Um excelente passatempo, que transita entre suspense e comédia sem parecer forçado. Tudo tem uma pitada de absurdo, o que acaba sendo um convite para encararmos a história com suspensão da realidade, ótimo para encarar um suspense familiar como esse sem questionar furos e simplificações.
O elenco estelar que sustenta a atuação mesmo em momentos menos cativantes, a direção rápida e a excelente fotografia são os principais elementos positivos.
Um bom passatempo, mas muito, muito pior que o primeiro. Dessa vez, nem o elenco extremamente estelar conseguiu suprir a superficialidade do roteiro. Ao meu ver, tentaram ser inteligentes demais e deixaram de lado esperteza, característica de filmes de detetive.
Janelle, te amo como cantora/compositora, mas você infelizmente aceita umas personagens tão sem sal que não consigo curtir você como atriz 🥲
Que filmaço! Eu poderia descrevê-lo com palavras rebuscadas que, sem dúvida, agradariam Nancy, a exigente professora que protagoniza o filme e é retratada pela indescritível Emma Thompson. É um feito que Daryl McComarck tenha acompanhado essa titã da atuação de maneira tão satisfatória, ainda que tenha escorregado em algumas das cenas mais intensas.
O filme passeia por uma série de questões que reforçam como intimidade e cotidiano são políticos. Desejo, tesão e orgasmo também. O longa é dividido em dois momentos bem marcados: ora trata os temas com sutileza e doçura, ora com pressa e impulsividade. A mudança brusca entre essas abordagens não é tão verossímil (como bem pontuou Paulo Carioca alguns comentários abaixo), mas talvez seja exatamente isso que faz o filme soar tão verdadeiro.
Até porque o sexo é cheio de surpresas. A vida é improvável.
Um primor de roteiro e direção, "Boa Sorte, Leo Grande" tem um enredo tocante sobre corpo, liberdade e sexualidade. É importante por falar da importância do toque.
Fantasmas, em sua quarta temporada, continua tirando boas gargalhadas, mas já começa a mostrar sinais de cansaço.
Algumas fórmulas repetitivas estão ficando cada vez mais frequentes. Além disso, o roteiro de alguns episódios parece forçar traços de personalidade em certos personagens do além-vida, o que não contribuiu para uma temporada mais sólida.
Como contraponto, enredos mais amarrados para Jay foram bem-vindos, ainda que Sam continue sendo a única verdadeira protagonista da história. Os últimos dois episódios dão uma ótima dimensão de como as coisas mudaram desde a mudança do casal para a mansão.
Ainda que tenha sido prazeroso de assistir, espero que a evolução saudável dos personagens (vivos e mortos) continue acontecendo num ritmo "verossímil" - mesmo que a sitcom seja sobre fantasmas. Enquanto hóspedes mais frequentes de Woodstone, torço para que nós espectadores continuemos sendo bem recebidos.
Cornucopia é um show bem realizado e muito bonito. Gravado em Lisboa (capital da nossa querida Guiana Brasileira), reforça o apreço de Björk com os detalhes e explora um pouco de sua experimentação visual e sonora. Para os fãs, público alvo da exibição e dessa crítica, não tinha nada muito novo.
Essa impressão se estendeu ao setlist, ao meu ver um tanto cansativo. Cornucopia é baseado no álbum Utopia, conhecido pelos instrumentos de sopro e sons de animais. Através do áudio imersivo proposto por Björk, a ideia era transportar o espectador a um universo de natureza própria, com texturas e paisagens oníricas. Ainda que eu admire o objetivo, para um projeto como esse — exibido em salas de cinema mundialmente — seria bem-vinda uma seleção de músicas que explorasse mais eras da artista.
Sobre assistir a um show na telona, foi interessante e um pouco decepcionante. Atualmente, sinto que os cinemas estão sendo muito descuidados com o áudio, talvez até propositalmente para vender ingressos Plus, Deluxe e afins. Infelizmente, a tendência de piorar um serviço/produto para vender outro, conhecida como merdificação (tradução livre para enshitification), chegou até às principais redes de grandes capitais. Assisti a Cornucopia no UCI New York City Center, conhecido por abrigar algumas das melhores salas de exibição do RJ, e mal senti áudio imersivo, o que era um dos carros chefe divulgados.
No final das contas, foi apenas um show visto com boa qualidade numa tela grande. Lindo, mas nada extraordinário. Valeu a experiência, mas não recomendo.
