Para mim a série foi uma experiência sensorial sem tamanho. Tenho algumas críticas pontuais no que diz respeito à maneira como alguns personagens foram construídos e finalizados. Mas como um todo a série traz uma sensação ao mesmo tempo assustadora e reconfortante (uma vez que gera identificação): a de que o tempo passa, as coisas mudam e temos que nos adaptar a isso, mesmo que a gente não queira. Isso porque o entendimento sobre a passagem do tempo e seus efeitos faz parte de nossa condição humana. Os conceitos utilizados como looping temporal, universos paralelos, inteligência artificial, entre outros, foram muito sutilmente colocados e só agregaram na trama.
O filme é muito bem construído. Destaque para o excelente roteiro que nos proporciona uma história articulada e envolvente. A maneira como vamos sendo conduzidos na trama é genial, resultado de uma direção e fotografia impecáveis. A crítica social se percebe nas entrelinhas, no jogo de câmera e nos personagens e ações bem construídas.
Deixo aqui algumas análise que fiz, enquanto assistia e após assistir.
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A crítica social fica evidente para espectadores bem atentos em situações como as cenas que envolvem a calcinha encontrada no carro. Um mesmo objeto é empregado de forma pejorativa para manter a moral e os bons costumes (na cena em que a esposa cobra do marido sobre a calcinha e ele despreza o objeto), mas também é usado como fonte de prazer (na cena do sexo no sofá).
Outro ponto que merece destaque são as cenas de contraste, como as que envolvem o "cheiro de pobre", cenas que entram em evidência com as que mostram o excesso de limpeza na casa dos ricos. Ki-woo comenta com a filha dos patrões que tudo ali parece estar sempre arrumado. Outras cenas mostram o contraste entre realidades sociais. Exemplo disso está em cenas como as do carro, em que a patroa diz que a chuva foi uma benção, quando vemos, minutos antes, a família pobre perder a casa.
O desfecho do filme como que escancara muitas coisas e reflete uma raiva contida de Kim Ki-taek, o pai da família pobre. Temos aqui um pai que vê sua filha ser atacada e a indiferença de seu patrão, cuja única preocupação é pegar a chaves e ir embora com a família. O patrão, antes de sair do local, vira sua cabeça e faz a mesma cara de nojo, já conhecida, quando olha para a cena. Kim reage perdendo a razão e atacando o patrão. Uma revolta contida por algum tempo aqui tem espaço para sair.
Senti um rebuliço ao sair do cinema. Como se tanta coisa ficasse evidente e tantas outras pudessem ser analisadas. É um filme que nos ensina muito, tanto sobre cinema e o trabalho envolvido para construção de um bom filme quanto sobre nossa própria realidade humana. Se puxarmos para o Brasil, quantas dessas situações ou similares devem existir no cenário de imensa desigualdade social em que vivemos?
Que série fantástica! Trata de um tema tabu (a questão sobre visão da virgindade feminina), de uma maneira moderna e humorística. A montagem lembra telenovelas mexicanas (na divisão em capítulos, nas reviravoltas e dramatizações) e conto de fadas infantis. Não consigo parar de ver!
Uma série que vale a pena para quem curte musicais. A premissa é péssima, a ex-namorada que muda de cidade e de vida por um cara (que não tá mais nem ai pra ela). Mas não vá pela premissa, porque o desenrolar é muito bom. Rebecca (Rachel Bloom) vai percebendo seus problemas com relação aos relacionamentos e com relação a si mesma. E a tudo isso a série soube criar uma comicidade e uma ironia tamanhas, com cenas musicais absurdas e hilárias ao mesmo tempo. Não diria que é uma simples série de comédia-musical, é sim uma série que questiona e abre debates. E que critica a maneira como as histórias de amor são idealizadas e o quanto nós mulheres sofremos com isso. Vale a pena assistir!
Contos do Loop (1ª Temporada)
4.2 226 Assista AgoraPara mim a série foi uma experiência sensorial sem tamanho. Tenho algumas críticas pontuais no que diz respeito à maneira como alguns personagens foram construídos e finalizados.
