Tem que ser muito ingênuo para levar a sério a 'mensagem' supostamente em prol da paz (desmentida tanto pelo desenrolar do filme quanto pelo momento histórico dos EUA no qual ele foi lançado) que há nessa cinebiografia do presidente estadunidense dos anos 1910, Woodrow Wilson (vivido em interpretação posada pelo desconhecido Alexander Knox), que afinal acabou mandando seu pais para a Primeira Guerra Mundial do mesmo jeito, apesar da suposta resistência inicial.
Nada mais irônico do que lembrar que essa cinebiografia chapa branquíssima foi não só um retumbante fracasso de bilheteria na época de lançamento, como ainda caiu totalmente no ostracismo com o tempo, sendo hoje um filme que quase ninguém sequer lembra que existe, exceto um ou outro que - como eu - vai chegar até ele pelo fato de ter vencido (sem dúvidas pelo lobby do produtor) cinco oscars, a maioria deles prêmios técnicos (edição, som, etc), com os velhinhos da Academia conseguindo a façanha de premiar um filme ainda pior que "Wilson" na categoria principal: o musical proselitista "O Bom Pastor", num ano em que concorriam joias como "Pacto de Sangue" e "À Meia Luz". Só rindo mesmo.
E nem esses prêmios mais técnicos/artísticos são justificáveis, afinal, as recriações do interior da Casa Branca e a tão badalada fotografia colorida (quando era raridade) não tem absolutamente nada demais, ainda que se considere os padrões dos anos quarenta tem muuuito filme visualmente melhor que os enquadramentos manjados e cenários esquecíveis desse aqui. A direção de Henry King (o mesmo de "A Canção de Bernadette") nada tem a fazer nas desnecessárias duas horas e meia de duração exceto tentar simular com artificialidade que tem algo de 'super empolgante' em passear pela trajetória eleitoral do personagem e sua relação com a guerra que assolava a Europa.
No tocante às eleições é um besteirol sem tamanho, tentando retratar o bipartidarismo fajuto dos EUA como 'supra-sumo da democracia', tendo direito a um curioso (e revelador) 'ato falho a posteriori' na medida que um dos líderes e concorrentes internos de Wilson dentro do Partido Democrata se chama - sem brincadeira - UNDERWOOD (só faltou ser interpretado pelo pai ou avô do Kevin Spacey!). Mas é na parte sobre a guerra que fica ainda pior e mais demagógico, querendo fazer de conta que Washington era 'contra a guerra', entrou nela 'a contragosto e só por extrema necessidade de garantir a liberdade dos europeus' (algo que o lançamento do filme quis sem dúvida sugerir que valeu também para a Segunda Guerra Mundial), com ceninhas patéticas e melosas de discursos 'aguerridos' pra fazer vergonha ao também chapa branca e hipócrita "O Destino de uma Nação".
Tem momentos que cheguei a simplesmente cair na gargalhada no meio do filme, de tão descaradamente mentirosa que a farsa propagandista era, a ponto de partir do pressuposto que os espectadores do filme são retardados mentais. Em especial no momento em que Wilson aparece de garçom do exército (noooffa, como ele é simplão e gente como a gente! Parece o Churchill do Gary Oldman na ceninha do metrô!) e solta a maior pérola do longa pra um soldado: "Alguns vão te dizer que a guerra é por interesses econômicos, mas não acredite neles!". Claro que sim, seu Wilson. A gente sabe PERFEITAMENTE que o Tio Sam - de auréola pairando sobre a cabeça - entrou tardiamente na Primeira Guerra só pelo 'bem dos europeus' e sem nenhum interesse em aumentar a área de influência de suas megacorporações privadas no crescente mercado global das então colônias de Inglaterra, França e etc. Come the f*ck on...