A ordem dos fatores altera completamente o resultado ao nos comunicarmos. Assim como ideias complexas podem ser simplificadas na transmissão, as mais simples podem se complicar ao não serem bem administradas (Mr. Milchik que o diga).
A segunda temporada de Ruptura sofreu exatamente desse mal: mau uso de recursos narrativos. Ao tentarem lapidar ainda mais a joia que foi a primeira temporada, acabaram por quebrá-la demais, ao ponto de terem em mãos algumas gemas sem valor, apelo ou apego.
Servir o suspense ao espectador não é uma tarefa fácil, muito menos óbvia. Existe um limite do quanto podemos e queremos aguentar. Ao nos apresentar histórias muito fragmentadas e aumentar o número de paredes do labirinto que tínhamos adentrado anteriormente, foi difícil manter aceso o interesse num quebra-cabeça que deixou de ser divertido para se tornar cansativo, desgastante e enfadonho.
Ao finalizar os dez episódios, não sabia o que sentir quanto às muitas personas e histórias que fomos apresentados: briga entre os lados do Mark, arcos de redenção do passado e presente de Cobel e Burt, as 24 (!!!) personas de Genma… Ao meu ver, passou do ponto.
Como um texto que usa muitos parênteses, a mensagem principal acabou por ficar difícil de ser alcançada. A próxima e última temporada precisa, assim como nosso magnânimo gerente de andar, se despir de palavras difíceis e focar no significado.
Que início, meus amigos!!! Sem dúvida, Ruptura tem uma das melhores primeiras temporadas que já assisti - senão a melhor! A série consegue esse feito com a soma de muitos elementos, como ótimas atuações, trilha sonora cativante, direção de arte belíssima (Óptica & Design está de parabéns!) e um roteiro primoroso. Um mote tão simples, sobre separar vida e trabalho, ganha ares de ficção científica ao nos introduzir a um universo em que pessoas podem criar personas diferentes para essas diferentes áreas de suas vidas.
A maneira como a história é construída tem um ritmo constante, mas lembra uma boa tricotagem. No início, não é fácil entender o que está sendo desenvolvido, mas cada ponto nos aproxima do todo de uma maneira quase exasperante.
No último episódio, senti minha respiração tensa quase todo o tempo. Terminei hiperventilando, com lágrimas nos olhos e passado alguns segundos gargalhei de satisfação. Poucas vezes me senti tão envolvido com algo, inclusive num nível pessoal. Como alguém que já experienciou a síndrome do esgotamento profissional (conhecido como burnout), várias passagens da história me atingiram de maneira muito específica. E o que foi minha realidade por muitos anos, com efeitos psicológicos ainda sentidos, é uma triste cicatriz social: a necessidade de vender nossas almas para o corporativismo nos esvaziou de quem nós somos.
Essas questões foram muito bem tratadas ao longo de toda a temporada, especialmente nos episódios centrais. Mas, para que elas brilhassem, foi preciso colocar o ser humano no centro, o que Ben Stiller e sua equipe conseguiram fazer unindo três gêneros narrativos: suspense, terror psicológico e comédia. Enquanto os dois primeiros usualmente andam juntos, o tom humorístico usado em alguns momentos da série foi o alívio necessário para que as temáticas densas fossem digeridas da melhor maneira possível.
Tendo assistido a esta primeira temporada três anos após o lançamento, já sabia de como Ruptura tem sido marcante tanto para a crítica especializada quanto para o público. Ainda assim, superou minhas expectativas e já conseguiu ocupar um lugar muito especial na minha mente. Só espero que não a divida ao meio.
Simplificando ao extremo, existem três tipos de filme. Os ruins, os bons e os ótimos. "Não Olhe para Cima" se torna ruim ao tentar ser ótimo, quando poderia se contentar em ser um bom filme. Seu principal defeito está no exagero, pois os 140 minutos não se justificam. Muito menos o excesso de personagens secundários, que apresentam narrativas vazias e, portanto, são pouco carismáticos. Os trechos iniciais e finais do longa, os melhores do filme, resumem o que ele tem de melhor: uma crítica social envelopada em comédia nonsense com um elenco estelar.
Em resumo, não recomendo e não me vejo assistindo a esse filme novamente. Tem jeito de filme feito para TV e não mata a vontade de assistir a nenhum dos gêneros que tenta reunir: onde foi apenas uma comédia, tirou poucos sorrisos. Mesmo para um drama leve, não sensibilizou. Quando tentou ser inteligente, foi piegas e óbvio demais.
