Fantasmas, em sua quarta temporada, continua tirando boas gargalhadas, mas já começa a mostrar sinais de cansaço.
Algumas fórmulas repetitivas estão ficando cada vez mais frequentes. Além disso, o roteiro de alguns episódios parece forçar traços de personalidade em certos personagens do além-vida, o que não contribuiu para uma temporada mais sólida.
Como contraponto, enredos mais amarrados para Jay foram bem-vindos, ainda que Sam continue sendo a única verdadeira protagonista da história. Os últimos dois episódios dão uma ótima dimensão de como as coisas mudaram desde a mudança do casal para a mansão.
Ainda que tenha sido prazeroso de assistir, espero que a evolução saudável dos personagens (vivos e mortos) continue acontecendo num ritmo "verossímil" - mesmo que a sitcom seja sobre fantasmas. Enquanto hóspedes mais frequentes de Woodstone, torço para que nós espectadores continuemos sendo bem recebidos.
A ordem dos fatores altera completamente o resultado ao nos comunicarmos. Assim como ideias complexas podem ser simplificadas na transmissão, as mais simples podem se complicar ao não serem bem administradas (Mr. Milchik que o diga).
A segunda temporada de Ruptura sofreu exatamente desse mal: mau uso de recursos narrativos. Ao tentarem lapidar ainda mais a joia que foi a primeira temporada, acabaram por quebrá-la demais, ao ponto de terem em mãos algumas gemas sem valor, apelo ou apego.
Servir o suspense ao espectador não é uma tarefa fácil, muito menos óbvia. Existe um limite do quanto podemos e queremos aguentar. Ao nos apresentar histórias muito fragmentadas e aumentar o número de paredes do labirinto que tínhamos adentrado anteriormente, foi difícil manter aceso o interesse num quebra-cabeça que deixou de ser divertido para se tornar cansativo, desgastante e enfadonho.
Ao finalizar os dez episódios, não sabia o que sentir quanto às muitas personas e histórias que fomos apresentados: briga entre os lados do Mark, arcos de redenção do passado e presente de Cobel e Burt, as 24 (!!!) personas de Genma… Ao meu ver, passou do ponto.
Como um texto que usa muitos parênteses, a mensagem principal acabou por ficar difícil de ser alcançada. A próxima e última temporada precisa, assim como nosso magnânimo gerente de andar, se despir de palavras difíceis e focar no significado.
Que início, meus amigos!!! Sem dúvida, Ruptura tem uma das melhores primeiras temporadas que já assisti - senão a melhor! A série consegue esse feito com a soma de muitos elementos, como ótimas atuações, trilha sonora cativante, direção de arte belíssima (Óptica & Design está de parabéns!) e um roteiro primoroso. Um mote tão simples, sobre separar vida e trabalho, ganha ares de ficção científica ao nos introduzir a um universo em que pessoas podem criar personas diferentes para essas diferentes áreas de suas vidas.
A maneira como a história é construída tem um ritmo constante, mas lembra uma boa tricotagem. No início, não é fácil entender o que está sendo desenvolvido, mas cada ponto nos aproxima do todo de uma maneira quase exasperante.
No último episódio, senti minha respiração tensa quase todo o tempo. Terminei hiperventilando, com lágrimas nos olhos e passado alguns segundos gargalhei de satisfação. Poucas vezes me senti tão envolvido com algo, inclusive num nível pessoal. Como alguém que já experienciou a síndrome do esgotamento profissional (conhecido como burnout), várias passagens da história me atingiram de maneira muito específica. E o que foi minha realidade por muitos anos, com efeitos psicológicos ainda sentidos, é uma triste cicatriz social: a necessidade de vender nossas almas para o corporativismo nos esvaziou de quem nós somos.
Essas questões foram muito bem tratadas ao longo de toda a temporada, especialmente nos episódios centrais. Mas, para que elas brilhassem, foi preciso colocar o ser humano no centro, o que Ben Stiller e sua equipe conseguiram fazer unindo três gêneros narrativos: suspense, terror psicológico e comédia. Enquanto os dois primeiros usualmente andam juntos, o tom humorístico usado em alguns momentos da série foi o alívio necessário para que as temáticas densas fossem digeridas da melhor maneira possível.
