Este filme retrata uma experiência fantástica e comovente com uma grande beleza e sensibilidade. Quando eu vi o trailer entendi que veria um grande filme, mas ele conseguiu ir além, superando as expectativas. Não é só uma grande estória, mas é cheia de surpresas do começo ao fim.
Uma reflexão de vida. A que confins é capaz de chegar o coração humano na busca do outro. Que barreiras consegue ultrapassar a mente humana no lugar mais perdido. É comovente acompanhar Marie e Marguerite tateando por caminhos escuros para se encontrar e se compreender. A fúria, o desespero, o desânimo, o recomeço, recomeço, recomeço. O título em português resume bem: um filme para o coração acima de tudo.
[veja este comentário com ilustrações em: http://100-linguagens.blogspot.com.br/2015/02/sussurros-do-coracao.html]
Shizuku é uma adorável adolescente de quatorze anos mas, ao contrário de suas amigas, é impulsionada por uma inquietude interior, que a faz querer algo mais e a torna diferente. Ela lê, compõe e canta e, entre a pilha de livros para ler nestas férias, descobre que alguém tem tomado emprestado os mesmos livros que ela. Alguém como ela?
Uma brisa lhe sussurra grandes sonhos no coração, e então você entende que se decidir ir buscá-los nunca mais poderá ser o mesmo.
“Por que eu tive que mudar? Eu costumava ser uma criança boa e honesta. Mesmo quando eu estou lendo um livro não sinto a mesma empolgação de antes. Agora é como se alguém sussurrasse no meu coração, dizendo que eu não posso continuar assim.”
A rebelde Shizuku vive em seu pequeno mundo este dilema. O coração de uma adolescente, entre a descoberta de seu primeiro amor e a sua visão tão singular do mundo, nos cativa a acompanhá-la em uma jornada pessoal. O mundo particular de Shizuku, que navega entre o real e suas estórias, o gato de muitos nomes, encontros e desencontros da adolescência, as amigas, a família, a paciência do seu pai:
“Tudo bem, Shizuku. Você vai fazer o que acredita. Mas será difícil encontrar seu próprio caminho. Se alguma coisa acontecer, você não terá a quem culpar.”
Mas há também o sonho de Seiji, seu primeiro amor, de se tornar um mestre artesão de violinos. Um encontro de dois espíritos singulares, cujo amor impulsiona o florescimento de seus talentos. Como pode seu desejo de crescer individualmente se sintonizar com aquele de se doar? Seiji sonha em estudar na Itália.
É um filme construído sobre cenas belas, sensíveis e comoventes. Os cenários parecem obras de arte. A sonorização se compõe perfeitamente com as imagens na construção das cenas. Do aconchego das casas, aos pássaros nas ruas tranquilas, ao movimento dos carros nas rodovias movimentadas.
A primeira vez que assisti a um desenho do Estúdio Ghibli como este (A Viagem de Chihiro) eu tive a impressão de nunca ter visto um desenho animado antes na vida. Tal como Chihiro, este desenho impressiona não apenas pela beleza das imagens, mas por não infantilizar seu enredo e cair no maniqueísmo de bonzinho e malvado.
“Se você escutar atentamente”, uma estória dentro da estória; o livro de Shizuku. Este título impressionante tem o poder de nos trazer uma síntese da jornada aos seus olhos.
Não é um desenho só para crianças. Não apenas pelo excelente enredo, mas porque me trouxe boas recordações da ingenuidade e pureza do amor vivido na adolescência. Terminei este filme com o espírito renovado.
Você não deixará de se surpreender no trajeto desta doce estória. E se lágrimas brotarem na cena em que Shizuku canta ao violino de Seiji, então seremos dois =)
A estória não impressiona. Uma narrativa bobinha de heróis. Mas o Baymax é imperdível, eu dei muitas gargalhadas com ele! Uma combinação sensacional de um robô desajeitado e sensível, que interage com um adolescente no ápice de suas revoltas.
Em um final de aula a pequena Joana pergunta à professora: "Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois?" Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem, 1998
Toda vez que eu vejo finais felizes "fáceis" eu me pergunto o que vem depois. E a questão de Joana pode ser considerada um resumo deste filme: o que acontece depois de um final feliz. De certo modo, diversos filmes românticos criam uma mitologia de amor rápido e intenso, capaz de preencher cada espaço e resolver cada diferença, simplificando os verdadeiros grandes desafios que se farão na longa estrada.
