Um personagem que tem voz e corpo narra uma experiência amorosa interrompida. Essa imersão na subjetividade, assim como alguns fragmentos de poemas quase perdidos de Safo e Lucrécio e alguns percursos musicais, nos conduzem por imagens de diferentes corpos de outras pessoas em constante movimento nas ruas, nas festas, em casa ou dentro do metrô, enquanto se deslocam de um indefinido para outro na cidade de São Paulo - numa mistura indeterminada entre a concretude mais cotidiana do gesto e a abstração possível da dança. ×
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pra quem e fãn do pack do pezinho esse filme eh ótimo
Eu achei de uma potência absurda!
Amo o diretor e fico inebriado ao ouvir sua voz poética e cantante, ao deparar-me com sua entrega aos sentimentos mais intensos e às emulações corpóreas que equanimizam sensações distintas (gozo e dor irmanam-se, quase sempre). Gostei muito da estória narrada no início e das menções a Safo e Lucrécio, além da excelente utilização das canções (Ava Rocha, diva!). Porém, o longo interstício passado nos metrôs incomodou-me bastante: demooooooooora demais e requer uma imersão que talvez seja compreensível e/ou assimilável justamente por quem teve o (des)privilégio de trafegar neste veículo. Não foi o meu caso. Como tal, fiquei afoito (num mau sentido) ao testemunhar o descabeçamento de tantas pessoas, a despeito dos troncos e membros graciosos que são exibidos. Pensei naqueles curtas-metragens pretensiosos que a minha geração acompanhava com misto de fascínio e desagrado no antigo programa "Zoom", da TV Cultura. Pela sinopse acostada, o mergulho abstrato parece direcionado, sobretudo, a quem conhece a cidade de São Paulo, cuja aura impregna as imagens exteriores do filme, captadas via celular, antes que a pandemia surgisse. Mais uma vez, não tive esse privilégio. Como tal, o filme enfadou-me por meia-hora, no mínimo. Mas termina bem: a voz e a nudez de Caetano Gotardo são sempre bem-vindas. Poesia! (WPC>)