Considero o melhor episódio de Black Mirror por vários motivos, mas principalmente por ser uma mistura ideal da hiper-tecnologia com o que nos torna mais humanos: nosso poder de conexão com outras pessoas e como isso pode revelar o melhor e o pior de nós.
Logo no início, duas ferramentas se contrapõem: enquanto uma auxilia a aproximação com outras pessoas (mesmo que com questões éticas seríssimas), a outra permite bloquear (literalmente!) aqueles que estão à nossa volta. As duas são lembretes importantes para olharmos nossa relação com a tecnologia de maneira cética e branda, pois afinal todo suposto avanço trará consequências nem sempre muito bem desenhadas.
A outra tecnologia importante mostrada ao longo do episódio é a construção de uma inteligência artificial que é como um espelho/sombra da consciência de uma pessoa. Nos dez anos que separam esse comentário do lançamento, estamos cada vez mais próximos dessa realidade: todos os principais modelos de linguagem de larga escala (LLMs) têm funções de memória e personalização. Somar a isso tudo o que os principais serviços digitais sabem de nós - pois Youtube, Netflix e redes sociais já usam inteligência artificial há muito tempo - é perceber como temos “pequenas versões” nossas espalhadas por aí, nossos cookies.
O roteiro é inteligentíssimo ao amarrar isso tudo de maneira fluida, emocional e principalmente relacional. A construção da conversa entre os protagonistas é excelente e o acúmulo de pequenos elementos e pistas fazem a revelação final ser impactante e, ao mesmo tempo, esperada. Ou seja, não chega a ser um plot twist porque estivemos o tempo inteiro no olho do furacão.
Com todas essas qualidades, esse episódio é um dos que tem “cara de filme” (os outros sendo Beyond the Sea e Demon 79) e é, sem dúvidas, um dos que você grita com gosto: “isso é muito Black Mirror, mano!”.
Filme muito interessante e bem realizado. Tem roteiro e montagem/edição como melhores aspectos técnicos. A atuação dos protagonistas é envolvente, mas a da mãe (mesmo com um papel menor) se destaca. Ela provoca certa simpatia acompanhada de uma raiva palpável - é um personagem realmente humano e realista, em que as qualidades e defeitos estão misturados ao ponto de se confundirem.
No meio do filme, no entanto, me senti um pouco cansado, queria que acabasse logo. Como espectador, pensei em dois caminhos: funcionaria bem como uma minissérie ou parte das cenas com o guarda costas (que achei chatíssimo) poderiam ser mais dinâmicas. Ainda assim, não foi nada excessivamente incômodo.
O final foi meio atropelado, mas finalizou com um impacto positivo.
Terminei o filme com o coração acelerado! Que viagem incrível que essa história nos faz embarcar!
Em certo momento, eu me perdi um pouco, mas acredito que a confusão foi uma das sensações que o longa propôs: o ping pong entre os reais protagonistas quis desnortear, mas soube recuperar o fio da meada. Fazia ANOS que eu não assistia a um suspense tão envolvente. Mesmo tendo calma para desenvolver uma certa familiaridade com alguns personagens, manteve ritmo eletrizante o bastante para segurar a atenção em todos os momentos.
Atribuo essa característica aos diálogos incríveis e ainda melhores reviravoltas. Assim como nos melhores livros da Agatha Christie, o roteiro brinca com a imaginação do espectador numa espécie de jogo mental muito interessante.
Acho que só não é "perfeito" porque nos pede um deslocamento da realidade muito grande próximo ao final. Tem alguns comentários abaixo que detalham melhor esse ponto - cuidado com spoiler! Ainda assim, as ótimas atuações conseguiram me manter vidrado! Filmaço!
Clássico humor britânico: quilos de nonsense e uma pitada de piadas desconfortáveis.
Não vai agradar todos os públicos - e nem pretende - mas é interessante como reflexão de quão inacessíveis são tantos dos temas tratados ao longo do “mockumentary”.
Religião, arte, ciências biológicas, matemática, física… Tópicos que deveriam estar no nosso cotidiano e que são tratados nos noticiários de maneira que cria um certo distanciamento na população em geral.
Philomena Cunk, com toda sua loucura, acaba por resumir bem como nada do que é tratado ali faz muito sentido no nosso dia a dia mesmo.
Que filme lindo! Ainda que a trama seja construída em torno dos alienígenas, na realidade a história tem mais elementos de suspense e drama. A linguagem é a verdadeira protagonista e serve de lembrança da importância dela em nossas vidas. E concordo com a Dra Banks: é uma das pedras fundamentais de uma nação.