Tendo assistido a esta primeira temporada três anos após o lançamento, já sabia de como Ruptura tem sido marcante tanto para a crítica especializada quanto para o público. Ainda assim, superou minhas expectativas e já conseguiu ocupar um lugar muito especial na minha mente. Só espero que não a divida ao meio.
Considero o melhor episódio de Black Mirror por vários motivos, mas principalmente por ser uma mistura ideal da hiper-tecnologia com o que nos torna mais humanos: nosso poder de conexão com outras pessoas e como isso pode revelar o melhor e o pior de nós.
Logo no início, duas ferramentas se contrapõem: enquanto uma auxilia a aproximação com outras pessoas (mesmo que com questões éticas seríssimas), a outra permite bloquear (literalmente!) aqueles que estão à nossa volta. As duas são lembretes importantes para olharmos nossa relação com a tecnologia de maneira cética e branda, pois afinal todo suposto avanço trará consequências nem sempre muito bem desenhadas.
A outra tecnologia importante mostrada ao longo do episódio é a construção de uma inteligência artificial que é como um espelho/sombra da consciência de uma pessoa. Nos dez anos que separam esse comentário do lançamento, estamos cada vez mais próximos dessa realidade: todos os principais modelos de linguagem de larga escala (LLMs) têm funções de memória e personalização. Somar a isso tudo o que os principais serviços digitais sabem de nós - pois Youtube, Netflix e redes sociais já usam inteligência artificial há muito tempo - é perceber como temos “pequenas versões” nossas espalhadas por aí, nossos cookies.
O roteiro é inteligentíssimo ao amarrar isso tudo de maneira fluida, emocional e principalmente relacional. A construção da conversa entre os protagonistas é excelente e o acúmulo de pequenos elementos e pistas fazem a revelação final ser impactante e, ao mesmo tempo, esperada. Ou seja, não chega a ser um plot twist porque estivemos o tempo inteiro no olho do furacão.
Com todas essas qualidades, esse episódio é um dos que tem “cara de filme” (os outros sendo Beyond the Sea e Demon 79) e é, sem dúvidas, um dos que você grita com gosto: “isso é muito Black Mirror, mano!”.
Sobre a mudança no título: É sério que vocês acharam desnecessária? Desnecessária pra quem? Pra você e para seus amigos que sabem inglês? A realidade do Brasil não é a de pessoas letradas em inglês e um título in english cria um bloqueio em grande parte da população. O filmow se propõe a ser um site de fácil acesso para parte do público brasileiro e é mais que certo que utilize o título usado no território verde e amarelo. E olha, esse mimimi é tão sem sentido. Tem títulos que são estragados ou não contemplados na tradução, mas qual seria o problema com essa???
Uau. Esta é a palavra que melhor descreve essa temporada. As reviravoltas bem construídas e o tom ácido de realidade foram maravilhosos. Todos os horrores são planos de fundo para a verdadeiro motor dos episódios: a loucura interior de cada personagem. A construção, evolução e desconstrução de cada psique apresentada ratifica a mensagem de Nietzsche e lhe dá um novo e temperado sentido: "Não enfrente monstros sob pena de te tornares um deles. Lembra-te: se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla."
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Pantheon (1ª Temporada)
4.2 15Que série boa! Gosto como a animação vai da mais "cotidiana" à mais exagerada. Amei a duração, considerei ideal a média de 40 minutos.
Terminou bem, uma sensação de reinício interessante, sem cliffhangers baratos. Animado para segunda temporada!
Parasyte: The Maxim
4.3 157Midori no Hibi + Elfen Lied = Parasyte.
Que misturada inusitada! E excelente!
Trash em alguns momentos, reflexivo em outros. Vale a pena assistir.