Mas como um todo a série traz uma sensação ao mesmo tempo assustadora e reconfortante (uma vez que gera identificação): a de que o tempo passa, as coisas mudam e temos que nos adaptar a isso, mesmo que a gente não queira. Isso porque o entendimento sobre a passagem do tempo e seus efeitos faz parte de nossa condição humana. Os conceitos utilizados como looping temporal, universos paralelos, inteligência artificial, entre outros, foram muito sutilmente colocados e só agregaram na trama.
Parasita
4.5 3,7K Assista AgoraO filme é muito bem construído. Destaque para o excelente roteiro que nos proporciona uma história articulada e envolvente. A maneira como vamos sendo conduzidos na trama é genial, resultado de uma direção e fotografia impecáveis. A crítica social se percebe nas entrelinhas, no jogo de câmera e nos personagens e ações bem construídas.
Deixo aqui algumas análise que fiz, enquanto assistia e após assistir.
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A crítica social fica evidente para espectadores bem atentos em situações como as cenas que envolvem a calcinha encontrada no carro. Um mesmo objeto é empregado de forma pejorativa para manter a moral e os bons costumes (na cena em que a esposa cobra do marido sobre a calcinha e ele despreza o objeto), mas também é usado como fonte de prazer (na cena do sexo no sofá).
Outro ponto que merece destaque são as cenas de contraste, como as que envolvem o "cheiro de pobre", cenas que entram em evidência com as que mostram o excesso de limpeza na casa dos ricos. Ki-woo comenta com a filha dos patrões que tudo ali parece estar sempre arrumado. Outras cenas mostram o contraste entre realidades sociais. Exemplo disso está em cenas como as do carro, em que a patroa diz que a chuva foi uma benção, quando vemos, minutos antes, a família pobre perder a casa.
O desfecho do filme como que escancara muitas coisas e reflete uma raiva contida de Kim Ki-taek, o pai da família pobre. Temos aqui um pai que vê sua filha ser atacada e a indiferença de seu patrão, cuja única preocupação é pegar a chaves e ir embora com a família. O patrão, antes de sair do local, vira sua cabeça e faz a mesma cara de nojo, já conhecida, quando olha para a cena. Kim reage perdendo a razão e atacando o patrão. Uma revolta contida por algum tempo aqui tem espaço para sair.
Senti um rebuliço ao sair do cinema. Como se tanta coisa ficasse evidente e tantas outras pudessem ser analisadas. É um filme que nos ensina muito, tanto sobre cinema e o trabalho envolvido para construção de um bom filme quanto sobre nossa própria realidade humana. Se puxarmos para o Brasil, quantas dessas situações ou similares devem existir no cenário de imensa desigualdade social em que vivemos?
Jane the Virgin (1ª Temporada)
4.3 291 Assista AgoraQue série fantástica! Trata de um tema tabu (a questão sobre visão da virgindade feminina), de uma maneira moderna e humorística. A montagem lembra telenovelas mexicanas (na divisão em capítulos, nas reviravoltas e dramatizações) e conto de fadas infantis. Não consigo parar de ver!
Crazy Ex-Girlfriend (1ª Temporada)
4.1 98 Assista AgoraUma série que vale a pena para quem curte musicais. A premissa é péssima, a ex-namorada que muda de cidade e de vida por um cara (que não tá mais nem ai pra ela). Mas não vá pela premissa, porque o desenrolar é muito bom. Rebecca (Rachel Bloom) vai percebendo seus problemas com relação aos relacionamentos e com relação a si mesma. E a tudo isso a série soube criar uma comicidade e uma ironia tamanhas, com cenas musicais absurdas e hilárias ao mesmo tempo. Não diria que é uma simples série de comédia-musical, é sim uma série que questiona e abre debates. E que critica a maneira como as histórias de amor são idealizadas e o quanto nós mulheres sofremos com isso. Vale a pena assistir!