Um filme lento, sim, mas os "vazios" são propositais e nos ajudam a estar junto com os personagens, a sentir a tensão deles. É, de certa forma, um convite para que desvendemos os mistérios apresentados na nossa mente, assim como os especialistas estão tentando fazer.
A cena da conversa dela com o dirigente chinês realmente pode(ria) ser uma ponta solta. Minha teoria é que a ponte entre tempos diferentes (principalmente presente e futuro) não são "fixas". A escrita deles não é em fumaça à toa. Enquanto ela estava numa interação mais frequente com os aliens, acredito que ela conseguiu "viver" a circularidade do tempo com maior fluidez. Ou seja, não é impossível que ela esquecesse do episódio em que conversou com o dirigente. A história fundamental que ela não esqueceria era a da filha. Enquanto, para o dirigente, a decisão dele que mudaria o curso da história.
Vale a pena assistir num dia tranquilo, sem celular perto e com atenção aos detalhes. É um filme feito com carinho e passa uma imagem de esperança bonita: é no hoje que construímos o futuro desejado.
Fofo demais! Descompromissado, o que amei. Ainda assim, um pouco previsível e com roteiro simples, o que acredito que poderia ser melhorado sem perder o tom leve.
Sou uma pessoa que aprendeu a amar gatos com minha mãe (que é um tanto “salvadora de gatos afiltos”), então a cena em que…
Filme cativante, envolvente e acelerado na medida certa.
Por pouco, não entrou na lista dos meus favoritos. Acredito que faltou apenas algo que o tornasse mais "centrado" e coeso, mas não consigo exemplificar muito bem.,.
Confesso que fiquei decepcionado. Não com os atores, fotografia, sonoplastia/trilha sonora nem mesmo com a direção.
Mas que roteiro é esse, minha gente? E sim, sei que também foi escrito pelo diretor, o que só aumenta minha decepção.
Nós não é o filme que precisa ser reassistido pra entender. Nem que precisa de explicação para "eureka!" acontecer. Esses tipos de filme deixam pistas e caminhos dentro da narrativa que te impulsionam a descobrir mais, o que esse filme não fez.
O que ele é, pra mim, é só um ótimo filme mas um péssimo sci-fi.
Esse filme me tocou de diversas formas, principalmente por conta de dois pontos centrais na narrativa e na construção da personalidade do protagonista.
Em primeiro lugar, me identifiquei pela sensação de exílio que tinha dentro da minha própria família que, mesmo que nunca tenha sido agressiva ou hostil, só passou a me abraçar completamente depois de eu deixar claro que sangue pra mim importava menos do que o carinho verdadeiro. O significado que o filme atribui a exílio inclusive me deu um estalo que fez eu observar outras relações e me fez refletir um bom tempinho.
Além disso, a relação que ele construiu com um homem mais velho e, por conta disso, o banho de água fria que levou ao ser desqualificado como aproveitador doeu em mim também. Me vi nesse drama, por também já ter me relacionado com caras mais velhos (e com maior estabilidade financeira em alguns casos) e já me questionei como outros me viam em situações assim.
Entre Facas e Segredos
4.0 1,5K Assista AgoraUm excelente passatempo, que transita entre suspense e comédia sem parecer forçado. Tudo tem uma pitada de absurdo, o que acaba sendo um convite para encararmos a história com suspensão da realidade, ótimo para encarar um suspense familiar como esse sem questionar furos e simplificações.
O elenco estelar que sustenta a atuação mesmo em momentos menos cativantes, a direção rápida e a excelente fotografia são os principais elementos positivos.
Destaque para Toni Colette e Ana de Armas.
7 ⭐
Glass Onion: Um Mistério Knives Out
3.5 684 Assista AgoraUm bom passatempo, mas muito, muito pior que o primeiro. Dessa vez, nem o elenco extremamente estelar conseguiu suprir a superficialidade do roteiro. Ao meu ver, tentaram ser inteligentes demais e deixaram de lado esperteza, característica de filmes de detetive.
Janelle, te amo como cantora/compositora, mas você infelizmente aceita umas personagens tão sem sal que não consigo curtir você como atriz 🥲
5 ⭐
Filhos da Esperança
3.9 960 Assista AgoraFilmaço!
Hereditário
3.8 3,1K Assista AgoraDoido! Totalmente descompensado.
Amei!
Pantheon (1ª Temporada)
4.2 15Que série boa! Gosto como a animação vai da mais "cotidiana" à mais exagerada. Amei a duração, considerei ideal a média de 40 minutos.
