Para quem acha que gosta de histórias e utiliza o cinema para absorver narrativas, esse filme não é recomendável. Por outro lado, quem gosta de linguagem cinematográfica, semiótica, produção de sentido, psicologia e filosofia é uma ótima oportunidade de se deixar intrigar. O que acabo de escrever serve para qualquer filme do Malick, creio eu. Sobre o filme propriamente dito; como sempre a parte técnica é fascinante ( todo filme é uma junção de partes técnicas, tudo que compoem um filme é técnico, porém estou me referindo a fotografia, trilha sonora, figurinos...), o "estilo malick"* está presente e o elenco foi muito bem escolhido. A frieza e inexpressão do Gosling (um Ben Affleck loiro) serve muito bem ao filme, assim como as personas de Rooney Mara e Fassbender. Não existem personagens nesse filme, existem mais signos de algo, sensações em carne e osso que são materializadas por astros de cinema ( e de rock). Esse recurso, usar o que esses astros representam para todos nós, está presente nos três últimos filmes do diretor e se integram com os outros elementos do filme para produzir uma mensagem. (Isso vai contra o que se espera de um filme quando a maioria das pessoas entra na sala de cinema, o "espectador médio" quer se emocionar por meio das histórias que um filme traz e não por meio do filme. Daí surgem muitas das críticas, no sentido de ataque e não de análise, que o filme sofre). Com tudo isso se faz um filme muito interessante. Mas nem tudo que é interessante é muito bom. Falta drama. O arco dramático do Ryan Gosling é pueril e para quem teve o prazer de ver "Cavaleiro de Copas" (meu favorito do Malick) parece repetitivo. O esbaldar-se no fullgas de uma doce vida, um mundo de sucesso, glamour, fama, dinheiro e etc, e posteriomente renunciar ao "vazio" que isso proporciona é explorado com muito mais beleza e lirismo no filme anterior do Malick do que nesse "De Canção em Canção". O diretor não vai além nesse último filme, no que diz respeito a tema, e para alguém do seu calibre isso é decepcionante. Porém, só o fato desse filme existir já é muito positivo pois proporciona uma nova chance para quem gosta de uma experiência verdadeiramente cinematográfica . * Quando me refiro ao "estilo malick" me refiro, imprecisamente, ao uso da câmera e aos cortes que fragmentam a ação . Na verdade, o estilo de alguém é tudo que distingue esse alguém pela sua forma de se expressar. A câmera inquieta e o tipo de corte utilizado nos últimos três filmes do Malick talvez estejam mais ligados ao contexto comtemporaneo em que os filmes transcorrem, o "mundo linquido", do que a uma escolha estilistica do diretor. PS: Eu gosto de parenteses.
Ele fez novamente.Todos os elementos que se espera de um filme do Malick, desde Cinzas do Paraíso, estão ali:a questão existencial,o homem no mundo, bela fotografía, ótima trilha sonora( a escolha de Exodus do Kilar foi realmente muito feliz), temas espirituais, o seu peculiar modo de utilizar a câmera, passagens autobiográficas , etc. E por ser tão ele mesmo novamente, tem sido alvo de críticas e veneração. Das varias qualidades do diretor de Cavaleiros de Copas, ter bons críticos não está entre elas.Um fato interessante sobre muitas críticas negativas sobre o Malick, é que essas falam mais sobre quem as escreve do que sobre os últimos trabalhos dele.Utilizando expressões como :"desperdício de atores","comercial de perfume","chato","sem conteúdo","auto parodia" ,só revelam clichés, indigência intelectual, pobreza de repertório, esterilidade cultural e preguiça.Dizem que opinião não se discute, mas e a qualidade da opinião? Uma das críticas feitas a esse último filme é a que tenta desqualificar o rotulando como uma versão pobre e atrasada sobre um tema explorado em A Doce Vida.Essa crítica chama a atenção, não tanto porque faça sentido, porque desmerecer um filme dizendo que o Fellini fez um melhor há 50 anos atrás é um absurdo, ou pelo seu evidente pedantismo, mas sim por permitir um ponto de partida para explorar o filme do Malick. Claro que os dois filmes falam sobre o mesmo tema, o deslumbramento diante da luxúria