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Sinopse
Bila, um menino de dez anos, observa a vida de sua aldeia More, na África. Ele faz amizade com uma anciã que a comunidade acusa de feitiçaria. Pouco a pouco, nasce uma cumplicidade entre eles.
Gosto da forma como o Ouedraogo consegue captar este espírito de uma sociedade africana de certa forma isolada do mundo. Aqui ele discute especialmente preconceitos pautadas em argumentos tacanhas do passado tanto na relação entre a anciã e a bruxaria bem como no casal adúltero que mexe com as estruturas daquela sociedade.
O filme de Idrissa Ouédraogo, que se desenrola no ritmo do cinema clássico africano, usando não profissionais, te sua representação das comunidades rurais talvez ideal demais, mas eu não sou capaz de julgar, eu jamais fui à África. Duas crianças em Burkina Faso estão brincando fora de sua aldeia quando veem Sana, uma velha mulher que foi expulsa, acusada ser uma bruxa. Eles desconfiam dela, mas ela lhes mostra uma gentileza a qual eles não estão acostumados e logo cria-se um vínculo entre ela e as crianças. O estranhamento, muitas vezes, ao invés de repelir, aproxima. Eles a chamam carinhosamente de "Yaaba" (avó). Tudo isso é testado quando uma das crianças adoece e Sana fica com as culpas. É difícil não ficar admirado com estas pessoas que de repente se tornaram atores, fingindo suas vidas quando suas vidas são reais demais. Foi preciso que a França, a Suíça e a moribunda Alemanha Ocidental (o filme é de 1989) entrassem, trazendo sua arte, seus assessores técnicos e seu dinheiro para o pequeno país, a fim de fazer com que o mesmo pudesse ser criado (fico a lembrar das grandes invasões que se deram no século XV, quando o Brasil foi descoberto; obviamente que naquela época não foram equipamentos cinematográficos; mas fico a me perguntar, se o espírito mudou? Este cosmopolitismo, altamente inapropriado em teoria, não impede que o filme seja orientado para a família. A vida na aldeia é real, e nem uma palavra emprestada das línguas globalizantes, vaza dos lábios de seus personagens. A savana, haverá muito dela, uma overdose atestando a nossa cegueira... muito parecida. Haverá muitas tentativas, por outro lado, para quebrar os Burkinabes (os habitantes nascidos em Burkina Faso) de seus hábitos: os gestos não são naturais, a educação das crianças e os conflitos são baseados em temas padrões que se repetem ao redor do globo. É um engate que não afeta a indiscutível qualidade cinematográfica, uma vida que é filmada crua sem falta de atmosfera. Simplesmente se percebe por que Ouédraogo é acusado de fornecer demasiada comida aos europeus; o que eu não concordo!.
Tem seus pontos positivos, mas passa longe de ser um grande filme. A amizade entre a criança e a Yaaba é desenvolvida de uma forma horrível, mas do meio pro final o filme dá uma engrenada boa e atinge os seus mínimos objetivos. Confesso que o longa não me prendeu muito, existem filmes africanos bem superiores a esse. No geral, as atuações são razoáveis, com destaque para as duas crianças principais.
De certo modo era o que eu esperava: um filme leve, mas com um conteúdo relevante e, sobretudo, com uma abordagem e ritmo diferentes do que nos acostumamos (e nos acomodamos) no cinema roliudiano. Mesmo sendo leve, o filme não cai em simplificações maniqueístas, há complexidade nos personagens, na história e na própria abordagem cultural. A figura do pária (no caso, a Yaaba) é triste realidade universal, e esse elemento funciona aqui como ponte (não a única) para a identificação do espectador. Excelente filme.
Gosto da forma como o Ouedraogo consegue captar este espírito de uma sociedade africana de certa forma isolada do mundo. Aqui ele discute especialmente preconceitos pautadas em argumentos tacanhas do passado tanto na relação entre a anciã e a bruxaria bem como no casal adúltero que mexe com as estruturas daquela sociedade.
Encanta pela simplicidade
Que povo briguento rs
O filme de Idrissa Ouédraogo, que se desenrola no ritmo do cinema clássico africano, usando não profissionais, te sua representação das comunidades rurais talvez ideal demais, mas eu não sou capaz de julgar, eu jamais fui à África. Duas crianças em Burkina Faso estão brincando fora de sua aldeia quando veem Sana, uma velha mulher que foi expulsa, acusada ser uma bruxa. Eles desconfiam dela, mas ela lhes mostra uma gentileza a qual eles não estão acostumados e logo cria-se um vínculo entre ela e as crianças. O estranhamento, muitas vezes, ao invés de repelir, aproxima. Eles a chamam carinhosamente de "Yaaba" (avó). Tudo isso é testado quando uma das crianças adoece e Sana fica com as culpas. É difícil não ficar admirado com estas pessoas que de repente se tornaram atores, fingindo suas vidas quando suas vidas são reais demais. Foi preciso que a França, a Suíça e a moribunda Alemanha Ocidental (o filme é de 1989) entrassem, trazendo sua arte, seus assessores técnicos e seu dinheiro para o pequeno país, a fim de fazer com que o mesmo pudesse ser criado (fico a lembrar das grandes invasões que se deram no século XV, quando o Brasil foi descoberto; obviamente que naquela época não foram equipamentos cinematográficos; mas fico a me perguntar, se o espírito mudou? Este cosmopolitismo, altamente inapropriado em teoria, não impede que o filme seja orientado para a família. A vida na aldeia é real, e nem uma palavra emprestada das línguas globalizantes, vaza dos lábios de seus personagens. A savana, haverá muito dela, uma overdose atestando a nossa cegueira... muito parecida. Haverá muitas tentativas, por outro lado, para quebrar os Burkinabes (os habitantes nascidos em Burkina Faso) de seus hábitos: os gestos não são naturais, a educação das crianças e os conflitos são baseados em temas padrões que se repetem ao redor do globo. É um engate que não afeta a indiscutível qualidade cinematográfica, uma vida que é filmada crua sem falta de atmosfera. Simplesmente se percebe por que Ouédraogo é acusado de fornecer demasiada comida aos europeus; o que eu não concordo!.
Tem seus pontos positivos, mas passa longe de ser um grande filme.
A amizade entre a criança e a Yaaba é desenvolvida de uma forma horrível, mas do meio pro final o filme dá uma engrenada boa e atinge os seus mínimos objetivos. Confesso que o longa não me prendeu muito, existem filmes africanos bem superiores a esse.
No geral, as atuações são razoáveis, com destaque para as duas crianças principais.
De certo modo era o que eu esperava: um filme leve, mas com um conteúdo relevante e, sobretudo, com uma abordagem e ritmo diferentes do que nos acostumamos (e nos acomodamos) no cinema roliudiano. Mesmo sendo leve, o filme não cai em simplificações maniqueístas, há complexidade nos personagens, na história e na própria abordagem cultural. A figura do pária (no caso, a Yaaba) é triste realidade universal, e esse elemento funciona aqui como ponte (não a única) para a identificação do espectador. Excelente filme.