Chega aos cinemas brasileiros um dos melhores documentários da edição desse ano do Festival É Tudo Verdade (que terminou no mês passado). ‘Verissimo’ traz a rotina do escritor gaúcho Luís Fernando Verissimo prestes a completar 80 anos – o doc foi filmado em 2016 e só lançado agora. A agenda cheia de Verissimo está presente, com viagens para lançar livros pelo Brasil, participação em conferências, recepção de amigos em casa, entrevistas para TV e telefonemas que não cessam. Cansado e de voz baixa, Verissimo fala sobre sua velhice e como ele lida com essa fase da vida, enquanto sua mente trabalha a mil por hora. Não é uma biografia do escritor, até porque já existem dois filmes sobre ele, e sim essa amostra da rotina do escritor em casa e nos diversos tipos de trabalho. O diretor Angelo Defanti já tinha contato com o universo de Verissimo, pois adaptou um dos livros do gaúcho para o cinema, ‘O clube dos anjos’ (2020).
Um dos mais populares e celebrado escritores brasileiros, Luis Fernando Verissimo é o objeto de retrato do documentário “Verissimo”, dirigido e co-escrito por Angelo Defanti. O filme captura a rotina do escritor nas vésperas de seu 80º aniversário, em 2016.
Chama a atenção em “Verissimo” o contraste entre a euforia advinda da chegada do natalício e a rotina calma, envolta em acontecimentos quase frívolos, do retratado.
No documentário, Verissimo é mostrado em todos os papeis que desempenha: o marido amoroso, o pai, o avô, o escritor ativo que mantém-se em atividade (seja escrevendo, dando entrevistas, lançando livros e participando de eventos públicos) e o idoso marcado por questões de sua própria idade.
Porém, confesso que o que mais ficou comigo enquanto assistia a “Verissimo” foi perceber o quanto o escritor tem um caráter introvertido dentro de si mesmo. Ele é silencioso, um homem de poucas palavras. Em alguns momentos, ele pareceu desconfortável/melancólico diante de algumas situações. Ao ponto de eu me perguntar: quando ele se sente à vontade? Será se diante do computador, ao escrever? Será se diante de sua cuidadosa e amorosa esposa? Será se diante da inocência dos netos? Não sei.
O que eu sei é que “Verissimo” comprova que estamos diante de alguém admirado por anônimos, porém, principalmente, um homem que é extremamente amado pela sua família.
Numa oportunidade anterior, o diretor deste documentário adaptou muito bem uma obra do escritor: acho O CLUBE DOS ANJOS um filme interessantíssimo. Mas não entendi bem o recorte temporal escolhido para este documentário camerístico, intimista quanto o autor se declara: filmado em 2016, às véspera do aniversário de 80 anos do personagem-título, há uma contagem repressiva para a data-chave. Mas, exceto por esta relevante comemoração, por que escolher este período? Não há justificativa para tal e, apesar do ritmo lento - que, repito, combina com as declarações de introspeção do escritor - pouco é mostrado, não se sabe muita coisa sobre ele, exceto que ele é amado pela família e que movimenta-se com dificuldade, por conta da idade avançada. E daí? Temos um importantíssimo escritor em cena, e o diretor realiza um elogio à monogamia bem sucedida? Tem seus méritos, claro, mas decepciona bastante em relação ao biografado. (WPC>)
Chega aos cinemas brasileiros um dos melhores documentários da edição desse ano do Festival É Tudo Verdade (que terminou no mês passado). ‘Verissimo’ traz a rotina do escritor gaúcho Luís Fernando Verissimo prestes a completar 80 anos – o doc foi filmado em 2016 e só lançado agora. A agenda cheia de Verissimo está presente, com viagens para lançar livros pelo Brasil, participação em conferências, recepção de amigos em casa, entrevistas para TV e telefonemas que não cessam. Cansado e de voz baixa, Verissimo fala sobre sua velhice e como ele lida com essa fase da vida, enquanto sua mente trabalha a mil por hora. Não é uma biografia do escritor, até porque já existem dois filmes sobre ele, e sim essa amostra da rotina do escritor em casa e nos diversos tipos de trabalho. O diretor Angelo Defanti já tinha contato com o universo de Verissimo, pois adaptou um dos livros do gaúcho para o cinema, ‘O clube dos anjos’ (2020).
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Um dos mais populares e celebrado escritores brasileiros, Luis Fernando Verissimo é o objeto de retrato do documentário “Verissimo”, dirigido e co-escrito por Angelo Defanti. O filme captura a rotina do escritor nas vésperas de seu 80º aniversário, em 2016.
Chama a atenção em “Verissimo” o contraste entre a euforia advinda da chegada do natalício e a rotina calma, envolta em acontecimentos quase frívolos, do retratado.
No documentário, Verissimo é mostrado em todos os papeis que desempenha: o marido amoroso, o pai, o avô, o escritor ativo que mantém-se em atividade (seja escrevendo, dando entrevistas, lançando livros e participando de eventos públicos) e o idoso marcado por questões de sua própria idade.
Porém, confesso que o que mais ficou comigo enquanto assistia a “Verissimo” foi perceber o quanto o escritor tem um caráter introvertido dentro de si mesmo. Ele é silencioso, um homem de poucas palavras. Em alguns momentos, ele pareceu desconfortável/melancólico diante de algumas situações. Ao ponto de eu me perguntar: quando ele se sente à vontade? Será se diante do computador, ao escrever? Será se diante de sua cuidadosa e amorosa esposa? Será se diante da inocência dos netos? Não sei.
O que eu sei é que “Verissimo” comprova que estamos diante de alguém admirado por anônimos, porém, principalmente, um homem que é extremamente amado pela sua família.
Numa oportunidade anterior, o diretor deste documentário adaptou muito bem uma obra do escritor: acho O CLUBE DOS ANJOS um filme interessantíssimo. Mas não entendi bem o recorte temporal escolhido para este documentário camerístico, intimista quanto o autor se declara: filmado em 2016, às véspera do aniversário de 80 anos do personagem-título, há uma contagem repressiva para a data-chave. Mas, exceto por esta relevante comemoração, por que escolher este período? Não há justificativa para tal e, apesar do ritmo lento - que, repito, combina com as declarações de introspeção do escritor - pouco é mostrado, não se sabe muita coisa sobre ele, exceto que ele é amado pela família e que movimenta-se com dificuldade, por conta da idade avançada. E daí? Temos um importantíssimo escritor em cena, e o diretor realiza um elogio à monogamia bem sucedida? Tem seus méritos, claro, mas decepciona bastante em relação ao biografado. (WPC>)