Concebido como uma vídeo-instalação em dois canais, esse curta experimental se constrói a partir de um motivo visual: a filmagem de varandas, situadas na cidade natal do diretor, cuja construção ainda não foi concluída. Nessa coleção de pedaços arquitetônicos inacabados, na ambivalência entre o signo do abandono e o desejo de pertencimento, cada imagem parece evocar um tempo em suspenso, remetendo aos versos do "Romance Sonâmbulo", de Federico Garcia Lorca, no qual o filme se inspira: "Mas eu já não sou eu, nem meu lar é mais meu lar. Deixai-me ao menos subir até as altas varandas...".
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Ok, é bonito, mas não sei se compreendi adequadamente as intenções do diretor. Talvez este curta-metragem não seja a melhor maneira de iniciar a sua filmografia, pois ele tem intenções poético-políticas bastante definidas, que carecem de um contexto prévio de imersão. Boiei um pouco aqui, portanto. Mas curti as imagens, gostei da tela dividida à la Brian De Palma e do passarinho que, repentinamente, começa a cantar, quebrando o silêncio... (WPC>)