X-Men: Evolution (1ª Temporada)
4.0 108É tão boa quanto eu lembro? Deu vontade de ver, mas fico com medo de "estragar" minhas memórias haha
Sandman (2ª Temporada)
3.9 125 Assista AgoraDei 3,5 e aumentei para 4 estrelas por conta do episódio extra. Incrível!!!
Fantasmas (4ª Temporada)
4.0 9 Assista AgoraFantasmas, em sua quarta temporada, continua tirando boas gargalhadas, mas já começa a mostrar sinais de cansaço.
Algumas fórmulas repetitivas estão ficando cada vez mais frequentes. Além disso, o roteiro de alguns episódios parece forçar traços de personalidade em certos personagens do além-vida, o que não contribuiu para uma temporada mais sólida.
Como contraponto, enredos mais amarrados para Jay foram bem-vindos, ainda que Sam continue sendo a única verdadeira protagonista da história. Os últimos dois episódios dão uma ótima dimensão de como as coisas mudaram desde a mudança do casal para a mansão.
Ainda que tenha sido prazeroso de assistir, espero que a evolução saudável dos personagens (vivos e mortos) continue acontecendo num ritmo "verossímil" - mesmo que a sitcom seja sobre fantasmas. Enquanto hóspedes mais frequentes de Woodstone, torço para que nós espectadores continuemos sendo bem recebidos.
3,5 ⭐️
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 346 Assista AgoraTemporada chata. Final decepcionante.
A ordem dos fatores altera completamente o resultado ao nos comunicarmos. Assim como ideias complexas podem ser simplificadas na transmissão, as mais simples podem se complicar ao não serem bem administradas (Mr. Milchik que o diga).
A segunda temporada de Ruptura sofreu exatamente desse mal: mau uso de recursos narrativos. Ao tentarem lapidar ainda mais a joia que foi a primeira temporada, acabaram por quebrá-la demais, ao ponto de terem em mãos algumas gemas sem valor, apelo ou apego.
Servir o suspense ao espectador não é uma tarefa fácil, muito menos óbvia. Existe um limite do quanto podemos e queremos aguentar. Ao nos apresentar histórias muito fragmentadas e aumentar o número de paredes do labirinto que tínhamos adentrado anteriormente, foi difícil manter aceso o interesse num quebra-cabeça que deixou de ser divertido para se tornar cansativo, desgastante e enfadonho.
Ao finalizar os dez episódios, não sabia o que sentir quanto às muitas personas e histórias que fomos apresentados: briga entre os lados do Mark, arcos de redenção do passado e presente de Cobel e Burt, as 24 (!!!) personas de Genma… Ao meu ver, passou do ponto.
Como um texto que usa muitos parênteses, a mensagem principal acabou por ficar difícil de ser alcançada. A próxima e última temporada precisa, assim como nosso magnânimo gerente de andar, se despir de palavras difíceis e focar no significado.
3,5 ⭐️
Ruptura (1ª Temporada)
4.5 870 Assista AgoraQue início, meus amigos!!! Sem dúvida, Ruptura tem uma das melhores primeiras temporadas que já assisti - senão a melhor! A série consegue esse feito com a soma de muitos elementos, como ótimas atuações, trilha sonora cativante, direção de arte belíssima (Óptica & Design está de parabéns!) e um roteiro primoroso. Um mote tão simples, sobre separar vida e trabalho, ganha ares de ficção científica ao nos introduzir a um universo em que pessoas podem criar personas diferentes para essas diferentes áreas de suas vidas.
A maneira como a história é construída tem um ritmo constante, mas lembra uma boa tricotagem. No início, não é fácil entender o que está sendo desenvolvido, mas cada ponto nos aproxima do todo de uma maneira quase exasperante.
No último episódio, senti minha respiração tensa quase todo o tempo. Terminei hiperventilando, com lágrimas nos olhos e passado alguns segundos gargalhei de satisfação. Poucas vezes me senti tão envolvido com algo, inclusive num nível pessoal. Como alguém que já experienciou a síndrome do esgotamento profissional (conhecido como burnout), várias passagens da história me atingiram de maneira muito específica. E o que foi minha realidade por muitos anos, com efeitos psicológicos ainda sentidos, é uma triste cicatriz social: a necessidade de vender nossas almas para o corporativismo nos esvaziou de quem nós somos.