E tudo isso surgiu por obra e graça de um produtor chamado Darryl F. Zanuck (o verdadeiro mentor do longa, muito mais que o diretor), o qual tinha certeza que essa biografia eleitoral posada e descartável em todos os aspectos o imortalizaria tanto quanto "E o Vento Levou" fez por David O. Selznick. Pelo menos nesse sentido o tempo fez justiça e jogou na lata do lixo da sétima arte essa mamação de bagos "patriótica" a um capacho dos interesses corporativos estadunidenses como era Woodrow Wilson, não por acaso recentemente lembrado em "Infiltrado na Klan", de Spike Lee, como um sujeito que pagava pau e apontava 'fidelidade histórica' no clássico mudo ultra-racista "O Nascimento de uma Nação" (1915). É esse aí que Zanuck quis mostrar como 'herói'? Então tá...
Conheça todos os vencedores de 4 ou mais Oscars aqui: https://filmow.com/listas/vencedores-de-quatro-ou-mais-oscars-l106480/
Excelente biografia de um notável presidente da era da 1 ª Guerra Mundial, cuja idéia da Liga das Nações tornou-se uma obsessão; uma superprodução da Fox com elenco grandioso, um dos filmes mais sólidos de Hollywood. Por incrível que pareça não obteve êxito em bilheteria, provavelmente por ser sobre um presidente que queria evitar ao máximo a guerra, lançado num momento inoportuno, justamente no ápice da 2ª Grande Guerra, em 1944, quando o sentimento de paz estava abalado, com a América investindo contra a Alemanha nazista. Mesmo assim, venceu 5 Óscars dos 10 aos quais foi indicado (incluindo o roteiro de Lamar Trotti e a fotografia de Leon Shamroy).
"Por vezes, a vida de um homem é o reflexo de uma nação. O destino de nosso país foi construído sobre a vida e época de Washington e Lincoln... E talvez, também, na vida de um outro Presidente.... Esta é a história da América e a história de um homem... Thomas Woodrow Wilson, o 28º Presidente dos Estados Unidos..."
GUERROLATRIA MAL DISSIMULADA
Tem que ser muito ingênuo para levar a sério a 'mensagem' supostamente em prol da paz (desmentida tanto pelo desenrolar do filme quanto pelo momento histórico dos EUA no qual ele foi lançado) que há nessa cinebiografia do presidente estadunidense dos anos 1910, Woodrow Wilson (vivido em interpretação posada pelo desconhecido Alexander Knox), que afinal acabou mandando seu pais para a Primeira Guerra Mundial do mesmo jeito, apesar da suposta resistência inicial.
Nada mais irônico do que lembrar que essa cinebiografia chapa branquíssima foi não só um retumbante fracasso de bilheteria na época de lançamento, como ainda caiu totalmente no ostracismo com o tempo, sendo hoje um filme que quase ninguém sequer lembra que existe, exceto um ou outro que - como eu - vai chegar até ele pelo fato de ter vencido (sem dúvidas pelo lobby do produtor) cinco oscars, a maioria deles prêmios técnicos (edição, som, etc), com os velhinhos da Academia conseguindo a façanha de premiar um filme ainda pior que "Wilson" na categoria principal: o musical proselitista "O Bom Pastor", num ano em que concorriam joias como "Pacto de Sangue" e "À Meia Luz". Só rindo mesmo.
E nem esses prêmios mais técnicos/artísticos são justificáveis, afinal, as recriações do interior da Casa Branca e a tão badalada fotografia colorida (quando era raridade) não tem absolutamente nada demais, ainda que se considere os padrões dos anos quarenta tem muuuito filme visualmente melhor que os enquadramentos manjados e cenários esquecíveis desse aqui. A direção de Henry King (o mesmo de "A Canção de Bernadette") nada tem a fazer nas desnecessárias duas horas e meia de duração exceto tentar simular com artificialidade que tem algo de 'super empolgante' em passear pela trajetória eleitoral do personagem e sua relação com a guerra que assolava a Europa.