como alternativa mais interessante e prazerosa para preencher a vida.Porem, como fazem é totalmente diferente.No filme estrelado por Mastroiani o prazer ligado a festas,abundância financeira e glamour é um modo estereotipada que as elites possuem de encarar o mundo e explorar esse tema é uma crítica à burguesía. No final, Marcello descobre o vazio disso e só tem diante de si o absurdo.A história de Rick é um homem caminhando pelo deserto e lembrando que até aquele momento não tinha vivido de modo livre e autônomo e a partir daquele momento lembrará de tudo para começar de novo . Há uma positividade, a negação do passado é o ponto de partida para uma vivência mais sobria e autêntica.A constante aparição da água é uma dica que tudo ali é uma ritual de purificação. As referências ao conto sobre o príncipe que se perde da missão dada por seu pai, e menção ao texto The Pilgrim's Progress são a base espiritual que se busca para renegar a fantasia pervesa que é a vida do protagonista . Não é mostrado como Rick atuará no mundo dali para frente mas a passagem e a conversa com o velho monge dão a entender como ele vai encarar a sua vida a partir dali. Enquanto A Doce Vida tem um caráter político e existencial e nada otimista, Cavaleiro de Copas usa a espiritualidade e a volta as coisas mesmas como forma de viver a vida plenamente . Há uma saída . Há um outro modo de encarar as coisas , modo natural e autêntico. Se pode fazer pontes com Platão, Heidegger ,Budismo ,Cristianismo, etc . É uma obra muito rica que pode ser uma constante fonte de reflexão para aqueles que à assistem seja do ponto de vista temático ou formal.Dizer que o filme é pobre ou mal feito, não é tanto uma injustiça com Cavaleiro de Copas, mas uma injustiça que se comete contra si próprio por renunciar a uma experiência extremamente densa e possível fonte de muitas reflexões (!).
De Canção Em Canção
2.9 375 Assista AgoraPara quem acha que gosta de histórias e utiliza o cinema para absorver narrativas, esse filme não é recomendável. Por outro lado, quem gosta de linguagem cinematográfica, semiótica, produção de sentido, psicologia e filosofia é uma ótima oportunidade de se deixar intrigar. O que acabo de escrever serve para qualquer filme do Malick, creio eu.
Sobre o filme propriamente dito; como sempre a parte técnica é fascinante ( todo filme é uma junção de partes técnicas, tudo que compoem um filme é técnico, porém estou me referindo a fotografia, trilha sonora, figurinos...), o "estilo malick"* está presente e o elenco foi muito bem escolhido. A frieza e inexpressão do Gosling (um Ben Affleck loiro) serve muito bem ao filme, assim como as personas de Rooney Mara e Fassbender. Não existem personagens nesse filme, existem mais signos de algo, sensações em carne e osso que são materializadas por astros de cinema ( e de rock). Esse recurso, usar o que esses astros representam para todos nós, está presente nos três últimos filmes do diretor e se integram com os outros elementos do filme para produzir uma mensagem. (Isso vai contra o que se espera de um filme quando a maioria das pessoas entra na sala de cinema, o "espectador médio" quer se emocionar por meio das histórias que um filme traz e não por meio do filme. Daí surgem muitas das críticas, no sentido de ataque e não de análise, que o filme sofre). Com tudo isso se faz um filme muito interessante. Mas nem tudo que é interessante é muito bom. Falta drama. O arco dramático do Ryan Gosling é pueril e para quem teve o prazer de ver "Cavaleiro de Copas" (meu favorito do Malick) parece repetitivo. O esbaldar-se no fullgas de uma doce vida, um mundo de sucesso, glamour, fama, dinheiro e etc, e posteriomente renunciar ao "vazio" que isso proporciona é explorado com muito mais beleza e lirismo no filme anterior do Malick do que nesse "De Canção em Canção". O diretor não vai além nesse último filme, no que diz respeito a tema, e para alguém do seu calibre isso é decepcionante. Porém, só o fato desse filme existir já é muito positivo pois proporciona uma nova chance para quem gosta de uma experiência verdadeiramente cinematográfica .
