente, ou ainda mais atormentado?
No dramático e trágico palco da existência humana, somos todos atores. No entanto, ao contrário do teatro artístico, não podemos contar com qualquer orientação de um diretor que, de fora, comande nossas ações. Assumimos nossas escolhas (e não escolhas) por própria conta e risco. Como diria Pascal: "Os homens são tão necessariamente loucos que não ser louco apenas poderia resultar em outro tipo de loucura". Reconhecendo com Pascal, portanto, justamente a Loucura como o componente elementar da condição humana, espero não cometer um sacrilégio, mas por uma questão de justiça (em minha humilde concepção), acredito que nem mesmo os Deuses, no além, deveriam julgar os homens... dada a precariedade de nossa situação; neste sentido, até mesmo um juízo final seria uma espécie de fraude, dada a falta de empatia e compaixão pelos sofrimentos, incertezas e infortúnios característicos de uma alma que se possa chamar de humana. Este filme, a meu ver, nada mais é do que uma bela amostra do embate entre a concepção temporal (materialista) e a eterna (espiritual) como tentativas sempre inacabadas e ao mesmo tempo renovadas de dar conta de um conflito intransponível com relação aos problemas de vida e morte. Vale muito a pena conferir!
O filme narra de maneira brilhante a trajetória do desenvolvimento psíquico que vai do narcisismo absoluto até o reconhecimento de uma realidade violenta e esmagadora que arrefece a presunção humana. Me parece que resgata de um modo bem convincente a função catártica das tragédias gregas.
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O Despertar de uma Paixão
3.9 552 Assista AgoraUm filme arrebatador! Tragédia, romance e catarse espiritual dignos das mais elogiáveis obras de arte.
O drama ilustra perfeitamente bem a luta da personagem (Kitty) contra a realidade inexorável da "castração" que envolve a humanidade (Freud); o progressivo abandono de seu egoísmo infantil em direção à conquista da capacidade de empatia e alteridade (expressos pela possibilidade emocional concreta de se colocar afetivamente no lugar de outros), que culminaram finalmente na construção - como sempre, árdua - de um vínculo amoroso realmente significativo - pois produzido a partir do vazio, da dor e da alegria que acompanham inevitavelmente o crescimento e o desenvolvimento de toda e qualquer autonomia individual.
Enquanto Fane, mantém-se um cavalheiro mesmo no auge do ressentimento e da amargura diante de seu orgulho ferido. Em nenhum momento (ao contrário do que ele tentou expressar), me parece que lhe faltou intensidade em relação aos seus afetos e a sua incomensurável paixão pela esposa.
Uma das belas construções psicológicas e estéticas a respeito do difícil e desgastante processo de amadurecimento humano. Além de roteiro, direção, fotografia, música e figurino excepcionais!!!
Sem dúvida, em minha opinião, um filme de "gente grande"...
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Adivinhe Quem Vem Para Jantar
4.1 231 Assista AgoraQue filme lindo!!! 10 estrelas do início ao fim...
Confissões de um Jovem Apaixonado
2.8 91Na minha avaliação, um dos melhores filmes do ano! Dois pontos a serem enfaticamente destacados:
I. O filme retrata precisamente o sentimento de vazio interior, desespero e angústia característicos do sujeito moderno; reiterando assim a minha hipótese de que o mito cínico do "Nada transcendente" é uma invenção produzida especificamente pela modernidade, e de que todo o sofrimento neurótico típico de nossa época reflete nada menos (mas também nada mais) do que a falta de elementos simbólicos ou de outros mitos criativos para além do amor romântico, que sejam suficientes para aplacar o terror diante de uma das mais temíveis manifestações psicológicas descobertas - ou seriam geradas? - pelo mundo moderno: a sensação de tédio! até onde pesquisei, não encontrei quaisquer correlatos para o significado de termos como "tédio", "vazio existencial", "angústia diante do nada", e nem sequer de uma "filosofia do ateísmo" no mundo pré-moderno; o que indicaria que estamos diante de fenômenos não necessariamente ontológicos (universais) da condição humana, mas sim de manifestações singulares referentes a um determinado período histórico de nossa evolução - que compreende-se consensualmente como a "Era Moderna".
II. Além disso, ele ilustra escandalosamente bem, noções e conceitos fundamentais da teoria Freudiana: em primeiro lugar a noção de trauma psíquico, seguida logo depois da construção aprisionante de uma armadura neurótica enquanto defesa; a consequente introversão da libido para o reino interior da fantasia e finalmente, o resultado mais doloroso em termos de adoecimento psíquico: a perda (parcial ou total) da capacidade de amar!
A estética do período e a sensibilidade aguçada e introspectiva do herói (trágico) me remeteram muito ao drama espetacular de Werther! Ou seja, temos ao mesmo tempo um filme nobre e sensível, além de apaixonadamente intenso e profundo.
Simplesmente Alice
3.5 96 Assista AgoraMia Farrow está (como sempre) espetacular!!!
