Moças probres do Japão são aliciadas por traficantes e vendidas como prostitutas.
Submetidas a privação e humilhações, levam vida de sofrimento e solidão. Quando conseguem escapar encontram o desprezo dos parentes e sociedade.
Osaki é uma dessas infelizes. Vendida para um bordel de Sandakan, colonia Britânica em Bornéo.
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"Vontade de Viver" é um filme japonês de 1974, do gênero drama bélico-histórico, dirigido por Kei Kumai, com roteiro de Kei Kumai e Sakae Hirosawa baseado em livros de Tomoko Yamazaki. Infelizmente, um clássico esquecido por muitos. Filme tocante e dilacerante.
Bom filme, e ainda que o título brasileiro em nada lembre o original, até faz sentido na história. Uma história de sofrimento do início ao fim, mas de esperança também. Nota 7,5. 1*
Que filme belíssimo! Um dos melhores filmes japoneses já realizados e, infelizmente, esquecido. Foi uma odisseia conseguir baixar esse filme, mas valeu muito a pena.
Pelas minhas pesquisas, acredito que boa parte desse "esquecimento" seja intencional, visto que, denunciado no filme, até hoje o governo japonês oculta a existência das "karayuki-san" de sua História. Um verdadeiro papelão! Ocultar para fingir que não existiu e que o próprio governo financiou!
O filme retrata tudo de uma forma realista, talvez até demais para o padrão de filmes da época. O papel da mulher na luta contra essa opressão é tratado com maestria aqui, mesmo vindo de uma direção masculina.
Importante perceber que o filme faz até uma crítica à forma que o Japão tratou essas mulheres no pós-guerra e tudo isso é brilhantemente representado na trama através da Osaki.
Ganhou foi poucos prêmios, esse filme merecia muito mais reconhecimento em sua época e na atualidade, uma pena! É uma dessas preciosidades que tu descobre e não acredita que a maioria desconhece.
O LADO PERVERSO DA PROSTITUIÇÃO
É até curioso como um filme com essa qualidade dramática é tão pouco conhecido mesmo do público específico cinéfilo (o que dirá então do público em geral). A narração é bem amarrada e vai ser desfrutável pra qualquer um, mas será particularmente melhor se você se interessar pela temática da prostituição e das implicações dela.
Pessoalmente, gosto de ver todas as perspectivas possíveis e o tema me chama bastante a atenção. Nesse caso, é uma abordagem negativa da 'profissão mais velha do mundo', uma antítese do viés alegre e ensolarado de "Nunca aos Domingos", por exemplo. Dá uma demorada de meia-hora pra engrenar no relato da prostituta aposentada para a jornalista, o que só passa sem maiores problemas para o ritmo do filme por conta da performance excelente da velha solitária e relegada à morte e ao esquecimento pela família de origem, vivida por Kinuyo Tanaka.
Quando vem o flashback dos relatos, o filme melhora e somos apresentados a uma atriz também competente (Yôko Takahashi) que passa pela história de tráfico humano de mulheres japoneses paupérrimas que foram 'exportadas' para as colônias inglesas mais ao sul da Ásia. Supostamente, exerceriam outra profissão, mas acabam se vendo na condição de ter que pagar uma dívida imensa invariavelmente com serviço sexual forçado (situação que até hoje existe, infelizmente, nos países mais abastados que cooptam mulheres de países pobres, incluindo brasileiras). Ainda assim, o diretor Kei Kumai tem a perspicácia de colocar alguns momentos cômicos e até românticos pra auferir uma leve camada de esperança que não permita o filme cair num dramalhão forçado.
Cabe um adendo. Não deixa de haver uma certa hipocrisia no cinema japonês querendo retratar a prostituição coagida de suas cidadãs no exterior como o pior dos mundos (em que pese, de fato, o sofrimento delas), já que os próprios japoneses eram opressores nesse aspecto em escala mil vezes maior. A península coreana, antes da revolução de Kim Il-Sung e quejandos, era basicamente o "puteiro de férias" dos japoneses, como era também a Cuba pré-revolucionária para os estadunidenses.
Imagine, por exemplo, o tamanho da hipocrisia que seria os EUA querendo posar de 'agredidinhos' no todo, pinçando exemplos de prostituição mais isolados de mulheres estadunidenses para homens cubanos, enquanto mascaram que o inverso foi historicamente muito mais frequente. Claro que isso não é culpa do de "Vontade de Viver" e o drama de suas mulheres continua pertinente e válido, mas não dá pra não fazer essa contextualização histórica - e política - da 'geografia da prostituição', na qual o Japão entra bem mais como opressor que como oprimido.
Mas feitas essas ressalvas, vale a pena assistir o longa de Kumai, sobretudo pela ótima performance das atrizes que vivem a protagonista em diferentes idades.
Por que um filme tão bom quanto esse se perde na história?
É um drama que não força a barra nas lágrimas.
Belíssima e perfeita a interpretação de Kinuyo Tanaka.
Excelente filme!