Excelente filme, com certeza o melhor da Ellen Page, mas não é para todo mundo. É um filme infinitamente crítico, mas só é bem entendido se você já faz ideia do quão machista a sociedade é. Se você não sabe quem é Hayley, de onde ela vem, porque quer vingar Donna, recomendo uma boa dose de feminismo pra entender.
Uma das coisas que gosto muito no Shinkai é o fato de ele mostrar romances de verdade, no qual as pessoas não param suas vidas em função do outro, mas sim, caminham suas próprias trilhas, aproximando-se na medida do possível e somente. Há respeito. Há amor.
O "amor" de Jon e Barbara é extremamente superficial - eles próprios são extremamente superficiais, objetificando tudo, inclusive o amor objetificado que Barbara vê nos filmes românticos dela -, tratando-se apenas de um tratando o outro como um objeto, moldando-o do jeito que eles gostariam que fosse. Eles não se gostam de verdade, eles gostam da imagem que fazem um do outro, o que fica claro em cenas como Barbara proibindo o Jon de limpar a própria casa, coisa que ele aprecia e não tem nada de errado, diferentemente do porn, ou a cena dela questionando-o por ele rezar enquanto faz exercícios. Claramente, quanto mais juntos eles estão, menos o Jon é o Jon, e nem ele tem consciência disso; ele tenta explicar a situação mentindo para os amigos e pra si mesmo, tentando fugir da realidade nada agradável. A presença da Esther na história é crucial pra mostrar o outro lado da história, o lado não objetificador, o lado que não é uma mentira. Ela conhece o Jon verdadeiro, que fica irritado com pequenas coisas, que é viciado em porn, e gosta dele assim, como o Jon. Eventualmente ele sente o mesmo por ela, espontaneamente, mostrando como é um amor não objetificado: sem rótulos, sem cobranças, sem pressão, com espaço pra cada um ser o que realmente é, sem necessidade de mudança ou fingimento. Jon termina como um cara maduro, que consegue ver como Barbara objetifica "seus homens" (em antítese a "my girl" do Jon), pára de malhar seu corpo pela aparência e decide se envolver em algo mais prazeroso como o basquete, questiona a superficialidade de sua igreja (note que eu estou falando da igreja em especial, não da religião), prefere comer uma pizza com os amigos à caçar garotas em baladas, enfim, pára de viver pela superficialidade de objetificar e começa a perceber do que realmente tem vontade.
Joseph Gordon-Levitt escreveu um filme bastante maduro e crítico. Não é uma comédia romântica, mas sem dúvida a primeira metade do filme é de arrancar risadas com tamanha escrotidão dos personagens. Para ver esse filme a partir do senso comum, é preciso deixar descontruir-se.
O filme é belíssimo, tanto em seus aspectos técnicos quanto em sua execução. É difícil assistir sem se prender às cores, formas encantadoras e cenas características do Shinkai, bem como a qualidade de cada frame de animação, ao som de uma trilha sonora tão delicada e marcante. Esses elementos elevam as situações ordinárias retratadas no filme a um patamar mais artístico, mais expressivo. A história é abordada de maneira simplória, reflexiva e talvez até melancólica, mas nunca menos realista. No entanto, por conta desses mesmos elementos, o filme exige uma certa subjetividade para ser totalmente apreciado. É interessante lembrar que o filme foi feito em e para uma cultura completamente diferente da ocidental, motivo pelo qual o filme talvez não "funcione".
Cenas de sexo a parte, o filme não tem grandes coisas que já não tenha se visto aos montes. O relacionamento retratado é convencional, a escola é convencional, a vida de Adèle é convencional. A fotografia é bela, a estética do filme também é belíssima; como não se apaixonar pelos cabelos azuis de Emma? Infelizmente, o filme não é feito apenas de imagem e não cumpre as expectativas que tive de algo diferente, a não ser que ele como um todo critique essa convencionalidade imposta na vida de Adèle como algo prejudicial, o que eu não senti fortemente vindo do filme, embora tenha tido essa interpretação por motivos ideológicos pessoais.
É difícil descrever esse filme com palavras. A expressão dele é muito, muito forte e não me vejo na condição de reproduzi-la ou avalia-la. Pra quem está em dúvida entre assistir ou não esse filme, ASSISTA. Não há nada nesse filme que seja ruim.
