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Vale Abraão é a história de Ema, uma mulher de uma beleza ameaçadora.
Para Carlos, o marido com quem casou sem amor, 'um rosto como o seu pode justificar a vida de um homem'. O seu gosto pelo luxo, as ilusões que tem na vida, o desejo que inspira aos homens, fazem-lhe valer o epíteto de 'A Bovarinha'. Conhecerá três amantes, mas esses amores sucessivos não conseguem suster um sentimento crescente de desilusão que a leva a definir-se como nada mais que 'um estado de alma em balouço'. Ema morrerá - 'acidentalmente? Quem sabe?' - num dia de sol radioso, depois de se ter vestido como se fosse para ir a um baile
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Creio que criei em mim um certo ranço ou aversão recente ao cinema português e em consequência à Manoel de Oliveira, mas toda esta narrativa literária, com um excesso de vontade em demonstrar coloquialidade está me dando nos nervos. Vale Abrãao é quase um livro filmado, beirando ao insuportável quando não há limite para a narração em off combinado com muita mas muita pouca ação. Falaram , falaram mas não ouvi foi nada.
Filme magnífico! A quantidade de traições, desilusões amorosas, homens-chifrudos e belas mulheres. Tudo facilita a identificação do telespectador. Esperava ver mais filmes como esse todos os dias de minha vida para, enfim, naturalizar meus problemas pessoais e psicológicos. Abraço!
Achei muito interessante como, tanto dentro da história, quanto fora dela o relacionamento principal de Vale Abraão foi aceito entre Carlos, de aproximadamente 40 anos e Ema, com 14 anos quando eles se conhecem. Tirando essa premissa difícil de se simpatizar, ainda temos talvez o menos cinematográfico dos filmes que já vi, com a constante monótona voz do narrador nos lembrando como essa história era inicialmente um livro e ninguém se importou de adaptá-la ao meio audiovisual de uma maneira interessante, como é feito em por exemplo "A Grande Aposta" ou em Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra também influenciado por Flaubert só que com um narrador que nos diverte e não entendia como é o caso do filme português.
Para completar além da escolha de uma música que talvez agrade a geração de Oliveira, não faz o mesmo para as seguintes, ainda temos um diálogo que quando não nos mata de tédio nos mata de raiva seja por passar pano para o Salazarismo, seja por termos ricos fazendo pouco caso das classes menos abastadas ("ele parece um espião russo").
Beleza, tempo e desencanto no clássico épico de Manoel de Oliveira.
Uma beleza feminina que não se pode resistir. Diferentes amantes fazem parte e acompanham uma busca natural pela satisfação do viver que caminha por diferentes épocas.
A memória recorda os raros momentos de prazer, relembra-os com insistência e melancolia.
A beleza que afeta imensamente o próximo e o desejo de tantos outros pouco acrescentam, a solidão é permanente. A paz consigo mesma e o destino dúbio em interpretações são acompanhadas pelas melhores sensações e lembranças do passado.
"Vale Abraão" certamente não é meu favorito do diretor, o filme se perde em alguns momentos por ser repetitivo, pouco envolvente e por querer abraçar muitos temas sem sucesso. Contudo, possui qualidades indiscutíveis, muita elegância e cenas marcantes.
Preciso conhecer mais obras do importante diretor português.
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Bom.
Sem dúvida um filme excelente, todo permeado pela beleza e pelo fascínio que esta causa, ainda mais por personagens que representam o aspecto mais mesquinho que poderiam ter vindo da burguesia, que não tem uma espirituosidade que transcende o comum. O destaque se dá no tom poético, as falas são simplesmente um obra de arte, e como o cinema de Manoel de Oliveira (que a cada filme me encanto, e coloquei-me na tarefa de encontrar todos os filmes disponíveis na internet - e consegui tal feito - para quem quiser dou a dica) a literatura permeia sua obra, é necessário portanto ter uma certa erudição, ser leitor de clássicos, ser leitor de escritores renomados e outros menos desconhecidos (como no caso do filme Os Canibais), sempre tendo uma padrão elevado. No mais quando me coloca a assistir aos filmes do diretor, vejo que sou deveras ignorante, e me coloco no empenho de ler as obras que o inspiraram... que sei, são muitas!