Um rapaz simplório envolve-se em uma perigosa investigação sobre os negócios de um traficante de drogas, que mantém uma relação sadomasoquista com uma bela cantora de cabaré.
O que eu mais gosto nesse filme é a coragem do Lynch. Ele não tava nem aí, cara! É uma ode à insanidade total. É mal editado? MUITO! Mal roteirizado? MUITO! Mas é tão bom! 😆😆😆
Roteiro não é o forte do Lynch né. Visualmente bonito e tal, mas alguém colocou aqui nos comentários que o filme tinha 4h de filmagem e isso fica claro no resultado, é um filme todo picotado e acaba ficando sem nexo (assim como ele fez depois no Fire Walk With Me). Você filmar coisas a mais do que precisa já é um indicativo de que alguém precisa te conter mesmo. Muito hype e pouca gente pra falar "ô David, tu é criativo e tal, mas vamo ser mais objetivo?"
A obra máxima do cineasta David Lynch (pelo menos aquela que o grande público mais lembra, depois de “Duna”) volta com tudo nas salas do festival Olhar de Cinema em uma belíssima cópia restaurada em 4K, na comemoração de 40 anos do filme e dos 80 anos do diretor (falecido em 2025). Cultuado desde seu lançamento em 1986, o filme não perdeu a forma. Uma obra que redefiniu os limites do cinema americano e continua um desafio visual ao expor o contraste entre a aparência idílica da vida suburbana e as pequenas violências que nos permeiam. Na pacata cidadezinha de Lumberton, Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan) encontra uma orelha humana em um matagal. Ele a recolhe e deixa para a polícia periciar. Mas aquele encontro grotesco mexe demais com Jeffrey, então resolve fazer uma investigação própria, com ajuda da garota ingênua que acaba de conhecer, Sandy (Laura Dern). Os dois são levados ao perturbador submundo da cantora Dorothy Vallens (Isabella Rossellini). Pelo caminho Jeffrey irá trombar com a gangue de um lunático perverso chamado Frank Booth (Dennis Hopper), que usa um estranho gás de inalação que o divide em duas personalidades (Baby e Daddy). Com cores vibrantes (com destaque para o azul e o vermelho que serão recorrentes na estética cinematográfica de Lynch, incluindo a série feita poucos anos depois que parece ter saído de “Veludo azul”, “Twin Peaks”), o filme é um estudo sobre voyeurismo e desejos reprimidos, com uma trama cheia de reviravoltas autênticas. Tudo se passa numa cidade parada no tempo, que parece vinda dos anos 50, onde a corrupção começa a surgir nos detalhes da investigação de Jeffrey. Lynch combina elementos do cinema noir clássico com thriller psicológico moderno, criando uma atmosfera de estranhamento que se tornou sua marca registrada – e finais chocantes com direito a sangue para todo lado. É um jogo fascinante com personagens bizarros (alguns caricatos de propósito), um roteiro complexo e uma trilha sonora conceitual que mistura a originalidade de Angelo Badalamenti (parceiro de trabalho de Lynch) com canções bregas românticas, como a canção-tema “Blue velvet” – tudo se choca com a brutalidade dos acontecimentos que virão, reforçando a tensão entre aparência e realidade. É uma estética híbrida que dialoga com Hitchcock, De Palma, Fellini, Buñuel e Wilder. Os atores estão magistrais, e a lista de participações é longa, incluindo Dean Stockwell, Brad Dourif e Hope Lange. “Veludo azul” veio depois do fiasco de “Duna” e recebeu indicação ao Oscar de direção, e no Globo de Ouro de melhor roteiro e ator coadjuvante para Hopper (sinistro no papel que marcou sua carreira). Na telona o filme fica ainda mais grandioso. No festival Olhar de Cinema está na seção “Olhares Clássicos Cine Passeio” e conta com mais uma exibição, amanhã, dia 13/06. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
O que eu mais gosto nesse filme é a coragem do Lynch. Ele não tava nem aí, cara! É uma ode à insanidade total. É mal editado? MUITO! Mal roteirizado? MUITO! Mas é tão bom! 😆😆😆
genial a coisa da Heineken com a descarga hahah
Roteiro não é o forte do Lynch né. Visualmente bonito e tal, mas alguém colocou aqui nos comentários que o filme tinha 4h de filmagem e isso fica claro no resultado, é um filme todo picotado e acaba ficando sem nexo (assim como ele fez depois no Fire Walk With Me). Você filmar coisas a mais do que precisa já é um indicativo de que alguém precisa te conter mesmo. Muito hype e pouca gente pra falar "ô David, tu é criativo e tal, mas vamo ser mais objetivo?"
A obra máxima do cineasta David Lynch (pelo menos aquela que o grande público mais lembra, depois de “Duna”) volta com tudo nas salas do festival Olhar de Cinema em uma belíssima cópia restaurada em 4K, na comemoração de 40 anos do filme e dos 80 anos do diretor (falecido em 2025). Cultuado desde seu lançamento em 1986, o filme não perdeu a forma. Uma obra que redefiniu os limites do cinema americano e continua um desafio visual ao expor o contraste entre a aparência idílica da vida suburbana e as pequenas violências que nos permeiam. Na pacata cidadezinha de Lumberton, Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan) encontra uma orelha humana em um matagal. Ele a recolhe e deixa para a polícia periciar. Mas aquele encontro grotesco mexe demais com Jeffrey, então resolve fazer uma investigação própria, com ajuda da garota ingênua que acaba de conhecer, Sandy (Laura Dern). Os dois são levados ao perturbador submundo da cantora Dorothy Vallens (Isabella Rossellini). Pelo caminho Jeffrey irá trombar com a gangue de um lunático perverso chamado Frank Booth (Dennis Hopper), que usa um estranho gás de inalação que o divide em duas personalidades (Baby e Daddy). Com cores vibrantes (com destaque para o azul e o vermelho que serão recorrentes na estética cinematográfica de Lynch, incluindo a série feita poucos anos depois que parece ter saído de “Veludo azul”, “Twin Peaks”), o filme é um estudo sobre voyeurismo e desejos reprimidos, com uma trama cheia de reviravoltas autênticas. Tudo se passa numa cidade parada no tempo, que parece vinda dos anos 50, onde a corrupção começa a surgir nos detalhes da investigação de Jeffrey. Lynch combina elementos do cinema noir clássico com thriller psicológico moderno, criando uma atmosfera de estranhamento que se tornou sua marca registrada – e finais chocantes com direito a sangue para todo lado. É um jogo fascinante com personagens bizarros (alguns caricatos de propósito), um roteiro complexo e uma trilha sonora conceitual que mistura a originalidade de Angelo Badalamenti (parceiro de trabalho de Lynch) com canções bregas românticas, como a canção-tema “Blue velvet” – tudo se choca com a brutalidade dos acontecimentos que virão, reforçando a tensão entre aparência e realidade. É uma estética híbrida que dialoga com Hitchcock, De Palma, Fellini, Buñuel e Wilder. Os atores estão magistrais, e a lista de participações é longa, incluindo Dean Stockwell, Brad Dourif e Hope Lange. “Veludo azul” veio depois do fiasco de “Duna” e recebeu indicação ao Oscar de direção, e no Globo de Ouro de melhor roteiro e ator coadjuvante para Hopper (sinistro no papel que marcou sua carreira). Na telona o filme fica ainda mais grandioso. No festival Olhar de Cinema está na seção “Olhares Clássicos Cine Passeio” e conta com mais uma exibição, amanhã, dia 13/06. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
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