Esse filme é extremamente xenofóbico. Exemplo simples: japoneses tem dificuldade em pronunciar a letra "L", porque essa fonética não existe no idioma. Eles, na verdade, trocam "L" por "R" na pronúncia, ao contrário do demonstrado no filme. Quem faz essa troca são os chineses. Eu sei que a intenção foi retratar um lugar desconhecido com peculiaridades que você desconhece, não está acostumado, não sabe como agir, mas eu não vejo como isso justifica o retrato horroroso que fizeram da cultura japonesa. Na minha opinião, foi um desrespeito imenso, inaceitável. Mesmo se não tivesse esse contexto, o filme não teria me cativado, mas essa parte é extremamente subjetiva; talvez ele te cative, se você fingir que aquele país retratado não é e nem deveria ser o Japão ou se você simplesmente não se importar muito com esse detalhe.
O filme é contado do ponto de vista do Tom. Ele é idealizador e objetifica a Summer como "namorada" ou "pessoa ideal". Ele não é apaixondo por ela, ele é obsecado pelo que ela pode representar, por isso precisa da estabilidade de um relacionamento declarado. Todo esse "amor" dele não é pela Summer como pessoa, mas como namorada e só, por isso ele não consegue se aproximar dela apenas como amiga e, toda vez que o faz, só consegue fazê-lo com interesses românticos. No final, Autumn aparece não para fazer um final feliz, mas mostrar como a história se repetirá.
Um ótimo filme, mas geralmente entendido como uma história de amor.
Depois de ler os quadrinhos, o filme perdeu bastante a graça pra mim. Gosto dos conceitos, mas achei que detalhes importantes foram omitidos ou alterados, de forma que partes belíssimas da obra foram perdidas. A trilha sonora deixa um pouco a desejar, mas ainda é um filme que vale a pena assistir, embora valha muito mais a pena ler aos quadrinhos.
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Menina Má.Com
3.3 1,2KExcelente filme, com certeza o melhor da Ellen Page, mas não é para todo mundo. É um filme infinitamente crítico, mas só é bem entendido se você já faz ideia do quão machista a sociedade é. Se você não sabe quem é Hayley, de onde ela vem, porque quer vingar Donna, recomendo uma boa dose de feminismo pra entender.
O Jardim das Palavras
4.0 368Uma das coisas que gosto muito no Shinkai é o fato de ele mostrar romances de verdade, no qual as pessoas não param suas vidas em função do outro, mas sim, caminham suas próprias trilhas, aproximando-se na medida do possível e somente. Há respeito. Há amor.
Como Não Perder Essa Mulher
3.0 1,4K Assista AgoraTrata-se de uma crítica social muito bem construída sobre objetificação - de tudo, especialmente relacionamentos.
O "amor" de Jon e Barbara é extremamente superficial - eles próprios são extremamente superficiais, objetificando tudo, inclusive o amor objetificado que Barbara vê nos filmes românticos dela -, tratando-se apenas de um tratando o outro como um objeto, moldando-o do jeito que eles gostariam que fosse. Eles não se gostam de verdade, eles gostam da imagem que fazem um do outro, o que fica claro em cenas como Barbara proibindo o Jon de limpar a própria casa, coisa que ele aprecia e não tem nada de errado, diferentemente do porn, ou a cena dela questionando-o por ele rezar enquanto faz exercícios. Claramente, quanto mais juntos eles estão, menos o Jon é o Jon, e nem ele tem consciência disso; ele tenta explicar a situação mentindo para os amigos e pra si mesmo, tentando fugir da realidade nada agradável. A presença da Esther na história é crucial pra mostrar o outro lado da história, o lado não objetificador, o lado que não é uma mentira. Ela conhece o Jon verdadeiro, que fica irritado com pequenas coisas, que é viciado em porn, e gosta dele assim, como o Jon. Eventualmente ele sente o mesmo por ela, espontaneamente, mostrando como é um amor não objetificado: sem rótulos, sem cobranças, sem pressão, com espaço pra cada um ser o que realmente é, sem necessidade de mudança ou fingimento.
Jon termina como um cara maduro, que consegue ver como Barbara objetifica "seus homens" (em antítese a "my girl" do Jon), pára de malhar seu corpo pela aparência e decide se envolver em algo mais prazeroso como o basquete, questiona a superficialidade de sua igreja (note que eu estou falando da igreja em especial, não da religião), prefere comer uma pizza com os amigos à caçar garotas em baladas, enfim, pára de viver pela superficialidade de objetificar e começa a perceber do que realmente tem vontade.
Joseph Gordon-Levitt escreveu um filme bastante maduro e crítico. Não é uma comédia romântica, mas sem dúvida a primeira metade do filme é de arrancar risadas com tamanha escrotidão dos personagens. Para ver esse filme a partir do senso comum, é preciso deixar descontruir-se.
