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"crianças, ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bastante simples: a magia existe." - stephen king

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Últimas opiniões enviadas

  • Gustavo Carvalho

    Depois de assistir essa obra maravilhosa do Darren Aronofsky, fica difícil organizar as palavras e os pensamentos para escrever. Faço dessa crítica uma forma de agradecimento.

    Dareen reconta uma antiga história, nos mergulhando em uma atmosfera sombria e proposital, com sua narrativa provocativa, explícita e cheia de metáforas. Mãe se demonstra de difícil de digestão, comprovando que Dareen vai muito além da superfície de sua história, o que deixa claro sua criatividade e talento.

    Tudo gira em torno da personagem de Jennifer Lawrence e a escolha se mostra um acerto. Logo, a obsessão sobre a personagem é vista, tendo poucos momentos em que não é o foco da câmeras. Sabendo disso, a atriz sabe se comportar desde os momentos de pureza/desconforto, até os de explosão e terror. Que Jennifer Lawrence continue crescendo como atriz, porque potencial e talento ela tem.

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    Mãe apenas exemplifica o quanto não somos auto importantes, entramos em uma casa acreditando sermos donos, mas no fim somos apenas visitantes sem bons modos. A crítica ambiental é uma belíssima surpresa, a deterioração e crueldade que é muitas vezes ignorada, mesmo que a natureza seja nosso ponto de nascimento, descobrimento, crescimento e evolução humana. É nela que aprendemos sobre a beleza única da vida, assim como através de atitudes e histórias nos permitimos acreditar que somos donos e podemos abusar ao máximo dela.

    Ela nos acolhe, com desconforto e medo, porque nós como criação não sabemos o limite ao receber uma boa recepção. Assim como a natureza aguenta tortura, ela sabe revidar em um mundo que é feito apartir dela. Nunca estaremos preparados para aguentar sua fúria e rezamos que em meio ao caos, ela não morra e reinicie o processo de restauração da vida.

    Em que momento da mente humana, nos perdemos, a ponto de acreditarmos que temos um direito absurdo sobre tudo que habita aqui? Nós classificamos como humanos pensantes e inteligentes, enquanto são os animais que sabem o seu lugar, até onde usufruir e como dar devido valor para onde vivem.

    A metáfora da mãe natureza também se encaixa sobre a mulher e o quanto de dor e repressão ela pode sofrer. A crítica sobre machismo é singela, mas representa o quanto as ideias fanáticas e conservadoras causam impacto. São pequenas críticas sobre atitudes humanas, mas necessárias.

    Javier Bardem(o poeta) tem uma atuação que em poucos momentos exige uma carga dramática maior, mesmo assim consegue deixar imposta toda a essência fria, egocêntrica e misteriosa do personagem.

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    Seria Deus um ser egocêntrico e cego diante do amor/obsessão da sua criação? É mais do que evidente a vontade do personagem em ser importante e em demonstrar que o mundo gira em torno dele. É tudo sobre ele.

    Alguns pontos:
    I. Mãe em certo momento diz que Deus não a ama, mas sim o amor que ela tem por ele. Ela doa tudo que tem de si mesma e não é o suficiente, o que serve como metáfora para a relação entre humanidade e natureza.

    II. Deus em seu final, deixa claro a forma abusiva que trata a mãe natureza, deixando ela presa na ideia que foi feita para ser compartilhada, abusada, explorada e machucada. A mãe natureza não tem vontade própria, pode aguentar uma surra e até mesmo revidar, mas no fim é apenas um presente dado para nossa humanidade. É por isso que muitos rezam para Deus e viram a cara para a mãe natureza.

    Essa ideia que somos auto importantes seria reflexo de algo antigo? Seria Deus uma imagem da humanidade?

    A falta de força e carga dramática no personagem, acontece também com Ed Harris(o médico) e outros personagens. Não é um ponto negativo.

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    Adão é o personagem imposto como fã de Deus e seu respeito/submissão sobre ele é bem evidente. Diferente de Eva que é indisciplinada e curiosa, Adão respeita sua casa de certa forma.

    Porem temos mais elogios ao elenco feminino, contando com Michelle Pfeiffer que está incrível em sua personagem provocadora, misteriosa, curiosa e desconfortante, fazendo com que sua presença na casa seja ainda mais incomoda.

