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A lenda sobre um tesouro enterrado na montanha de Zvenigora é a linha condutora de um complexo enredo sobre a história, o folclore e as belezas naturais da Ucrânia. Marcado pelo experimentalismo típico da vanguarda soviética, este filme de fotografia fascinante é ao mesmo tempo um elogio ao inevitável processo de industrialização ucraniana e um forte ataque ao Ocidente capitalista.
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Primeiro filme da chamada "Trilogia da Ucrânia" de Aleksandr Dovjenko, "A Montanha do Tesouro" possui algo que instiga, mas também algo que afasta. A sobreposição de imagens remetendo as lendas medievais ucranianas fascina pelo tom mítico e misterioso que assume. Mas a colagem com o tom de propaganda do mundo contemporâneo à época de sua produção - algo inerente a uma produção soviética - força um pouco a simpatia. Ao final, o terceiro ato, que apresenta os habitantes do mundo capitalista quase como figuras monstruosas e sádicas soa absurdamente caricatural e maniqueísta. A narrativa confusa entre seus vários episódios também desanima uma possível revisitada.
Uma aventura totalmente folclórica,mas acaba se saindo melhor que o esperado.A quantidade de personagens e lugares visitados dão um bom ritmo ao filme.
>Assistido em 10 de Agosto de 2023
é inevitável acabar se sentindo temporalmente perdido e frustrado nesse fortíssimo e nauseoso desfile de cenas folclóricas, de profusão de vislumbres mito-poéticos, de certos elogios patrióticos e da coleção de dissabores que a guerra e as invasões amarguram: em resumo, zvenigora é um grande mosaico milenar! a obra esbanja um tipo de riqueza imagética muito elegante, o que me fez esquecer imediatamente todo o modus operandi paradigmático das clássicas obras propagandistas soviéticas; zvenigora é um filme de uma fotomontagem ímpar, é onírica, fragmentadíssima, faz intercâmbios entre fantasia e realismo; nesse caso, a ucrânia fez de seu fatalismo geográfico e de sua história de sanguinolência, uma poética cinematográfica de estima das suas tradições e de seus projetos civilizatórios; uma obra de cunho publicitário? pode ser que sim, mas com uma espirituosidade singular
A narrativa dovjenkiana é singularíssima, mas sempre fascinante: por vezes, pensei estar diante de uma cópia com a ordem do rolo trocada, tamanha a quantidade de informações amalgamadas, tamanha a quantidade de eras superpostas, tamanho o brilhantismo vanguardista da realização... Logo percebi que as imagens-tempo do diretor ucraniano obedecem a um tipo de intento bastante diferente das promoções comunistas do período: o apelo naturalista do diretor, o seu sentido vigoroso de História, os efeitos visuais acachapantes, tudo aqui impressiona. Genial, ainda que de dificílima apreciação numa sessão unitária! (WPC>)