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Duração
A escuridão da mina, invadida pela luz dos mineiros, pelas máquinas ruídosas e pelo permanente e intenso odor a minério no ar, transporta-nos para um ambiente em que o tempo e o espaço se confundem.
Um documentário filmado nas Minas da Panasqueira entre 2008/9. Uma realidade captada por um olho-observador que não interfere, mas que acompanha um composto que nasce da terra e é decomposto pelo homem-máquina.
A narrativa é criada em torno do processo de extracção de minério e surge como uma abordagem à matéria orgânica em constante mutação.
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Este filme foi-me recomendado sob o jugo de tantos elogios que, obviamente, adentrei a sessão com expectativas muitíssimo elevadas, o que talvez tenha influenciado em minha apreciação. Seja como for, gostei bastante da combinação entre o documentário hiper-realista (não, não é um pleonasmo!) e o cinema estrutural, além do requisito de cumplicidade espectatorial quanto ao que é mostrado, a conversão de largas porões de terra em pequenos itens brilhantes, os desejados componentes de tungstênio. O hino aos mineiros, no desfecho, emociona. Filme de e sobre imersão empregatícia. Trabalho corajoso e necessário: não conhecia nada sobre o processo de extração em pauta, entendi que o ocorre ali é similar, em âmbito objetal, ao que fôra retratado por Stan Brakhage em O ATO DE VER COM OS PRÓPIOS OLHOS. Muito interessante! (WPC>)