Quando o diretor encarou contar o que vem depois em Antes da Meia-Noite, ele decidiu seguir a mesma abordagem bem-sucedida do capítulo anterior: fazer um filme nove anos depois do anterior, tanto no filme quanto no mundo real. Esta técnica permite não apenas ter personagens realmente mais velhos, mas também explorar a sua maturidade, experiência de vida e visão de mundo.
Este filme nos mostra a verdadeira beleza do amor, desafiando a longa estrada da vida; o atrito e desgaste das relações; o balanço entre nossas expectativas e egoísmo versus nossa generosidade e impulso a compartilhar a experiência da vida. Não há resposta final, não há posição absolutamente correta e isto leva à questão da aceitação ou resignação, como foi bem colocado por Tim Lott em seu comentário.
Como o amor luta nas sombras da pobreza humana é a beleza deste filme. Isto é muito maior que rompantes intensos de paixão em momentos de paraíso. Esta percepção me toca profundamente e me faz crer que há algo no amor que transcende a condição humana.
Os fatos depois que acontecem viram memória e a verdade se torna plástica como a memória. Este filme é baseado em uma estória real e o seu final lhe convencerá disso. Ao desvendar um enorme escândalo da participação do governo americano em uma operação de tráfico de drogas, o jornalista Gary Webb sai à caça da verdade. Ele descobrirá que a plástica da verdade se transmuta a depender de quem a revela e quando a revela.
Viramos abóbora? Reflexões sobre o paraíso passado.
(recomendo que só leia este comentário depois de assistir o filme anterior a este, Antes do Amanhecer, pois o segundo filme revela surpresas que você não devia saber ao assistir o primeiro)
Nove anos depois de nos dar um relance do paraíso no filme Antes do Amanhecer (Before Sunrise), os autores e diretor resolvem contar: ... e como seria nove anos depois. Este é o filme Antes do Pôr-do-sol (Before Sunset). Tanto no filme quanto no mundo real (gravação do filme) se passaram nove anos. Portanto, os personagens envelheceram de fato nove anos e amadureceram nove anos.
A música de abertura, An Ocean Apart, é uma espécie de síntese do que nos aguarda: “You promised to stay in touch when we're apart You promised before I left that you'll always love me. Time goes by, people cry, everything goes too fast.”
Nove anos depois daquele encontro, Jesse está em um dia de autógrafos na legendária livraria Shakespeare and Company em Paris. Ele remonta no livro aquela experiência que ficou marcada como um paraíso inalcançável, já que ele não havia encontrado mais aquela garota e não sabia como encontrá-la. Não pude deixar de ficar comovido, quando Céline simplesmente aparece.
O filme cria uma estória e um cenário perfeitos para confrontar dois universos. De um lado, está um paraíso passado. Uma lembrança de uma paixão intensa. Do outro, está a crua realidade vivida em nove anos. As escolhas, as crenças, os novos ideais, a perplexidade perante o mundo.
Isto acontece no mesmo estilo do filme anterior. Um diálogo pelas ruas de Paris, que parte de uma segura conversa sobre trivialidades – o livro, o trabalho – e vai se tornando profunda e intensa. Afloram os sentimentos e as frustrações. É como se cada um deles estivesse conversando com uma imagem do outro que ficou há 9 anos atrás. O presente concreto cobra a conta das promessas feitas no passado.
Por trás de um diálogo casual o casal envereda por um questionamento profundo sobre a paixão e o amor. O que sobrou afinal? Quão longe aquele universo paralelo gerado por aquela paixão pode ir, rompendo os desafios do cotidiano e a descoberta dos limites do outro?
Prepare-se para assistir um filme intenso, honesto e belo ao seu modo. Com um final que me surpreendeu!
