Dirigido por
Duração
O filme se passa na violenta fronteira do Brasil com o Paraguai, coração do agronegócio brasileiro. A equipe acompanha o crescimento do poder político ruralista e suas ligações íntimas com o governo de Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, retrata a intimidade da resistência feminina indígena na região, seus ideais comunitários e sua luta pelo planeta.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Doc em torno das ameaças no Mato Grosso do Sul ao povo guarani kaiowá e seu território. Monta um painel em torno da problemática, de forma similar ao realizado no doc O Território do Alex Pritz sobre os Uru-eu-wau-wau em Rondônia. No caso do Vento na Fronteira há um destaque chocante e direto para a fala dos fazendeiros abastados, enquanto nO Território ouve-se a voz dos madereiros e grileiros mais humildes, ainda envolvendo elementos religiosos (todos claramente usados como massa de manobra por grupos poderosos).
De qualquer forma, os dois docs tem papel importante no registro e denúncia dos agentes envolvidos (direta ou indiretamente), das estratégias utilizadas, da manipulação de informações, das polarizações, dos interesses envolvidos e dos crimes cruéis perpetrados. Num cenário onde há claramente um desequilíbrio de forças, os registros audiovisuais tornam-se cruciais para escancarar as violações.
No Vento da Fronteira há um contraste que quase incomoda no ritmo das cenas com os guaranis (quando comparado à dinâmica das imagens com a fazendeira). Um incômodo ótimo para que possamos refletir, buscar entender e aprender com o tempo e saberes dos povos que já aqui habitavam.
Maravilhoso. Fazia anos que eu não via um filme tão potente e importante.
A cena em que a tal advogada herdeira, ao falar dos indígenas, os compara em analogias ora com "crianças", ora com "bois", escancara, pela boca do próprio ruralismo, o olhar infantilizante, desumanizante e em última instância racista, dos que se auto-denominam "proprietários". É chocante a naturalidade com que ela se considera "proprietária" e considera os indígenas "invasores" e, com a mesma naturalidade, acusa-os de uma "inversão".
Achei muito interessante a condução do filme: mesmo que saibamos de qual lado ele está (a publicidade referente às suas exibições deixa isso explícito), ouve-se igualmente ambos os lados da questão. Tanto que chegamos a desconfiar de como as diretoras conseguiram aproximar-se tão intimamente da fazendeira Luana, creditada mui sagazmente como "herdeiras de terras". Em sua primeira aparição, confesso que até a achei simpática, demonstrando impressionante conhecimento das questões indígenas, ainda que discordando completamente delas em sua apresentação acadêmica. Porém, quando um vídeo do Eduardo Bolsonaro é exibido "independente das filiações políticas", não se pode mais disfarçar a vilania das intenções dela: à medida que o filme avança, Luana demonstra-se cada vez mais persistente em seus intentos aquisitivos e recolonizadores. Quando ela descreve os seus pesadelos com "índios maus", caramba! É um documentário, portanto, que prefere ser descritivo, ao invés de expor narrativa ou dissertativamente o seu discurso (ainda que, logicamente, o percebamos - e concordamos). Como assisti ao filme sozinho, lamentei não ter ninguém ao meu lado para debatê-lo imediatamente: é uma obra que urge pelas exibições com tela cheia. As questões para discussão que ele propõe são urgentes! PS: abaixo o bolsonarismo, viva à luta pela sobrevivência e resistência das comunidades indígenas! (WPC>)