Terminou bem, uma sensação de reinício interessante, sem cliffhangers baratos. Animado para segunda temporada!
Parasyte: The Maxim
4.3 157Midori no Hibi + Elfen Lied = Parasyte.
Que misturada inusitada! E excelente!
Trash em alguns momentos, reflexivo em outros. Vale a pena assistir.
X-Men: Evolution (1ª Temporada)
4.0 108É tão boa quanto eu lembro? Deu vontade de ver, mas fico com medo de "estragar" minhas memórias haha
Sandman (2ª Temporada)
3.9 125 Assista AgoraDei 3,5 e aumentei para 4 estrelas por conta do episódio extra. Incrível!!!
Superman
3.6 918 Assista AgoraPessoal, algum comentário sobre a dublagem?
Só costumo ver animações dubladas, mas na minha região esse filme não veio legendado. Agradeço se puderem compartilhar impressões.
Boa Sorte, Leo Grande
3.7 159 Assista AgoraQue filmaço! Eu poderia descrevê-lo com palavras rebuscadas que, sem dúvida, agradariam Nancy, a exigente professora que protagoniza o filme e é retratada pela indescritível Emma Thompson. É um feito que Daryl McComarck tenha acompanhado essa titã da atuação de maneira tão satisfatória, ainda que tenha escorregado em algumas das cenas mais intensas.
O filme passeia por uma série de questões que reforçam como intimidade e cotidiano são políticos. Desejo, tesão e orgasmo também. O longa é dividido em dois momentos bem marcados: ora trata os temas com sutileza e doçura, ora com pressa e impulsividade. A mudança brusca entre essas abordagens não é tão verossímil (como bem pontuou Paulo Carioca alguns comentários abaixo), mas talvez seja exatamente isso que faz o filme soar tão verdadeiro.
Até porque o sexo é cheio de surpresas. A vida é improvável.
Um primor de roteiro e direção, "Boa Sorte, Leo Grande" tem um enredo tocante sobre corpo, liberdade e sexualidade. É importante por falar da importância do toque.
Fantasmas (4ª Temporada)
4.0 9 Assista AgoraFantasmas, em sua quarta temporada, continua tirando boas gargalhadas, mas já começa a mostrar sinais de cansaço.
Algumas fórmulas repetitivas estão ficando cada vez mais frequentes. Além disso, o roteiro de alguns episódios parece forçar traços de personalidade em certos personagens do além-vida, o que não contribuiu para uma temporada mais sólida.
Como contraponto, enredos mais amarrados para Jay foram bem-vindos, ainda que Sam continue sendo a única verdadeira protagonista da história. Os últimos dois episódios dão uma ótima dimensão de como as coisas mudaram desde a mudança do casal para a mansão.
Ainda que tenha sido prazeroso de assistir, espero que a evolução saudável dos personagens (vivos e mortos) continue acontecendo num ritmo "verossímil" - mesmo que a sitcom seja sobre fantasmas. Enquanto hóspedes mais frequentes de Woodstone, torço para que nós espectadores continuemos sendo bem recebidos.
3,5 ⭐️
Björk: Cornucopia
4.4 2Cornucopia é um show bem realizado e muito bonito. Gravado em Lisboa (capital da nossa querida Guiana Brasileira), reforça o apreço de Björk com os detalhes e explora um pouco de sua experimentação visual e sonora. Para os fãs, público alvo da exibição e dessa crítica, não tinha nada muito novo.
Essa impressão se estendeu ao setlist, ao meu ver um tanto cansativo. Cornucopia é baseado no álbum Utopia, conhecido pelos instrumentos de sopro e sons de animais. Através do áudio imersivo proposto por Björk, a ideia era transportar o espectador a um universo de natureza própria, com texturas e paisagens oníricas. Ainda que eu admire o objetivo, para um projeto como esse — exibido em salas de cinema mundialmente — seria bem-vinda uma seleção de músicas que explorasse mais eras da artista.
Sobre assistir a um show na telona, foi interessante e um pouco decepcionante. Atualmente, sinto que os cinemas estão sendo muito descuidados com o áudio, talvez até propositalmente para vender ingressos Plus, Deluxe e afins. Infelizmente, a tendência de piorar um serviço/produto para vender outro, conhecida como merdificação (tradução livre para enshitification), chegou até às principais redes de grandes capitais. Assisti a Cornucopia no UCI New York City Center, conhecido por abrigar algumas das melhores salas de exibição do RJ, e mal senti áudio imersivo, o que era um dos carros chefe divulgados.
