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A historia de Van Gogh através de suas obras.
Running a mere two reels, Van Gogh was fledgling filmmaker Alain Resnais' first effort in his documentary series about famous artists. Produced by Pierre Braunberger, who would underwrite most of Resnais' classics of the 1950s and 1960s, the film won several international awards. Concentrating on Van Gogh's paintings, Resnais charts the artist's self-destructive streak and descent into madness -- and at the same time celebrates his brilliance and "lust for life." The narration was written by G. Diehl and R. Hessens. The music, which many reviewers felt was the film's strongest asset, was by Jacques Besse.
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DIdático demais para um Resnais. Mas tudo bem, seu início.
minha leitura de ônibus foi, por algum tempo, as cartas que van gogh direcionava para seu estimado irmão théo; acredito que tenha sido a leitura mais aprazível de que me recordo: aquelas páginas guardavam coleções de inseguranças, impulsos e paixões do pintor diante da sua realidade e dos tremores espirituais que sua obsessão por pintar lhe traziam; fiquei verdadeiramente aturdido ao perceber o domínio que van gogh tinha daquela atividade-de-espírito que ele se dedicava, ele falava das cores como quem fala sobre os móveis da própria casa; articulava seus discursos artísticos com prudência, dialogava com os mestres antigos como delacroix, bruegel e durer; isso demonstra uma tremenda lucidez dele e também o tesão pelos estudos de arte; terminei a leitura com a plena certeza de que ele era um estudioso miserável, um sujeito que seria capaz de vender sua alma pelas tintas, ou mesmo engolir tinta e se pintar por dentro
Assim como uma crítica cinematográfica busca tirar a obra de seu lugar convencional, ir além dos impactos mais imediatos que ela proporciona e tentar articular uma visão acerca da relação entre a proposta do autor e seu manuseio da linguagem do Cinema, Resnais faz processo semelhante com as obras de Van Gogh. Retira-as de suas margens, tira até suas cores, recorta seu microcosmo pictórico em planos detalhes que ressignificam cada parte dos quadros e dá vida a uma nova obra partindo da análise de uma anterior, assim como as maiores das críticas.
Sou fanzaço dos curtas do Resnais
"Esta experiência de ordem dramática e cinematográfica não tem, portanto, nada a ver com a crítica de arte e menos ainda com a biografia científica. Nós sacrificamos voluntariamente a exatidão histórica em favor do mito de Van Gogh. Substituímos frequentemente a evolução de sua vida pela de sua obra. Se preferimos optar pelo preto e branco em detrimento da cor, não foi apenas por dificuldades técnicas. Nós esperávamos que, desta forma, seria mais evidenciada a arquitetura trágica da pintura de Van Gogh. A multiplicidade dos planos (quase tão numerosos quanto num longa-metragem) nos obrigava dar à música uma importância preponderante. Ela não estava lá apenas para ‘acompanhar’ as imagens, mas para criar o próprio esqueleto do filme. É a ela que cabia o papel de soldar as obras entre si e de tornar coerente o universo de Van Gogh. E isso, creio eu, Jacques Besse compreendeu bem. Entretanto, esforçamo-nos para que, de maneira alguma, a obra do pintor fosse substituída por uma dramatização arbitrária, cujo modo de ação sobre o espectador seria completamente estrangeiro ao quadro."
- Alain Resnais, Ciné-Club, dezembro de 1948. (retirado do catálogo Alain Resnais – a revolução discreta da memória)
(...) Quanto às objeções puramente estéticas, diferentes do aspecto pedagógico do problema, elas partem, evidentemente, de um mal-entendido que faz exigir explicitamente do cineasta algo diferente do que ele propõe. Na verdade, Van Gogh ou Goya não são, ou não são apenas, uma nova apresentação das obras desses pintores. O cinema não desempenha de modo algum o papel subordinado e didático das fotografias num álbum ou das projeções fixas numa conferência. Os próprios filmes são obras. A justificação deles é autônoma. Não se deve julgá-los somente com referência à pintura que eles utilizam, mas em relação à anatomia, ou antes, à histologia desse novo ser estético, que surgiu da conjunção da pintura e do cinema. As objeções que formulei há pouco são apenas, na realidade, a definição das novas leis oriundas desse encontro. O cinema não vem “servir” ou trair a pintura, mas acrescentar-lhe uma maneira de ser. O filme de pintura é uma simbiose estética entre a tela e o quadro como o líquen entre a alga e o cogumelo. Indignar-se com isso é tão absurdo quanto condenar a ópera em nome do teatro e da música. (...)
- André Bazin, Pintura e Cinema