“Mas então chega a manhã, e viramos abóboras, certo?” Antes do Amanhecer
Quando penso na diferença entre o cinema e o mundo real, me vem em mente os filmes românticos. Até que ponto estes filmes refletem (mesmo que ampliando) verdadeiros romances? Ou é exatamente o contrário, criam uma mitologia na qual os romances tentam se espelhar. Do que você lembra sobre sua história (ou histórias) romântica? Se parece com isso(?):
Você corre desesperado para a estação achando que não fará em tempo de encontrá-la e que tudo estará terminado. Ela está partindo desiludida, determinada a não vê-lo nunca mais. Então vocês se encontram e você declara seu amor. Tudo fica magicamente bem. Vocês se beijam.
Não é que não haja momentos marcantes e eventualmente heroicos. Também não quer dizer que eu não me emocione (repetidas vezes) com cenas como esta, por mais previsíveis que sejam. Mas ao assistir o filme Antes do Amanhecer (Before Sunrise) eu pensei: é exatamente isso!
Os caminhos de Jesse e Céline se cruzam em um trem. Ele está indo para Viena e ela para Paris. Eles decidem descer e passar o dia juntos em Viena, antes que Jesse viaje no dia seguinte de volta para os Estados Unidos. Então você acompanha a dança do amor. Aquela vontade de se conhecer que não termina. Ora se aproximam, ora se estranham. Tudo corre na delicadeza dos diálogos pelas ruas de Viena. Por serem estranhos um ao outro, eles ganham uma liberdade de abrir-se sem preconceitos. Criam a intimidade de um mundo paralelo, em que estão só os dois. A cigana e o poeta cruzam seu caminho, mas parecem fazer parte do cenário.
Os diálogos são o aspecto marcante do filme. Tanto pelo esforço dos autores/diretor em aproximar-nos das falas de dois jovens de vinte e poucos anos -- com toda a sua ingenuidade frente às ideologias e impulsividade em abraçá-las/rejeitá-las -- quanto pela excelente interpretação dos atores. O filme dispensa cenas espetaculares para nos fazer presenciar as sutilezas de uma paixão arrebatadora:
“É como se nosso tempo juntos fosse só nosso. É nossa própria criação. Deve ser como se eu estivesse no seu sonho, e você no meu. E o mais legal é que toda essa noite... todo o nosso tempo juntos, não devia realmente estar acontecendo. É, eu sei. Talvez seja por isso que parece tão de outro mundo. Mas então chega a manhã, e viramos abóboras, certo?” (diálogo entre Jesse e Céline em Antes do Amanhecer)
Não vou contar o final, mas surpreende como o resto do filme.
Nove anos depois o mesmo diretor lança o filme Antes do Pôr-do-sol (Before Sunset), com Jesse e Céline nove anos depois pelas ruas de Paris. Ele é tão profundo e talvez mais surpreendente que o primeiro. Pelo diálogo do casal os autores nos fazem olhar para trás e nos mergulham em uma reflexão. A força da paixão e do amor se lançam contra as paredes do mundo real. Não lhes darei mais detalhes para não estragar a surpresa. Quem sabe um dia eu escreva um post sobre este segundo episódio =)
Até agora, todos os filmes que eu tenho visto usam atores diferentes para mostrar pessoas crescendo ao longo de suas vidas. Mas eu reconheço as pessoas pelo seu olhar. Mesmo que você possa encontrar um segundo ator bem parecido com o primeiro, eles nunca terão o mesmo olhar. E este é um filme fabuloso se você considerar somente esta técnica de acompanhar as pessoas “realmente” crescendo. Especialmente o Mason, cujo olhar e inquietude são marcantes, enquanto ele cresce em frente aos nossos olhos de sua infância à juventude.
Um filme mostrando a beleza, a luta, as alegrias e o drama de uma família que se recompõe em múltiplas facetas. O diretor investe na sensibilidade da vida corriqueira ao invés dos grandes eventos. Um projeto maravilhoso, que definitivamente vale a pena ver.
A Linguagem do Coração
4.3 46Este filme retrata uma experiência fantástica e comovente com uma grande beleza e sensibilidade. Quando eu vi o trailer entendi que veria um grande filme, mas ele conseguiu ir além, superando as expectativas. Não é só uma grande estória, mas é cheia de surpresas do começo ao fim.
