Se você está com tempo livre suficiente para maratonar os episódios da Temporada 1, assista a todos de uma vez, ainda que sem maiores ou melhores expectativas.
Os atores são, na média, muito bons, sobretudo os protagonistas. Em compensação, os secundários beiram a mediocridade.
Ben Whishaw, perfeito como o assassino de aluguel Sam, homoafetivo, está cercado por um mar de "dummies" fingindo ser atores de verdade. Talvez por causa do roteiro um tanto quanto perdido entre tentativas de emular filmes de James Bond, que finda por conceber cenas insólitas como a do assassino morto a pedido no jardim da casa do Ministro da Defesa, marido de Helen Webb (a sempre ótima Keira Knightley).
Mrs. Reed é caricata. Tem-se a impressão de que a personagem quer ser uma espécie de filha da "M" interpretada pela insuperável Dame Judi Dench, sendo que pertence ao lado "dark" da Força - os Black Doves vendem informações estratégicas a quem der o maior lance, dentro ou fora dos governos, provando que dinheiro não tem cor ou conhece fronteiras nacionais. (E, sim, como falou alguém aqui nos comentários, caso pensem em uma cinebiografia de Adele, Sarah Lancashire é perfeita para interpretar a mãe da cantora.)
Os atores que interpretam chineses deveriam ser todos teletransportados para a Sessão da tarde, de tão inexpressivos ou ruins, incluindo o amante de Helen - Daisy? Soft Play?, os embaixadores e a filha dependente química do primeiro dignitário.
Enfim, vale pela ambientação londrina e, para quem curte, pela exposição ao mix de sotaques: do RP da saudosa Betinha ao Cockney de East London.
Apesar de ter a cara de produtos televisivos italianos - com certa breguice inerente - vale pelos belos cenários e vistas paradisíacas, pela elegância da caracterização dos personagens e, sobretudo, por relembrar que, em matéria de sentimentos, quase todos somos escravizados e sem autonomia de vontade.
Ah, o ser humano... Sempre insatisfeito, criticando o torto e o direito, achando narcisisticamentei feio o que não é espelho e vendo furos onde sequer há matéria para tanto.
A série da NETFLIX promete desde a premissa inicial: o LUPIN do título é a corruptela de Loupin, não sendo, portanto, a mesma coisa. É LOUPIN-inspired, o que dá liberdade plena e pano para diretores, produtores, atores e roteiristas aparecerem e desaparecerem na telona como bem lhes aprouver, sem as amarras de uma adaptação ou versão filmográfica.
Aliás, a apresentação do personagem clássico Arsène Loupin na forma do "deuso" Omar Sy é, de cara, a primeira quebra de paradigmas. Assane Diop é tudo, menos previsível, monocromático e linear, assim como o ídolo que interpreta com maestria. Definitivamente, como falou em algumas entrevistas, Sy está muito à vontade no papel, "dans sa peau", como dizem na França, e até mesmo feliz por haver encontrado um roteiro que o cativou e convenceu desde as primeiras linhas. Presta-se-lhe um grande favor não ficar comparando com outros trabalhos ou perguntando "Mas como isso ou aquilo é possível numa série que não traz Os vingadores ou X-Men?" De realismo basta a vida. Nem documentários escapam de certa dose de subjetivismo ou subjetividade alegórica.
O ritmo não é, nem de longe, hollywoodiano. É típico das séries policiais - inglesas, canadenses e francesas, sobretudo, às quais os olhos e gostos brasileiros ainda estão se acostumando. Não é uma sucessão desconexa de cenas. Muito pelo contrário, as digressões abertas sempre conduzem o espectador a ver o porquê de certos comportamentos, à guisa de "notas de rodapé" ou "notas do autor".
Outro ponto interessante são as locações. A série francesa mostra os pontos turísticos famosos como secundários, coadjuvantes, sendo dominada, porém, por sítios comuns, como casas decrépitas por fora - e, por vezes, por dentro, palacetes modernizados por cibersegurança, a central de Polícia e a Prefeitura (La Mairie).
Por fim, o fato de ser toda falada em francês é um bálsamo para os francófilos.
Que venham, então, mais "capítulos"!
Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.
Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade
Black Doves (1ª Temporada)
3.3 48 Assista AgoraSe você está com tempo livre suficiente para maratonar os episódios da Temporada 1, assista a todos de uma vez, ainda que sem maiores ou melhores expectativas.
Os atores são, na média, muito bons, sobretudo os protagonistas. Em compensação, os secundários beiram a mediocridade.
Ben Whishaw, perfeito como o assassino de aluguel Sam, homoafetivo, está cercado por um mar de "dummies" fingindo ser atores de verdade. Talvez por causa do roteiro um tanto quanto perdido entre tentativas de emular filmes de James Bond, que finda por conceber cenas insólitas como a do assassino morto a pedido no jardim da casa do Ministro da Defesa, marido de Helen Webb (a sempre ótima Keira Knightley).
Mrs. Reed é caricata. Tem-se a impressão de que a personagem quer ser uma espécie de filha da "M" interpretada pela insuperável Dame Judi Dench, sendo que pertence ao lado "dark" da Força - os Black Doves vendem informações estratégicas a quem der o maior lance, dentro ou fora dos governos, provando que dinheiro não tem cor ou conhece fronteiras nacionais. (E, sim, como falou alguém aqui nos comentários, caso pensem em uma cinebiografia de Adele, Sarah Lancashire é perfeita para interpretar a mãe da cantora.)
Os atores que interpretam chineses deveriam ser todos teletransportados para a Sessão da tarde, de tão inexpressivos ou ruins, incluindo o amante de Helen - Daisy? Soft Play?, os embaixadores e a filha dependente química do primeiro dignitário.
Enfim, vale pela ambientação londrina e, para quem curte, pela exposição ao mix de sotaques: do RP da saudosa Betinha ao Cockney de East London.
Amor Traiçoeiro
2.8 24 Assista Agora"M'ingana que eu gostcho"!
Apesar de ter a cara de produtos televisivos italianos - com certa breguice inerente - vale pelos belos cenários e vistas paradisíacas, pela elegância da caracterização dos personagens e, sobretudo, por relembrar que, em matéria de sentimentos, quase todos somos escravizados e sem autonomia de vontade.
Lupin (Parte 1)
4.0 334 Assista AgoraAh, o ser humano... Sempre insatisfeito, criticando o torto e o direito, achando narcisisticamentei feio o que não é espelho e vendo furos onde sequer há matéria para tanto.
A série da NETFLIX promete desde a premissa inicial: o LUPIN do título é a corruptela de Loupin, não sendo, portanto, a mesma coisa. É LOUPIN-inspired, o que dá liberdade plena e pano para diretores, produtores, atores e roteiristas aparecerem e desaparecerem na telona como bem lhes aprouver, sem as amarras de uma adaptação ou versão filmográfica.
Aliás, a apresentação do personagem clássico Arsène Loupin na forma do "deuso" Omar Sy é, de cara, a primeira quebra de paradigmas. Assane Diop é tudo, menos previsível, monocromático e linear, assim como o ídolo que interpreta com maestria. Definitivamente, como falou em algumas entrevistas, Sy está muito à vontade no papel, "dans sa peau", como dizem na França, e até mesmo feliz por haver encontrado um roteiro que o cativou e convenceu desde as primeiras linhas. Presta-se-lhe um grande favor não ficar comparando com outros trabalhos ou perguntando "Mas como isso ou aquilo é possível numa série que não traz Os vingadores ou X-Men?" De realismo basta a vida. Nem documentários escapam de certa dose de subjetivismo ou subjetividade alegórica.
O ritmo não é, nem de longe, hollywoodiano. É típico das séries policiais - inglesas, canadenses e francesas, sobretudo, às quais os olhos e gostos brasileiros ainda estão se acostumando. Não é uma sucessão desconexa de cenas. Muito pelo contrário, as digressões abertas sempre conduzem o espectador a ver o porquê de certos comportamentos, à guisa de "notas de rodapé" ou "notas do autor".
Outro ponto interessante são as locações. A série francesa mostra os pontos turísticos famosos como secundários, coadjuvantes, sendo dominada, porém, por sítios comuns, como casas decrépitas por fora - e, por vezes, por dentro, palacetes modernizados por cibersegurança, a central de Polícia e a Prefeitura (La Mairie).
Por fim, o fato de ser toda falada em francês é um bálsamo para os francófilos.
Que venham, então, mais "capítulos"!