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Esperar dois meses na frente de um estádio para conseguir um lugarzinho na primeira fileira de um show da Beyoncé é algo que poucos fãs fazem (ou fariam). Mas se você é um fã de Beyoncé em São Paulo, esta é sua única opção se você quer garantir um bom espaço para o espetacular show dessa superestrela. O fenômeno Beyoncé deu aos jovens gays perseguidos voz e também o centro das atenções. Sem contar que dois meses numa barraca podem ser uma festa e tanto!
"Esperando B." é um atraente retrato de toda uma cultura de fãs, onde o pop é político e um twerk é um dedo apontado para os padrões restritivos da sociedade. Queen B é completamente "irreplaceable", mas são seus dedicados fãs que colocam uma coroa em sua cabeça.
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Waiting for B. remete para o dia 20 de julho de 2013, no qual um grupo de admiradores da cantora norte-americana Beyoncé montou a sua uma barraca junto ao Estádio do Morumbi, em São Paulo, Brasil, local onde a artista se apresentar 57 dias depois. À medida que os dias iam passando, os acampados aumentaram também, chegando a uma centena de pessoas. Paulo César Toledo e Abigail Spindel resolveram observar, acompanhar e lidar com os jovens que esperavam ansiosamente nas ruas do estádio criando, assim, um retrato social que transmite a realidade e o dia-a-dia dos fãs, muitos deles jovens vindos de famílias desfavorecidas. É quase de arrepiar ficar sabendo que um deles vendeu seu apartamento para pagar o ingresso! mas enfim, quem somos nós para determinarmos o que essas pessoas devem desejar; se de fato, como diria Freud, o desejo é aquilo que se põe do lugar da falta...Muitos são negros, pobres e gays, não estão incluídos; logo, são eles que devem decidir o que desejam e o que fazer, nesse lugar de liberdade possível...
Divertido e interessante, é um bom documentário, mas senti que poderiam ter focado mais no que a figura da Beyoncé representa para aqueles jovens, tipo, porque ela é tao importante para eles, tendo em vista o "sacrifício" que deve ser passar 2 meses acampando na frente de um estádio para ver um show de 2 horas.
Conheço muitas pessoas que se vissem WAITING FOR B., documentário de Paulo César Toledo e Abigail Spindel sobre a alucinada vida dos fãs da cantora Beyoncé (que ficaram dois meses acampados em frente ao Morumbi esperando a chegada da diva que aqui se apresentou para sua turnê mundial) diram: "os diretores glamurizaram a mediocridade nacional vigente". E, em alguns momentos, é exatamente isso o que o longa parece: uma grande homenagem à futilidade promovida pelo mundo do show business. Entretanto, o filme documental toca numa questão e entra num terreno ainda mais ardiloso: o da falta de esperança em meio a um país mais do que despedaçado. Fãs que operaram o nariz para ficarem parecidos com a cantora (isso não é mostrado no longa, mas já li vários casos sobre isso nos tablóides que vendo o insano mundo da cultura pop), o adolescente que vendeu seu apartamento (o lugar onde mora) para poder assistir ao máximo de shows possível da cantora, covers (em outras palavras: gente que ganha a vida fingindo ser Beyoncé), jovens que rompem com suas famílias (e o longa mostra, de forma inteligente, a insatisfação dos pais com a escolha sem noção dos filhos), para continuar no sonho de idolatria extrema. Waiting for B. não é um filme fácil de digerir para quem não vive no mundo da lua como esses rapazes e moças, que muitas vezes preferem largar o trabalho à perder o ídolo. O documentário fala, na verdade, da desumanização de um país que finge ser patriota somente quando lhe interessa. Há até mesmo um fã entrevistado que veste a camisa dos EUA e diz abertamente odiar o seu país, onde "tudo é violência". Isso até que o mesmo precise do país para alguma coisa... Não recomendo o filme para fãs em excesso de nada, seja futebol, religião, rock, o que for. Acreditem: vocês acabarão por tomar as dores desses fãs alienados. E não é esse o objetivo do longa. No final das contas, Waiting for B. é um dos maiores filmes-denúncia já feitos no Brasil nos últimos anos. E pessoas lúcidas - artigo raro hoje em dia por aqui - precisam conhecê-lo!
Além de ser divertidíssimo de ser assistido (com um clímax aterrorizante, na seqüência da partida de futebol), é um testemunho fundamental das contradições discursivas do movimento LGBT e uma declaração de amor ao cotidiano. Pena que seja tão curto: apesar de não desenvolvermos necessariamente simpatia pelos biografados, a situação geral é ótima de ser acompanhada, e muitíssimo relevante em termos sociológicos. O desfecho quase/propositalmente anticlimático é magistral! (WPC>)
Maravilhoso!
Nunca imaginei que ficar quase duas horas na fila de um show fosse tão revelador. Muito triste ainda a vida dos gays no Brasil, fico triste e inspirada com a força e o poder de otimização de tanto preconceito e desgraça. A Beyoncé é um refúgio, uma bandeira e uma artista que acolhe e une muitos jovens. Adorei o documentário, muito sério e muito divertido!