Uma reflexão de vida. A que confins é capaz de chegar o coração humano na busca do outro. Que barreiras consegue ultrapassar a mente humana no lugar mais perdido. É comovente acompanhar Marie e Marguerite tateando por caminhos escuros para se encontrar e se compreender. A fúria, o desespero, o desânimo, o recomeço, recomeço, recomeço. O título em português resume bem: um filme para o coração acima de tudo.
Sussurros do Coração
4.3 501 Assista Agora[veja este comentário com ilustrações em: http://100-linguagens.blogspot.com.br/2015/02/sussurros-do-coracao.html]
Shizuku é uma adorável adolescente de quatorze anos mas, ao contrário de suas amigas, é impulsionada por uma inquietude interior, que a faz querer algo mais e a torna diferente. Ela lê, compõe e canta e, entre a pilha de livros para ler nestas férias, descobre que alguém tem tomado emprestado os mesmos livros que ela. Alguém como ela?
Uma brisa lhe sussurra grandes sonhos no coração, e então você entende que se decidir ir buscá-los nunca mais poderá ser o mesmo.
“Por que eu tive que mudar?
Eu costumava ser uma criança boa e honesta.
Mesmo quando eu estou lendo um livro não sinto a mesma empolgação de antes.
Agora é como se alguém sussurrasse no meu coração, dizendo que eu não posso continuar assim.”
A rebelde Shizuku vive em seu pequeno mundo este dilema. O coração de uma adolescente, entre a descoberta de seu primeiro amor e a sua visão tão singular do mundo, nos cativa a acompanhá-la em uma jornada pessoal. O mundo particular de Shizuku, que navega entre o real e suas estórias, o gato de muitos nomes, encontros e desencontros da adolescência, as amigas, a família, a paciência do seu pai:
“Tudo bem, Shizuku. Você vai fazer o que acredita.
Mas será difícil encontrar seu próprio caminho.
Se alguma coisa acontecer, você não terá a quem culpar.”
Mas há também o sonho de Seiji, seu primeiro amor, de se tornar um mestre artesão de violinos. Um encontro de dois espíritos singulares, cujo amor impulsiona o florescimento de seus talentos. Como pode seu desejo de crescer individualmente se sintonizar com aquele de se doar? Seiji sonha em estudar na Itália.
É um filme construído sobre cenas belas, sensíveis e comoventes. Os cenários parecem obras de arte. A sonorização se compõe perfeitamente com as imagens na construção das cenas. Do aconchego das casas, aos pássaros nas ruas tranquilas, ao movimento dos carros nas rodovias movimentadas.
A primeira vez que assisti a um desenho do Estúdio Ghibli como este (A Viagem de Chihiro) eu tive a impressão de nunca ter visto um desenho animado antes na vida. Tal como Chihiro, este desenho impressiona não apenas pela beleza das imagens, mas por não infantilizar seu enredo e cair no maniqueísmo de bonzinho e malvado.
“Se você escutar atentamente”, uma estória dentro da estória; o livro de Shizuku. Este título impressionante tem o poder de nos trazer uma síntese da jornada aos seus olhos.
Não é um desenho só para crianças. Não apenas pelo excelente enredo, mas porque me trouxe boas recordações da ingenuidade e pureza do amor vivido na adolescência. Terminei este filme com o espírito renovado.
Você não deixará de se surpreender no trajeto desta doce estória. E se lágrimas brotarem na cena em que Shizuku canta ao violino de Seiji, então seremos dois =)
Operação Big Hero
4.2 1,9K Assista AgoraA estória não impressiona. Uma narrativa bobinha de heróis. Mas o Baymax é imperdível, eu dei muitas gargalhadas com ele! Uma combinação sensacional de um robô desajeitado e sensível, que interage com um adolescente no ápice de suas revoltas.
Antes da Meia-Noite
4.1 1,5K Assista AgoraEm um final de aula a pequena Joana pergunta à professora: "Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois?"
Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem, 1998
Toda vez que eu vejo finais felizes "fáceis" eu me pergunto o que vem depois. E a questão de Joana pode ser considerada um resumo deste filme: o que acontece depois de um final feliz. De certo modo, diversos filmes românticos criam uma mitologia de amor rápido e intenso, capaz de preencher cada espaço e resolver cada diferença, simplificando os verdadeiros grandes desafios que se farão na longa estrada.