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    A representação de Eva é condizente com sua descrição através da Bíblia, mesmo que a moldagem da história do filme pareça um pouco diferente. A submissão de Eva é muitas vezes vista na personagem, dando dicas de como agir e se vestir para o homem, e exercendo a ideia que é preciso ter um filho para segurar um homem(ou Deus) e um relacionamento. A curiosidade de Eva sempre foi ponto vital da personagem e isso é bem colocado na historia, principalmente no momento que ela e Adão entram onde não deveriam e quebram o item fundamental da casa.

    A crítica é sobre a forma como lidamos com figuras e ídolos sagrados, o fanatismo e a obsessão pela cultura religiosa, onde seus impactados são deixados de lado. Não esquecendo a belíssima e forte crítica ambiental. Mother nos entrega um produto em processo de deterioração, aberto para discussões interessantes, perguntas e visões completamente diferentes/únicas.

    Desculpa mãe, por estar presa em sua própria casa, com visitantes sem bons modos.

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  • Gustavo Carvalho

    Jogo Perigoso apenas reflete uma realidade assustadora, trazendo uma reflexão sobre dor, medo e força que acontece no corpo, coração, mente e alma daqueles que são atingidos pela crueldade, repressão e moldagem de outros.

    [Pode conter spoilers aleatórios, cuidado]
    O caminho da história é tão cruel com Jessie, quanto é com seu público, punindo ambos com o tormento real e as inúmeras alucinações e flashbacks, que se dividem entre aterrorizantes, tristes e comoventes. A direção merece grande elogio por conseguir nos manter interessado, mesmo com uma atmosfera tão sufocante, talvez seja porque chegamos ao ponto de nós importar e torcer pela protagonista que precisamos ver o caminho que ela vai percorrer.

    No momento que entramos com a protagonista naquele quarto, não saímos de lá, estamos presos e presenciamos sua dor, as unicas válvulas de escape sao as que nos levam a conhecer seu passado, ainda mais torturante que o presente.

    É nesse mergulho profundo ao passado que a história de Stephen King e a direção nos levam a experimentar diferentes tipos de sensações, nos mostrando uma perspectiva da quantidade de abusos que uma mulher pode sofrer e tolerar durante sua vida.

    Mesmo que a história seja contada através de uma perspectiva masculina de Stephen King e Flanagan, a narrativa é uma auto-reflexao para abrirmos nossos olhos e não ignorarmos que essa ficção é sobre uma realidade de muitas mulheres/pessoas.

    Claro, que todo o excelente trabalho não seria possível sem Carla Gugino que merece elogios do começo ao fim, entregando uma atuação digna e incrível. Além de carregar o filme inteiro sozinha nas costas, com sua direção e história impecável feita por King, consegue entregar uma personagem unica, que equilibra coragem e vulnerabilidade.

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    A cena que a Jessie tem que se cortar com o copo é muito pesada, me fez tampar os olhos, mas seus gritos e sua dor eu escutei. Foi difícil.

    A palheta de cores, fotografia, edição e elementos que a direção usou para introduzir na história deixam a estética com uma beleza única. É um presente ver nossa arte do cinema ser tão bem representada, nas mãos de quem sabe o que está fazendo.

    Mesmo com uma história tão pesada e profunda, o que eu vi do começo ao fim foi uma incrível adaptação, que além de me causar emoção e desconforto, deixa claro que eu nao vou conseguir esquecer tão cedo o que presenciei naquele quarto.

    Essa história não é simplesmente sobre uma mulher lutando para sobreviver. É sobre uma mulher que em meio de uma luta contra medos, se dá conta que já estava algemada há muito tempo pelo machismo que percorre seu caminho da infância até a vida adulta.

    Em um momento algum da vida temos direito sobre o corpo, mente ou alma alheia, independente dos tipos de relações sociais, familiares ou amorosas que exercemos. Então é muito triste que continuamos presenciando esses atos criminosos, torturantes e nojentos em nossa sociedade, sabendo que a vítima leva esses momentos de violação de seu corpo, mente e coração até o fim de sua vida.

    Nascemos com nossos corpos livres de algemas, por favor, respeite isso.

    Com profunda tristeza deixo claro que Jogo Perigoso é muito mais sobre realidade, do que ficção. Não feche os olhos.

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  • Gustavo Carvalho

    Poeticamente estranho e belo, Os Sonhadores quebra a barreira entre sonho e realidade, e nos afunda em uma belíssima homenagem ao cinema. Assisti-lo é aprender mais sobre arte, vida e ate sobre nos mesmos.