No final das contas, foi apenas um show visto com boa qualidade numa tela grande. Lindo, mas nada extraordinário. Valeu a experiência, mas não recomendo.
3,5 ⭐
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 346 Assista AgoraTemporada chata. Final decepcionante.
A ordem dos fatores altera completamente o resultado ao nos comunicarmos. Assim como ideias complexas podem ser simplificadas na transmissão, as mais simples podem se complicar ao não serem bem administradas (Mr. Milchik que o diga).
A segunda temporada de Ruptura sofreu exatamente desse mal: mau uso de recursos narrativos. Ao tentarem lapidar ainda mais a joia que foi a primeira temporada, acabaram por quebrá-la demais, ao ponto de terem em mãos algumas gemas sem valor, apelo ou apego.
Servir o suspense ao espectador não é uma tarefa fácil, muito menos óbvia. Existe um limite do quanto podemos e queremos aguentar. Ao nos apresentar histórias muito fragmentadas e aumentar o número de paredes do labirinto que tínhamos adentrado anteriormente, foi difícil manter aceso o interesse num quebra-cabeça que deixou de ser divertido para se tornar cansativo, desgastante e enfadonho.
Ao finalizar os dez episódios, não sabia o que sentir quanto às muitas personas e histórias que fomos apresentados: briga entre os lados do Mark, arcos de redenção do passado e presente de Cobel e Burt, as 24 (!!!) personas de Genma… Ao meu ver, passou do ponto.
Como um texto que usa muitos parênteses, a mensagem principal acabou por ficar difícil de ser alcançada. A próxima e última temporada precisa, assim como nosso magnânimo gerente de andar, se despir de palavras difíceis e focar no significado.
3,5 ⭐️
Ruptura (1ª Temporada)
4.5 870 Assista AgoraQue início, meus amigos!!! Sem dúvida, Ruptura tem uma das melhores primeiras temporadas que já assisti - senão a melhor! A série consegue esse feito com a soma de muitos elementos, como ótimas atuações, trilha sonora cativante, direção de arte belíssima (Óptica & Design está de parabéns!) e um roteiro primoroso. Um mote tão simples, sobre separar vida e trabalho, ganha ares de ficção científica ao nos introduzir a um universo em que pessoas podem criar personas diferentes para essas diferentes áreas de suas vidas.
A maneira como a história é construída tem um ritmo constante, mas lembra uma boa tricotagem. No início, não é fácil entender o que está sendo desenvolvido, mas cada ponto nos aproxima do todo de uma maneira quase exasperante.
No último episódio, senti minha respiração tensa quase todo o tempo. Terminei hiperventilando, com lágrimas nos olhos e passado alguns segundos gargalhei de satisfação. Poucas vezes me senti tão envolvido com algo, inclusive num nível pessoal. Como alguém que já experienciou a síndrome do esgotamento profissional (conhecido como burnout), várias passagens da história me atingiram de maneira muito específica. E o que foi minha realidade por muitos anos, com efeitos psicológicos ainda sentidos, é uma triste cicatriz social: a necessidade de vender nossas almas para o corporativismo nos esvaziou de quem nós somos.
Essas questões foram muito bem tratadas ao longo de toda a temporada, especialmente nos episódios centrais. Mas, para que elas brilhassem, foi preciso colocar o ser humano no centro, o que Ben Stiller e sua equipe conseguiram fazer unindo três gêneros narrativos: suspense, terror psicológico e comédia. Enquanto os dois primeiros usualmente andam juntos, o tom humorístico usado em alguns momentos da série foi o alívio necessário para que as temáticas densas fossem digeridas da melhor maneira possível.
Tendo assistido a esta primeira temporada três anos após o lançamento, já sabia de como Ruptura tem sido marcante tanto para a crítica especializada quanto para o público. Ainda assim, superou minhas expectativas e já conseguiu ocupar um lugar muito especial na minha mente. Só espero que não a divida ao meio.
5 ⭐️
Não Olhe para Cima
3.7 1,9K Assista AgoraSimplificando ao extremo, existem três tipos de filme. Os ruins, os bons e os ótimos. "Não Olhe para Cima" se torna ruim ao tentar ser ótimo, quando poderia se contentar em ser um bom filme. Seu principal defeito está no exagero, pois os 140 minutos não se justificam. Muito menos o excesso de personagens secundários, que apresentam narrativas vazias e, portanto, são pouco carismáticos. Os trechos iniciais e finais do longa, os melhores do filme, resumem o que ele tem de melhor: uma crítica social envelopada em comédia nonsense com um elenco estelar.