Quando o diretor encarou contar o que vem depois em Antes da Meia-Noite, ele decidiu seguir a mesma abordagem bem-sucedida do capítulo anterior: fazer um filme nove anos depois do anterior, tanto no filme quanto no mundo real. Esta técnica permite não apenas ter personagens realmente mais velhos, mas também explorar a sua maturidade, experiência de vida e visão de mundo.
Este filme nos mostra a verdadeira beleza do amor, desafiando a longa estrada da vida; o atrito e desgaste das relações; o balanço entre nossas expectativas e egoísmo versus nossa generosidade e impulso a compartilhar a experiência da vida. Não há resposta final, não há posição absolutamente correta e isto leva à questão da aceitação ou resignação, como foi bem colocado por Tim Lott em seu comentário.
Como o amor luta nas sombras da pobreza humana é a beleza deste filme. Isto é muito maior que rompantes intensos de paixão em momentos de paraíso. Esta percepção me toca profundamente e me faz crer que há algo no amor que transcende a condição humana.
http://100-linguagens.blogspot.com.br/2014/12/antes-da-meia-noite.html
O Mensageiro
3.6 91 Assista AgoraOs fatos depois que acontecem viram memória e a verdade se torna plástica como a memória. Este filme é baseado em uma estória real e o seu final lhe convencerá disso. Ao desvendar um enorme escândalo da participação do governo americano em uma operação de tráfico de drogas, o jornalista Gary Webb sai à caça da verdade. Ele descobrirá que a plástica da verdade se transmuta a depender de quem a revela e quando a revela.
Antes do Pôr-do-Sol
4.2 1,5K Assista AgoraViramos abóbora? Reflexões sobre o paraíso passado.
(recomendo que só leia este comentário depois de assistir o filme anterior a este, Antes do Amanhecer, pois o segundo filme revela surpresas que você não devia saber ao assistir o primeiro)
Nove anos depois de nos dar um relance do paraíso no filme Antes do Amanhecer (Before Sunrise), os autores e diretor resolvem contar: ... e como seria nove anos depois. Este é o filme Antes do Pôr-do-sol (Before Sunset). Tanto no filme quanto no mundo real (gravação do filme) se passaram nove anos. Portanto, os personagens envelheceram de fato nove anos e amadureceram nove anos.
A música de abertura, An Ocean Apart, é uma espécie de síntese do que nos aguarda:
“You promised to stay in touch when we're apart
You promised before I left that you'll always love me.
Time goes by, people cry, everything goes too fast.”
Nove anos depois daquele encontro, Jesse está em um dia de autógrafos na legendária livraria Shakespeare and Company em Paris. Ele remonta no livro aquela experiência que ficou marcada como um paraíso inalcançável, já que ele não havia encontrado mais aquela garota e não sabia como encontrá-la. Não pude deixar de ficar comovido, quando Céline simplesmente aparece.
O filme cria uma estória e um cenário perfeitos para confrontar dois universos. De um lado, está um paraíso passado. Uma lembrança de uma paixão intensa. Do outro, está a crua realidade vivida em nove anos. As escolhas, as crenças, os novos ideais, a perplexidade perante o mundo.
Isto acontece no mesmo estilo do filme anterior. Um diálogo pelas ruas de Paris, que parte de uma segura conversa sobre trivialidades – o livro, o trabalho – e vai se tornando profunda e intensa. Afloram os sentimentos e as frustrações. É como se cada um deles estivesse conversando com uma imagem do outro que ficou há 9 anos atrás. O presente concreto cobra a conta das promessas feitas no passado.
Por trás de um diálogo casual o casal envereda por um questionamento profundo sobre a paixão e o amor. O que sobrou afinal? Quão longe aquele universo paralelo gerado por aquela paixão pode ir, rompendo os desafios do cotidiano e a descoberta dos limites do outro?
Prepare-se para assistir um filme intenso, honesto e belo ao seu modo. Com um final que me surpreendeu!
http://100-linguagens.blogspot.com.br/2012/11/antes-do-por-do-sol.html
Antes do Amanhecer
4.3 2,0K Assista Agora“Mas então chega a manhã, e viramos abóboras, certo?”