No tocante às eleições é um besteirol sem tamanho, tentando retratar o bipartidarismo fajuto dos EUA como 'supra-sumo da democracia', tendo direito a um curioso (e revelador) 'ato falho a posteriori' na medida que um dos líderes e concorrentes internos de Wilson dentro do Partido Democrata se chama - sem brincadeira - UNDERWOOD (só faltou ser interpretado pelo pai ou avô do Kevin Spacey!). Mas é na parte sobre a guerra que fica ainda pior e mais demagógico, querendo fazer de conta que Washington era 'contra a guerra', entrou nela 'a contragosto e só por extrema necessidade de garantir a liberdade dos europeus' (algo que o lançamento do filme quis sem dúvida sugerir que valeu também para a Segunda Guerra Mundial), com ceninhas patéticas e melosas de discursos 'aguerridos' pra fazer vergonha ao também chapa branca e hipócrita "O Destino de uma Nação".
Tem momentos que cheguei a simplesmente cair na gargalhada no meio do filme, de tão descaradamente mentirosa que a farsa propagandista era, a ponto de partir do pressuposto que os espectadores do filme são retardados mentais. Em especial no momento em que Wilson aparece de garçom do exército (noooffa, como ele é simplão e gente como a gente! Parece o Churchill do Gary Oldman na ceninha do metrô!) e solta a maior pérola do longa pra um soldado: "Alguns vão te dizer que a guerra é por interesses econômicos, mas não acredite neles!". Claro que sim, seu Wilson. A gente sabe PERFEITAMENTE que o Tio Sam - de auréola pairando sobre a cabeça - entrou tardiamente na Primeira Guerra só pelo 'bem dos europeus' e sem nenhum interesse em aumentar a área de influência de suas megacorporações privadas no crescente mercado global das então colônias de Inglaterra, França e etc. Come the f*ck on...
E tudo isso surgiu por obra e graça de um produtor chamado Darryl F. Zanuck (o verdadeiro mentor do longa, muito mais que o diretor), o qual tinha certeza que essa biografia eleitoral posada e descartável em todos os aspectos o imortalizaria tanto quanto "E o Vento Levou" fez por David O. Selznick. Pelo menos nesse sentido o tempo fez justiça e jogou na lata do lixo da sétima arte essa mamação de bagos "patriótica" a um capacho dos interesses corporativos estadunidenses como era Woodrow Wilson, não por acaso recentemente lembrado em "Infiltrado na Klan", de Spike Lee, como um sujeito que pagava pau e apontava 'fidelidade histórica' no clássico mudo ultra-racista "O Nascimento de uma Nação" (1915). É esse aí que Zanuck quis mostrar como 'herói'? Então tá...
Conheça todos os vencedores de 4 ou mais Oscars aqui: https://filmow.com/listas/vencedores-de-quatro-ou-mais-oscars-l106480/
Excelente biografia de um notável presidente da era da 1 ª Guerra Mundial, cuja idéia da Liga das Nações tornou-se uma obsessão; uma superprodução da Fox com elenco grandioso, um dos filmes mais sólidos de Hollywood. Por incrível que pareça não obteve êxito em bilheteria, provavelmente por ser sobre um presidente que queria evitar ao máximo a guerra, lançado num momento inoportuno, justamente no ápice da 2ª Grande Guerra, em 1944, quando o sentimento de paz estava abalado, com a América investindo contra a Alemanha nazista. Mesmo assim, venceu 5 Óscars dos 10 aos quais foi indicado (incluindo o roteiro de Lamar Trotti e a fotografia de Leon Shamroy).
"Por vezes, a vida de um homem é o reflexo de uma nação. O destino de nosso país foi construído sobre a vida e época de Washington e Lincoln... E talvez, também, na vida de um outro Presidente.... Esta é a história da América e a história de um homem... Thomas Woodrow Wilson, o 28º Presidente dos Estados Unidos..."