* Quando me refiro ao "estilo malick" me refiro, imprecisamente, ao uso da câmera e aos cortes que fragmentam a ação . Na verdade, o estilo de alguém é tudo que distingue esse alguém pela sua forma de se expressar. A câmera inquieta e o tipo de corte utilizado nos últimos três filmes do Malick talvez estejam mais ligados ao contexto comtemporaneo em que os filmes transcorrem, o "mundo linquido", do que a uma escolha estilistica do diretor.
PS: Eu gosto de parenteses.
De Canção Em Canção
2.9 375 Assista AgoraLíquido.
Alien: Covenant
3.0 1,3K Assista AgoraBelo por fora, feio por dentro.
John Wick: Um Novo Dia Para Matar
3.9 1,1K Assista AgoraUma história de vídeo game na qual não participamos.
Cavaleiro de Copas
3.2 416 Assista AgoraEle fez novamente.Todos os elementos que se espera de um filme do Malick, desde Cinzas do Paraíso, estão ali:a questão existencial,o homem no mundo, bela fotografía, ótima trilha sonora( a escolha de Exodus do Kilar foi realmente muito feliz), temas espirituais, o seu peculiar modo de utilizar a câmera, passagens autobiográficas , etc. E por ser tão ele mesmo novamente, tem sido alvo de críticas e veneração.
Das varias qualidades do diretor de Cavaleiros de Copas, ter bons críticos não está entre elas.Um fato interessante sobre muitas críticas negativas sobre o Malick, é que essas falam mais sobre quem as escreve do que sobre os últimos trabalhos dele.Utilizando expressões como :"desperdício de atores","comercial de perfume","chato","sem conteúdo","auto parodia" ,só revelam clichés, indigência intelectual, pobreza de repertório, esterilidade cultural e preguiça.Dizem que opinião não se discute, mas e a qualidade da opinião?
Uma das críticas feitas a esse último filme é a que tenta desqualificar o rotulando como uma versão pobre e atrasada sobre um tema explorado em A Doce Vida.Essa crítica chama a atenção, não tanto porque faça sentido, porque desmerecer um filme dizendo que o Fellini fez um melhor há 50 anos atrás é um absurdo, ou pelo seu evidente pedantismo, mas sim por permitir um ponto de partida para explorar o filme do Malick.
Claro que os dois filmes falam sobre o mesmo tema, o deslumbramento diante da luxúria como alternativa mais interessante e prazerosa para preencher a vida.Porem, como fazem é totalmente diferente.No filme estrelado por Mastroiani o prazer ligado a festas,abundância financeira e glamour é um modo estereotipada que as elites possuem de encarar o mundo e explorar esse tema é uma crítica à burguesía. No final, Marcello descobre o vazio disso e só tem diante de si o absurdo.A história de Rick é um homem caminhando pelo deserto e lembrando que até aquele momento não tinha vivido de modo livre e autônomo e a partir daquele momento lembrará de tudo para começar de novo . Há uma positividade, a negação do passado é o ponto de partida para uma vivência mais sobria e autêntica.A constante aparição da água é uma dica que tudo ali é uma ritual de purificação. As referências ao conto sobre o príncipe que se perde da missão dada por seu pai, e menção ao texto The Pilgrim's Progress são a base espiritual que se busca para renegar a fantasia pervesa que é a vida do protagonista . Não é mostrado como Rick atuará no mundo dali para frente mas a passagem e a conversa com o velho monge dão a entender como ele vai encarar a sua vida a partir dali. Enquanto A Doce Vida tem um caráter político e existencial e nada otimista, Cavaleiro de Copas usa a espiritualidade e a volta as coisas mesmas como forma de viver a vida plenamente . Há uma saída . Há um outro modo de encarar as coisas , modo natural e autêntico.
Se pode fazer pontes com Platão, Heidegger ,Budismo ,Cristianismo, etc . É uma obra muito rica que pode ser uma constante fonte de reflexão para aqueles que à assistem seja do ponto de vista temático ou formal.Dizer que o filme é pobre ou mal feito, não é tanto uma injustiça com Cavaleiro de Copas, mas uma injustiça que se comete contra si próprio por renunciar a uma experiência extremamente densa e possível fonte de muitas reflexões (!).
Cavaleiro de Copas
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