5 Centímetros por Segundo
3.9 386O filme é belíssimo, tanto em seus aspectos técnicos quanto em sua execução. É difícil assistir sem se prender às cores, formas encantadoras e cenas características do Shinkai, bem como a qualidade de cada frame de animação, ao som de uma trilha sonora tão delicada e marcante. Esses elementos elevam as situações ordinárias retratadas no filme a um patamar mais artístico, mais expressivo. A história é abordada de maneira simplória, reflexiva e talvez até melancólica, mas nunca menos realista. No entanto, por conta desses mesmos elementos, o filme exige uma certa subjetividade para ser totalmente apreciado. É interessante lembrar que o filme foi feito em e para uma cultura completamente diferente da ocidental, motivo pelo qual o filme talvez não "funcione".
Azul é a Cor Mais Quente
3.7 4,3K Assista AgoraCenas de sexo a parte, o filme não tem grandes coisas que já não tenha se visto aos montes. O relacionamento retratado é convencional, a escola é convencional, a vida de Adèle é convencional. A fotografia é bela, a estética do filme também é belíssima; como não se apaixonar pelos cabelos azuis de Emma? Infelizmente, o filme não é feito apenas de imagem e não cumpre as expectativas que tive de algo diferente, a não ser que ele como um todo critique essa convencionalidade imposta na vida de Adèle como algo prejudicial, o que eu não senti fortemente vindo do filme, embora tenha tido essa interpretação por motivos ideológicos pessoais.
O Substituto
4.3 1,7K Assista AgoraÉ difícil descrever esse filme com palavras. A expressão dele é muito, muito forte e não me vejo na condição de reproduzi-la ou avalia-la. Pra quem está em dúvida entre assistir ou não esse filme, ASSISTA. Não há nada nesse filme que seja ruim.
Bling Ring - A Gangue de Hollywood
3.0 1,7K Assista AgoraFicou com gostinho de "só isso?". Talvez tenha sido a intenção. O fato é que o filme não casou comigo.
Encontros e Desencontros
3.8 1,8KEsse filme é extremamente xenofóbico. Exemplo simples: japoneses tem dificuldade em pronunciar a letra "L", porque essa fonética não existe no idioma. Eles, na verdade, trocam "L" por "R" na pronúncia, ao contrário do demonstrado no filme. Quem faz essa troca são os chineses.
Eu sei que a intenção foi retratar um lugar desconhecido com peculiaridades que você desconhece, não está acostumado, não sabe como agir, mas eu não vejo como isso justifica o retrato horroroso que fizeram da cultura japonesa. Na minha opinião, foi um desrespeito imenso, inaceitável.
Mesmo se não tivesse esse contexto, o filme não teria me cativado, mas essa parte é extremamente subjetiva; talvez ele te cative, se você fingir que aquele país retratado não é e nem deveria ser o Japão ou se você simplesmente não se importar muito com esse detalhe.
Nausicaä do Vale do Vento
4.3 465 Assista AgoraAntes de ver o filme, lembre-se de que o mundo encontrava-se no contexto da Guerra Fria. Caso já tenha o visto, reveja com isso em mente.
Coraline e o Mundo Secreto
4.1 1,9K Assista AgoraSe você ainda não está convencido de que esse filme merece uma nota bastante alta, assista ao making of.
(500) Dias com Ela
4.0 5,7K Assista AgoraO filme é contado do ponto de vista do Tom. Ele é idealizador e objetifica a Summer como "namorada" ou "pessoa ideal". Ele não é apaixondo por ela, ele é obsecado pelo que ela pode representar, por isso precisa da estabilidade de um relacionamento declarado. Todo esse "amor" dele não é pela Summer como pessoa, mas como namorada e só, por isso ele não consegue se aproximar dela apenas como amiga e, toda vez que o faz, só consegue fazê-lo com interesses românticos. No final, Autumn aparece não para fazer um final feliz, mas mostrar como a história se repetirá.
Um ótimo filme, mas geralmente entendido como uma história de amor.
V de Vingança
4.3 3,1K Assista AgoraDepois de ler os quadrinhos, o filme perdeu bastante a graça pra mim. Gosto dos conceitos, mas achei que detalhes importantes foram omitidos ou alterados, de forma que partes belíssimas da obra foram perdidas. A trilha sonora deixa um pouco a desejar, mas ainda é um filme que vale a pena assistir, embora valha muito mais a pena ler aos quadrinhos.