(500) Dias com Ela
4.0 5,7K Assista Agora"This isn't an another story of love".
A Caça
4.2 2,1K Assista AgoraComo obstinadamente advogava o psicanalista Sándor Ferenczi ao final de sua obra: a criança fala a linguagem da ternura. São os adultos, ora neuróticos (recalcados) ora perversos, que frequentemente introduzem através de suas paixões o erotismo no universo infantil. Filmaço!!! Final um tanto surpreendente, uma vez que nas palavras do poeta, parece que realmente "existe algo de podre no reino da Dinamarca"... rs!
Dentro da Casa
4.1 551Melhor ilustração de um "romance familiar" - confirmando uma das mais bonitas teses freudianas - que eu já assisti no cinema!!
Deus da Carnificina
3.8 1,4KDeus da carnificina!! O nome não poderia ser mais convincente...
Em minha impressão, o filme é uma crítica feroz e muito contundente da mais atual praga que contamina a sociedade moderna: o discurso politicamente correto. Em sua essência, tal discurso apenas traveste uma perversa forma de tirania sob a mascara de uma benevolente preocupação social com o bem estar do mundo; poucas coisas poderiam ser mais bregas do que a crença na salvação da humanidade através da transformação do mundo! E é com maestria e delicados lampejos de sensibilidade trágica, que a estória desvela a fina e frágil (eu diria ainda invisível) camada que separa civilização e barbárie... e o quanto a necessidade compulsiva de negar o impulso vital que reside e alimenta o universo interior do homem (para o bem ou para o mal), está no fundamento da "neurose coletiva obsessiva" que é a modernidade.
Roteiro, direção e elenco fortíssimos!!!
César Deve Morrer
4.0 85Com uma atmosfera 100% shakespeariana, o filme resgata o caráter atemporal dos elementos trágicos e cômicos que insistem em se reproduzir (se repetir) no eterno drama da condição humana. Um verdadeiro banho de água fria nos relativistas da cultura, que acreditam plenamente na transformação sócio-histórica da humanidade. Às favas!!! Independente do período histórico, o ser humano está condenado a ser "demasiado humano"; esse destino é inviolável e nunca escapou à observação dos grandes psicólogos da humanidade. Especialmente para os amantes de Shakespeare, considero o filme imperdível!!!
O Segredo dos Seus Olhos
4.3 2,2KJá dizia o poeta: os olhos são a janela da alma.
O Lado Bom da Vida
3.7 4,7K Assista AgoraDe inocente, o filme só possui a aparência.
Sustenta aquela ilusão tipicamente moderna (tão exaltada pelo cinema americano) de salvação da alma pelo amor romântico, porém, isso não o desqualifica como um todo, uma vez que até mesmo essa ilusão, em sua ingenuidade, retém uma dose considerável de verdade; não é difícil compreender que o amor deve iniciar-se sempre no plano visível para apenas posteriormente poder ser ampliado ao reino do invisível, tal como vislumbrou Platão em seu amor pelas Ideias ou o Cristianismo pelo amor ao Deus criador.
Afinal, aquele que não é capaz nem sequer de amar o ser humano que ele vê, como será capaz de sublimar suas paixões em direção ao eterno que ele vislumbra, mas não vê?
E além do mais, quem seria capaz de realmente amar um ser atormentado senão alguém no mínimo igualmente, ou ainda mais atormentado?
Além das Montanhas
3.9 118No dramático e trágico palco da existência humana, somos todos atores. No entanto, ao contrário do teatro artístico, não podemos contar com qualquer orientação de um diretor que, de fora, comande nossas ações. Assumimos nossas escolhas (e não escolhas) por própria conta e risco.
Como diria Pascal: "Os homens são tão necessariamente loucos que não ser louco apenas poderia resultar em outro tipo de loucura". Reconhecendo com Pascal, portanto, justamente a Loucura como o componente elementar da condição humana, espero não cometer um sacrilégio, mas por uma questão de justiça (em minha humilde concepção), acredito que nem mesmo os Deuses, no além, deveriam julgar os homens... dada a precariedade de nossa situação; neste sentido, até mesmo um juízo final seria uma espécie de fraude, dada a falta de empatia e compaixão pelos sofrimentos, incertezas e infortúnios característicos de uma alma que se possa chamar de humana.
Este filme, a meu ver, nada mais é do que uma bela amostra do embate entre a concepção temporal (materialista) e a eterna (espiritual) como tentativas sempre inacabadas e ao mesmo tempo renovadas de dar conta de um conflito intransponível com relação aos problemas de vida e morte.
Vale muito a pena conferir!
Cosmópolis
2.7 1,0K Assista AgoraO filme narra de maneira brilhante a trajetória do desenvolvimento psíquico que vai do narcisismo absoluto até o reconhecimento de uma realidade violenta e esmagadora que arrefece a presunção humana. Me parece que resgata de um modo bem convincente a função catártica das tragédias gregas.