Em resumo, não recomendo e não me vejo assistindo a esse filme novamente. Tem jeito de filme feito para TV e não mata a vontade de assistir a nenhum dos gêneros que tenta reunir: onde foi apenas uma comédia, tirou poucos sorrisos. Mesmo para um drama leve, não sensibilizou. Quando tentou ser inteligente, foi piegas e óbvio demais.
p.s.: Mark Rylance está CHATÍSSIMO! Se a ideia foi ter um "vilão odioso" e insuportável, conseguiram.
2,5 ⭐️
Black Mirror: White Christmas
4.5 458Considero o melhor episódio de Black Mirror por vários motivos, mas principalmente por ser uma mistura ideal da hiper-tecnologia com o que nos torna mais humanos: nosso poder de conexão com outras pessoas e como isso pode revelar o melhor e o pior de nós.
Logo no início, duas ferramentas se contrapõem: enquanto uma auxilia a aproximação com outras pessoas (mesmo que com questões éticas seríssimas), a outra permite bloquear (literalmente!) aqueles que estão à nossa volta. As duas são lembretes importantes para olharmos nossa relação com a tecnologia de maneira cética e branda, pois afinal todo suposto avanço trará consequências nem sempre muito bem desenhadas.
A outra tecnologia importante mostrada ao longo do episódio é a construção de uma inteligência artificial que é como um espelho/sombra da consciência de uma pessoa. Nos dez anos que separam esse comentário do lançamento, estamos cada vez mais próximos dessa realidade: todos os principais modelos de linguagem de larga escala (LLMs) têm funções de memória e personalização. Somar a isso tudo o que os principais serviços digitais sabem de nós - pois Youtube, Netflix e redes sociais já usam inteligência artificial há muito tempo - é perceber como temos “pequenas versões” nossas espalhadas por aí, nossos cookies.
O roteiro é inteligentíssimo ao amarrar isso tudo de maneira fluida, emocional e principalmente relacional. A construção da conversa entre os protagonistas é excelente e o acúmulo de pequenos elementos e pistas fazem a revelação final ser impactante e, ao mesmo tempo, esperada. Ou seja, não chega a ser um plot twist porque estivemos o tempo inteiro no olho do furacão.
Com todas essas qualidades, esse episódio é um dos que tem “cara de filme” (os outros sendo Beyond the Sea e Demon 79) e é, sem dúvidas, um dos que você grita com gosto: “isso é muito Black Mirror, mano!”.
5 ⭐
Eu, Tonya
4.1 1,4K Assista AgoraFilme muito interessante e bem realizado. Tem roteiro e montagem/edição como melhores aspectos técnicos. A atuação dos protagonistas é envolvente, mas a da mãe (mesmo com um papel menor) se destaca. Ela provoca certa simpatia acompanhada de uma raiva palpável - é um personagem realmente humano e realista, em que as qualidades e defeitos estão misturados ao ponto de se confundirem.
No meio do filme, no entanto, me senti um pouco cansado, queria que acabasse logo. Como espectador, pensei em dois caminhos: funcionaria bem como uma minissérie ou parte das cenas com o guarda costas (que achei chatíssimo) poderiam ser mais dinâmicas. Ainda assim, não foi nada excessivamente incômodo.
O final foi meio atropelado, mas finalizou com um impacto positivo.
4 ⭐️
Um Contratempo
4.2 2,0KTerminei o filme com o coração acelerado! Que viagem incrível que essa história nos faz embarcar!
Em certo momento, eu me perdi um pouco, mas acredito que a confusão foi uma das sensações que o longa propôs: o ping pong entre os reais protagonistas quis desnortear, mas soube recuperar o fio da meada. Fazia ANOS que eu não assistia a um suspense tão envolvente. Mesmo tendo calma para desenvolver uma certa familiaridade com alguns personagens, manteve ritmo eletrizante o bastante para segurar a atenção em todos os momentos.
Atribuo essa característica aos diálogos incríveis e ainda melhores reviravoltas. Assim como nos melhores livros da Agatha Christie, o roteiro brinca com a imaginação do espectador numa espécie de jogo mental muito interessante.
Acho que só não é "perfeito" porque nos pede um deslocamento da realidade muito grande próximo ao final. Tem alguns comentários abaixo que detalham melhor esse ponto - cuidado com spoiler! Ainda assim, as ótimas atuações conseguiram me manter vidrado! Filmaço!
4,5 ⭐️
A Vida por Philomena Cunk
3.7 15 Assista AgoraWe’re all in the big bang gang.
