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Duração
Amiga, hoje tive consulta com ele de novo. E tô cada vez mais passada porque, diferente de todo paciente que eu tenho, ele não demonstra o mínimo desconforto com as bizarrices sexuais dele. Pelo contrário. Eu mantenho meu diagnóstico: quadro agudo de melancolia e fuga da realidade. Às vezes, ele chega tão longe nesse delírio que se imagina uma espécie de profeta. Como se fizesse parte de uma seita. Seleção oficial do Chéries-Chéris.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Depois de minha extrema empolgação diante de A SEITA e após a recomendação direcionada de um amigo fetichista com excelente gosto cinematográfico, apressei-me em conferir este curta-metragem, com uma ansiedade mui peculiar: há menos de uma semana, tive a oportunidade de beijar com fervor os pés de um vizinho, de modo que, não sendo necessariamente um podólatra, identifiquei-me bastante com os ótimos relatos de infância do protagonista (muito bem interpretado pelo próprio diretor). Infelizmente, o recurso da terapia psicanalítica afastou-me da imersão: achei a psicológica antiética e um tanto tola (sério que ela ficou tão chocada com o que seu paciente falava? E ela pode julgá-lo daquela maneira?!). Sempre que esta personagem aparecia, o filme perdia o tom, degringolava. idem quanto à montagem com extraordinárias referências fílmicas, compostas por seqüências de alguns de meus filmes preferidos. Só não funcionou nesse caldo de autocelebração, que não sei se dedica-se mais ao choque de quem desaprecia as práticas mostradas ou ao gozo reiterado de quem as ama. Fiquei no meio-termo: quis ouvir, sentir, e não apenas ver e ser confrontado pela estultice de uma psicóloga sem viço. Uma pena. Mas curti momentos pontuais, de modo que recomendo o todo com empolgação, por causa deles. Tesão é vida: defendo quem assim profetiza! (WPC>)