Califórnia. Pinky Rose (Sissy Spacek) é uma jovem que acaba de conseguir um emprego em um spa de idosos. Mildred "Millie" Lammoreaux (Shelley Duvall), que já trabalha no local, é encarregada de orientar Pinky sobre o serviço. Ela se encanta com Millie e logo se torna sua amiga. Ironicamente ninguém gosta dela, mas Millie tenta passar a imagem de ser muito popular. Millie divide seu apartamento com uma colega, mas quando esta se casa ela passa a dividir com Pinky o apartamento. Pinky fica cada vez mais dependente de Millie, mas a ligação obsessiva ameaça se romper quando ela vê que Millie levou para o apartamento Edgar Hart (Robert Fortier), um cowboy que é marido de Willie Hart (Janice Rule), uma artista local, que está grávida. Isto provoca uma forte discussão entre Pinky e Millie, que gera um grave fato que, por sua vez, provoca uma grande mudança de comportamento de ambas.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Vi que o filme foi inspirado num sonho que o diretor teve e realmente o filme inteiro parece aqueles sonhos melancólicos e confusos que todo mundo tem alguma vez mesclando suas próprias memórias pessoais. Embora no começo o filme seja bem interessante e te faça querer entender o que tá acontecendo e o que vai acontecer, depois de 1 hora a condução do filme fica maçante e parece que se perde, igualzinho um sonho confuso e acaba mais te distanciando da história, do que te prendendo na narrativa, eu pelo menos me sentir assim.
Mas o ponto alto do filme obviamente é a Shelley a icônica Wendy de o iluminado e a Sissy a primeira e eterna Carrie White. As duas são uma das atrizes que eu mais admiro e estão absurdamente incríveis contracenando nesse filme, impossível não ir até o final por elas.
Gostei de como no início a Pinky é completamente obcecada pela Millie mas a Millie tá preocupada demais com validação dos outros, principalmente masculina mas depois do acidente da Pinky, que acaba tirando sua personalidade ingênua pra deixá-la má e cheia de si, a Millie visivelmente acaba sentindo saudades da atenção da antiga Pinky, que a idolatrava. E falando sobre a Millie, ela representa uma triste realidade da nossa sociedade. Millie não era uma pessoa ruim(ela ajuda muito a Pinky a se recuperar, até se demite por ela, um doce) mas ela era desesperada por atenção, desesperada em se encaixar e isso na visão das pessoas ao redor dela era entediante e irritante, e aí ela era usada como bode expiatório em seu trabalho, em seu condomínio, em sua vida inteira... Mas depois que a Pinky muda radicalmente, todo mundo começa a idolatrar a versão Mildred e continuam ignorando a Millie. Mostrando que a sociedade admira mais pessoas com personalidade de merda, que defendem ser apenas "personalidade forte" quando na verdade a pessoa só é um LIXO e isso é bem real.
Eu achei o filme com uma vibe bem sáfica e que o significado do título "as três mulheres" fosse justamente a Millie e as duas personalidades da Pinky, a Pinky e a Mildred.
A reta final da uma brisada boa.
O filme apresenta um enredo bastante simples e trabalha o estudo psicológico das personagens de forma sutil, o que pode não agradar a todos. Ainda assim, considero que traz o melhor uso da fotografia em tons de rosa na história do cinema. A tensão cresce a cada cena, conduzida pela trilha sonora dramática de Gerald Busby. As atuações das protagonistas são formidáveis, transmitindo com intensidade a vulnerabilidade de suas personagens. Mais uma obra-prima de Robert Altman.
Esse é aquele tipo de obra que entrega mais do que promete no início. As protagonistas não nos provocam nenhuma empatia, mas a forma como a direção conduz a história com leveza e fluidez mantém o tempo inteiro o nosso interesse por ela. O título parece equivocado por citar três mulheres já que apenas duas delas são de fato protagonistas da história. A terceira tem muito pouco a fazer nela. As duas protagonistas interpretadas por Sissy Spacek e Shelley Duval fazem muito bem os seus papéis. A última chegou a levar um merecido prêmio de melhor atriz em Cannes.
Shelley Duvall e Sissy Spacek estão formidáveis.
Uma alegoria onírica sobre o feminino. Obra-prima hipnótica.