Clássico humor britânico: quilos de nonsense e uma pitada de piadas desconfortáveis.
Não vai agradar todos os públicos - e nem pretende - mas é interessante como reflexão de quão inacessíveis são tantos dos temas tratados ao longo do “mockumentary”.
Religião, arte, ciências biológicas, matemática, física… Tópicos que deveriam estar no nosso cotidiano e que são tratados nos noticiários de maneira que cria um certo distanciamento na população em geral.
Philomena Cunk, com toda sua loucura, acaba por resumir bem como nada do que é tratado ali faz muito sentido no nosso dia a dia mesmo.
3,5 ⭐️
A Chegada
4.2 3,5K Assista AgoraQue filme lindo! Ainda que a trama seja construída em torno dos alienígenas, na realidade a história tem mais elementos de suspense e drama. A linguagem é a verdadeira protagonista e serve de lembrança da importância dela em nossas vidas. E concordo com a Dra Banks: é uma das pedras fundamentais de uma nação.
Um filme lento, sim, mas os "vazios" são propositais e nos ajudam a estar junto com os personagens, a sentir a tensão deles. É, de certa forma, um convite para que desvendemos os mistérios apresentados na nossa mente, assim como os especialistas estão tentando fazer.
A cena da conversa dela com o dirigente chinês realmente pode(ria) ser uma ponta solta. Minha teoria é que a ponte entre tempos diferentes (principalmente presente e futuro) não são "fixas". A escrita deles não é em fumaça à toa. Enquanto ela estava numa interação mais frequente com os aliens, acredito que ela conseguiu "viver" a circularidade do tempo com maior fluidez. Ou seja, não é impossível que ela esquecesse do episódio em que conversou com o dirigente. A história fundamental que ela não esqueceria era a da filha. Enquanto, para o dirigente, a decisão dele que mudaria o curso da história.
Vale a pena assistir num dia tranquilo, sem celular perto e com atenção aos detalhes. É um filme feito com carinho e passa uma imagem de esperança bonita: é no hoje que construímos o futuro desejado.
4 ⭐️
O Reino dos Gatos
3.9 413 Assista AgoraFofo demais! Descompromissado, o que amei. Ainda assim, um pouco previsível e com roteiro simples, o que acredito que poderia ser melhorado sem perder o tom leve.
Sou uma pessoa que aprendeu a amar gatos com minha mãe (que é um tanto “salvadora de gatos afiltos”), então a cena em que…
a gente descobre que a gatinha branca que ajuda a protagonista foi a que ela salvou da fome me trouxe lágrimas aos olhos!
Recomendo!
Suzume
3.9 138 Assista AgoraFilme cativante, envolvente e acelerado na medida certa.
Por pouco, não entrou na lista dos meus favoritos. Acredito que faltou apenas algo que o tornasse mais "centrado" e coeso, mas não consigo exemplificar muito bem.,.
Nós
3.8 2,4K Assista AgoraConfesso que fiquei decepcionado.
Não com os atores, fotografia, sonoplastia/trilha sonora nem mesmo com a direção.
Mas que roteiro é esse, minha gente? E sim, sei que também foi escrito pelo diretor, o que só aumenta minha decepção.
Nós não é o filme que precisa ser reassistido pra entender. Nem que precisa de explicação para "eureka!" acontecer.
Esses tipos de filme deixam pistas e caminhos dentro da narrativa que te impulsionam a descobrir mais, o que esse filme não fez.
O que ele é, pra mim, é só um ótimo filme mas um péssimo sci-fi.
Marvin
3.7 71 Assista AgoraEsse filme me tocou de diversas formas, principalmente por conta de dois pontos centrais na narrativa e na construção da personalidade do protagonista.
Em primeiro lugar, me identifiquei pela sensação de exílio que tinha dentro da minha própria família que, mesmo que nunca tenha sido agressiva ou hostil, só passou a me abraçar completamente depois de eu deixar claro que sangue pra mim importava menos do que o carinho verdadeiro. O significado que o filme atribui a exílio inclusive me deu um estalo que fez eu observar outras relações e me fez refletir um bom tempinho.
Além disso, a relação que ele construiu com um homem mais velho e, por conta disso, o banho de água fria que levou ao ser desqualificado como aproveitador doeu em mim também. Me vi nesse drama, por também já ter me relacionado com caras mais velhos (e com maior estabilidade financeira em alguns casos) e já me questionei como outros me viam em situações assim.
Enfim, filmaço!