Antes do Amanhecer
Quando penso na diferença entre o cinema e o mundo real, me vem em mente os filmes românticos. Até que ponto estes filmes refletem (mesmo que ampliando) verdadeiros romances? Ou é exatamente o contrário, criam uma mitologia na qual os romances tentam se espelhar. Do que você lembra sobre sua história (ou histórias) romântica? Se parece com isso(?):
Você corre desesperado para a estação achando que não fará em tempo de encontrá-la e que tudo estará terminado. Ela está partindo desiludida, determinada a não vê-lo nunca mais. Então vocês se encontram e você declara seu amor. Tudo fica magicamente bem. Vocês se beijam.
Não é que não haja momentos marcantes e eventualmente heroicos. Também não quer dizer que eu não me emocione (repetidas vezes) com cenas como esta, por mais previsíveis que sejam. Mas ao assistir o filme Antes do Amanhecer (Before Sunrise) eu pensei: é exatamente isso!
Os caminhos de Jesse e Céline se cruzam em um trem. Ele está indo para Viena e ela para Paris. Eles decidem descer e passar o dia juntos em Viena, antes que Jesse viaje no dia seguinte de volta para os Estados Unidos. Então você acompanha a dança do amor. Aquela vontade de se conhecer que não termina. Ora se aproximam, ora se estranham. Tudo corre na delicadeza dos diálogos pelas ruas de Viena. Por serem estranhos um ao outro, eles ganham uma liberdade de abrir-se sem preconceitos. Criam a intimidade de um mundo paralelo, em que estão só os dois. A cigana e o poeta cruzam seu caminho, mas parecem fazer parte do cenário.
Os diálogos são o aspecto marcante do filme. Tanto pelo esforço dos autores/diretor em aproximar-nos das falas de dois jovens de vinte e poucos anos -- com toda a sua ingenuidade frente às ideologias e impulsividade em abraçá-las/rejeitá-las -- quanto pela excelente interpretação dos atores. O filme dispensa cenas espetaculares para nos fazer presenciar as sutilezas de uma paixão arrebatadora:
“É como se nosso tempo juntos fosse só nosso.
É nossa própria criação.
Deve ser como se eu estivesse no seu sonho, e você no meu.
E o mais legal é que toda essa noite... todo o nosso tempo juntos, não devia realmente estar acontecendo.
É, eu sei. Talvez seja por isso que parece tão de outro mundo.
Mas então chega a manhã, e viramos abóboras, certo?”
(diálogo entre Jesse e Céline em Antes do Amanhecer)
Não vou contar o final, mas surpreende como o resto do filme.
Nove anos depois o mesmo diretor lança o filme Antes do Pôr-do-sol (Before Sunset), com Jesse e Céline nove anos depois pelas ruas de Paris. Ele é tão profundo e talvez mais surpreendente que o primeiro. Pelo diálogo do casal os autores nos fazem olhar para trás e nos mergulham em uma reflexão. A força da paixão e do amor se lançam contra as paredes do mundo real. Não lhes darei mais detalhes para não estragar a surpresa. Quem sabe um dia eu escreva um post sobre este segundo episódio =)
http://100-linguagens.blogspot.com.br/2012/10/antes-do-amanhecer.html
Boyhood: Da Infância à Juventude
4.0 3,7K Assista AgoraAté agora, todos os filmes que eu tenho visto usam atores diferentes para mostrar pessoas crescendo ao longo de suas vidas. Mas eu reconheço as pessoas pelo seu olhar. Mesmo que você possa encontrar um segundo ator bem parecido com o primeiro, eles nunca terão o mesmo olhar. E este é um filme fabuloso se você considerar somente esta técnica de acompanhar as pessoas “realmente” crescendo. Especialmente o Mason, cujo olhar e inquietude são marcantes, enquanto ele cresce em frente aos nossos olhos de sua infância à juventude.
Um filme mostrando a beleza, a luta, as alegrias e o drama de uma família que se recompõe em múltiplas facetas. O diretor investe na sensibilidade da vida corriqueira ao invés dos grandes eventos. Um projeto maravilhoso, que definitivamente vale a pena ver.
http://100-linguagens.blogspot.com.br/2014/11/boyhood.html