    1968. 2017.
    "Onde uma revolução começa? Todo tipo de revolução popular é válida? Até que ponto uma ideologia de outra pessoa é aplicada a nós? Botamos palavras de outros em nossas bocas? Rebelar faz parte do humano? É questão de moda de uma geração?"

    A conversa sobre revolução é bastante suave e quase imperceptível, levantando diferentes de perguntas, sobre um assunto que ainda é atual. As respostas de algumas perguntas -talvez- sejam respondidas, quando a rua invadir o quarto.

    Nas primeiras filas do cinema é onde encontramos nossos três personagens centrais e ate difícil imaginar o quanto vamos torcer por eles ao longo da sua historia. Longe de todo preconceito ou repulsa que eu poderia ter, os acolhi e aceitei a beleza nessa estranheza toda. Caminhando na direção oposta, não senti nojo ou qualquer outro sentimento semelhante sobre a relação incestuosa dos irmãos. O incesto é muito mais poético do que carnal. Existe uma conexão, que torna os dois em um só, como se fosse um medo de se tornarem pessoas distintas, amadurecer ou encarar a realidade do mundo.

    Em uma bela casa o diretor faz uma viagem pelos corredores, cozinha e quarto, nos apresentando um ambiente que evoluirá a relação desse triangulo amoroso e as consequências da intimidade, é nessa abertura, que o lado mais enigmático de cada um é revelado. Nessa atmosfera de Theo e Isabelle, Matthew é recebido, a sexualidade é exposta e com naturalidade. No entanto, em segundo plano existe o prazer da auto descoberta pessoal de Matthew e o descobrimento sobre novas coisas, que por um instante, deixa suas questões antigas e conservadoras para trás.

    Observações com spoilers e para diminuir o tamanho do texto:

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    Personagens:
    Entre os personagens centrais, Isabelle é a mais interessante e complexa, nos gerando duvidas sobre sua consciência frágil, enquanto conhecemos seu lado de devaneio. Quando Matthew enxerga os dois como pessoas distintas, vemos o medo da personagem aflorar e o conflito gerado entre o trio amoroso é perceptível.

    Sem contar que a personagem nos presenteia com grandes cenas, exemplos:
    - A cena lindíssima do fim de sua virgindade, logo depois a cena do beijo com sangue. Nojento? Talvez. Mesmo assim, continua sendo uma das cenas mais lindas e corajosas do cinema.
    - Ela montada de Venus de Milo é uma cena sem explicação, extremamente incrível.
    - Ela executando o suicídio, logo depois de encontrar o cheque de seus pais. Ainda bem, que a rua invadiu o quarto.

    Theo é um traço muito bem colocado para representar a politica, discutindo com o Matthew e ate com seu pai. Observação: as colocações e pensamentos do pai de Theo são incríveis, possuindo frases marcantes, mesmo em curto período de espaço.

    Matthew ao meu haver é um ponto de metáfora para a realidade. Mesmo que mergulhados na mente do outro, os três se tornam dois. Theo e Isabelle são apenas um e não há nada que os faça separar, fazendo de Matthew um elemento secundário desde o começo, sem nenhuma interferência significativa neles.

    A fotografia e as colocações de cenas cinematográficas em sua estrutura deixam o filme ainda mais nostálgico e belíssimo. De fato, a historia conversa sobre muitas coisas, cenas, frases, olhares e etc que nos dão esse espaço para termos duvidas, em um final quase aberto é função do espectador fecha-lo como quiser.

    Existe essa competência extrema do diretor e roteirista de nos apresentar metáforas profundas e complexas, que com grande mérito, consegue tornar essa homenagem ao cinema ainda mais bonita. Sem contar as brilhantes atuações do trio, com grande enfase em Eva Green que desde que apareceu, despensa elogios. Talvez não seja uma obra de grande aprovação popular(não sei), mas é inegável que em contexto geral todo o seu conteúdo é uma bela peça para estudar e dissecar. Não posso compreende-lo e limita-lo apenas como amostras sexuais poéticas, é muito alem disso.

    Acredito que "Os Sonhadores" não quer provar nada, apenas nos dar liberdade para desenvolver nossas próprias interpretações sobre os personagens, amor, poder, politica e cultura. No fim, ao meu haver, a obra é sobre consequências quando escolhemos entre sonhar ou viver a realidade.

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