"Eu acho que o aborto ser legalizado e o aborto ser banalizado são coisas completamente diferentes. Banalizar o aborto é você ser atendido por um açougueiro, quando você precisar fazer um aborto. Banalizar o aborto é você fingir que ele não existe e colocar uma cortina na frente."
Como alguém pode pensar que o abordo é algo fácil para a mulher? Talvez para o homem, a quem a responsabilidade de um filho não é muitas vezes questionada... "quem pariu Mateus que o embale"... realmente, a responsabilidade é só de quem pare? E depois essas mulheres são punidas por transarem e por mero descuido, ou não, engravidam e lhe são negados o mínimo tratamento, como se sua vida valesse menos que a do pai ausente, ou a do feto. Temos que ter coragem e encarar os fatos: mulheres com histórias de vida, luta e tristezas, alegrias e infortúnios, são menos importantes para pessoas "pró-vida" do que um feto, que por outros motivos poderia não vir a nascer. Encaremos que o aborto existe e que fetos são abortados, que mulheres guardam silêncio sobre, que muitas já fizeram, pessoas que seguiram com suas vidas normalmente, não como criminosas, mas que optaram por não ser mães, porque não queriam e não podiam, simples assim. Mulheres que têm condições financeiras, ou mesmo que se afundam em dívidas, conseguem abortar sem prejuízos físicos. As que não, tomam remédios, fazem o procedimento em lugares e com pessoas despreparadas, são tratadas de forma desumana. Aquelas que vão parar nos hospitais, lhe são negadas o atendimento, por médicos criminosos, que, ao contrário, as denunciam por seu ato desesperado. É muito triste a hipocrisia. É triste em um Estado laico vozes religiosas terem tanto poder. Ver homens decidindo sobre aquilo que não sentem na pele. E o pior de tudo: é triste as pessoas não terem empatia. Muitos dizem que o feminismo acabou, que não é necessário ou que é coitadismo. Mulheres morrem, são destratadas, sofrem violência constante, não são verdadeiramente livres ou donas dos seus corpos. Quando nos deparamos com documentários como esse fica impossível não enxergar a verdade. Falta diálogo, falta empatia.
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Clandestinas
4.5 33"Eu acho que o aborto ser legalizado e o aborto ser banalizado são coisas completamente diferentes. Banalizar o aborto é você ser atendido por um açougueiro, quando você precisar fazer um aborto. Banalizar o aborto é você fingir que ele não existe e colocar uma cortina na frente."
Como alguém pode pensar que o abordo é algo fácil para a mulher? Talvez para o homem, a quem a responsabilidade de um filho não é muitas vezes questionada... "quem pariu Mateus que o embale"... realmente, a responsabilidade é só de quem pare? E depois essas mulheres são punidas por transarem e por mero descuido, ou não, engravidam e lhe são negados o mínimo tratamento, como se sua vida valesse menos que a do pai ausente, ou a do feto. Temos que ter coragem e encarar os fatos: mulheres com histórias de vida, luta e tristezas, alegrias e infortúnios, são menos importantes para pessoas "pró-vida" do que um feto, que por outros motivos poderia não vir a nascer. Encaremos que o aborto existe e que fetos são abortados, que mulheres guardam silêncio sobre, que muitas já fizeram, pessoas que seguiram com suas vidas normalmente, não como criminosas, mas que optaram por não ser mães, porque não queriam e não podiam, simples assim. Mulheres que têm condições financeiras, ou mesmo que se afundam em dívidas, conseguem abortar sem prejuízos físicos. As que não, tomam remédios, fazem o procedimento em lugares e com pessoas despreparadas, são tratadas de forma desumana. Aquelas que vão parar nos hospitais, lhe são negadas o atendimento, por médicos criminosos, que, ao contrário, as denunciam por seu ato desesperado. É muito triste a hipocrisia. É triste em um Estado laico vozes religiosas terem tanto poder. Ver homens decidindo sobre aquilo que não sentem na pele. E o pior de tudo: é triste as pessoas não terem empatia. Muitos dizem que o feminismo acabou, que não é necessário ou que é coitadismo. Mulheres morrem, são destratadas, sofrem violência constante, não são verdadeiramente livres ou donas dos seus corpos. Quando nos deparamos com documentários como esse fica impossível não enxergar a verdade.
Falta diálogo, falta empatia.