Essas questões foram muito bem tratadas ao longo de toda a temporada, especialmente nos episódios centrais. Mas, para que elas brilhassem, foi preciso colocar o ser humano no centro, o que Ben Stiller e sua equipe conseguiram fazer unindo três gêneros narrativos: suspense, terror psicológico e comédia. Enquanto os dois primeiros usualmente andam juntos, o tom humorístico usado em alguns momentos da série foi o alívio necessário para que as temáticas densas fossem digeridas da melhor maneira possível.
Tendo assistido a esta primeira temporada três anos após o lançamento, já sabia de como Ruptura tem sido marcante tanto para a crítica especializada quanto para o público. Ainda assim, superou minhas expectativas e já conseguiu ocupar um lugar muito especial na minha mente. Só espero que não a divida ao meio.
5 ⭐️
Black Mirror: White Christmas
4.5 458Considero o melhor episódio de Black Mirror por vários motivos, mas principalmente por ser uma mistura ideal da hiper-tecnologia com o que nos torna mais humanos: nosso poder de conexão com outras pessoas e como isso pode revelar o melhor e o pior de nós.
Logo no início, duas ferramentas se contrapõem: enquanto uma auxilia a aproximação com outras pessoas (mesmo que com questões éticas seríssimas), a outra permite bloquear (literalmente!) aqueles que estão à nossa volta. As duas são lembretes importantes para olharmos nossa relação com a tecnologia de maneira cética e branda, pois afinal todo suposto avanço trará consequências nem sempre muito bem desenhadas.
A outra tecnologia importante mostrada ao longo do episódio é a construção de uma inteligência artificial que é como um espelho/sombra da consciência de uma pessoa. Nos dez anos que separam esse comentário do lançamento, estamos cada vez mais próximos dessa realidade: todos os principais modelos de linguagem de larga escala (LLMs) têm funções de memória e personalização. Somar a isso tudo o que os principais serviços digitais sabem de nós - pois Youtube, Netflix e redes sociais já usam inteligência artificial há muito tempo - é perceber como temos “pequenas versões” nossas espalhadas por aí, nossos cookies.
O roteiro é inteligentíssimo ao amarrar isso tudo de maneira fluida, emocional e principalmente relacional. A construção da conversa entre os protagonistas é excelente e o acúmulo de pequenos elementos e pistas fazem a revelação final ser impactante e, ao mesmo tempo, esperada. Ou seja, não chega a ser um plot twist porque estivemos o tempo inteiro no olho do furacão.
Com todas essas qualidades, esse episódio é um dos que tem “cara de filme” (os outros sendo Beyond the Sea e Demon 79) e é, sem dúvidas, um dos que você grita com gosto: “isso é muito Black Mirror, mano!”.
5 ⭐
American Horror Story: Freak Show (4ª Temporada)
3.5 1,4K Assista AgoraSobre a mudança no título:
É sério que vocês acharam desnecessária? Desnecessária pra quem? Pra você e para seus amigos que sabem inglês? A realidade do Brasil não é a de pessoas letradas em inglês e um título in english cria um bloqueio em grande parte da população. O filmow se propõe a ser um site de fácil acesso para parte do público brasileiro e é mais que certo que utilize o título usado no território verde e amarelo.
E olha, esse mimimi é tão sem sentido. Tem títulos que são estragados ou não contemplados na tradução, mas qual seria o problema com essa???
American Horror Story: Asylum (2ª Temporada)
4.3 2,7KUau. Esta é a palavra que melhor descreve essa temporada.
As reviravoltas bem construídas e o tom ácido de realidade foram maravilhosos. Todos os horrores são planos de fundo para a verdadeiro motor dos episódios: a loucura interior de cada personagem. A construção, evolução e desconstrução de cada psique apresentada ratifica a mensagem de Nietzsche e lhe dá um novo e temperado sentido: "Não enfrente monstros sob pena de te tornares um deles. Lembra-te: se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla."