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O filme conta a história de um chef azarado e viciado em jogos que, fugindo de suas dívidas, vai para a América Latina e assume a identidade de outro homem.
Apesar de a premissa ser interessante, o roteiro apresenta tantos furos que o espectador precisa fazer um esforço constante de suspensão da descrença para acompanhar a trama e se envolver nos “momentos de clímax”. Um exemplo notável é a existência de uma rede internacional de ações ilegais de entretenimento, na qual os participantes pagam milhões para desfrutar de um jantar exclusivo. No entanto, é difícil acreditar que uma organização dessa magnitude não teria conexões com policiais corruptos locais, especialmente em um cenário como o da América Latina, onde a baixa remuneração, a desigualdade social e as más condições de trabalho frequentemente alimentam a corrupção policial.
Outro ponto que compromete a credibilidade é a insistência do filme em retratar essa organização como uma entidade exclusiva, altamente organizada e rigorosamente monitorada. O responsável pelos jantares, por exemplo, possui acesso a e-mails e IPs de todos os moradores da vila. Porém, quando o chef original é substituído pelo protagonista, isso passa completamente despercebido, o que contradiz a ideia de que a organização seria tão eficiente e atenta aos detalhes. Essa incoerência quebra a confiança do espectador na capacidade de vigilância dessa rede tão "organizada". O chef original narra ao protagonista dezenas de jantares que preparou a organização, mas quando o sujeito é substituído, é como se o sujeito nunca tivesse existido. Aonde foram parar os contatos anteriores?
A ideia central do filme é ótima — ainda que não seja original — mas a execução do roteiro deixa muito a desejar. A trama exige uma dose exagerada de descrença ou ingenuidade por parte do público para que se sustente.
"Bandida: A Número Um" é um filme que se destaca dentro do que se propõe a fazer. Maria Bomani surpreende com uma atuação poderosa, exibindo uma beleza autenticamente brasileira. A trama aborda as consequências das mazelas sociais, o estigma associado à favela, e o descaso do Estado, que se reflete na falta de saneamento básico, educação e dignidade, moldando os indivíduos conforme o meio em que vivem. O filme também expõe como o Estado, com sua postura moralista, só direciona sua atenção para a favela quando o problema se torna público, sendo ele próprio um dos causadores desses problemas, especialmente pela corrupção na Polícia Militar.
A jornada de Rebeca é repleta de nuances e personagens que enriquecem sua trajetória, mas nesse aspecto o filme peca. Com apenas 1 hora e 20 minutos de duração, é difícil aprofundar temas complexos como o abandono da mãe, os familiares mencionados, a infância marcada pelo uso de cola e os amigos que também se envolvem no mundo do crime. As atuações são impecáveis, mas a profundidade dos personagens acaba limitada pelo tempo de tela. Para fazer justiça à história e à narrativa, uma duração de três horas seria o mínimo necessário — ou mesmo uma série. Há diversas ramificações, históricas, sociais e biográficas, que poderiam ser exploradas com mais profundidade, tornando a tensão e os personagens ainda mais relevantes.
De qualquer forma, o filme merece cada minuto da sua atenção, e o diretor João Wainer fez um excelente trabalho. Ainda assim, fica a sensação de que a obra poderia ter sido algo maior devido à sua curta duração. Quem sabe uma minissérie seja a resposta ideal para explorar todo o potencial dessa história.
Últimos recados
Olá, obrigada :D
Adorei sua lista de favoritos, incluirei vários na minha lista de filmes que quer ver!
Abraço
ah, obrigada pelas palavras (e desculpa a demora em responder), fico feliz que os meus textos gerem diálogos, mesmo que mentais...vi aqui que já conversamos antes, sobre John Waters ainda ,haha.
Está add! Bem vindo ao meu círculo de amizades Filmow! Abraço.
Black Phone 2 deveria se chamar "como destruir sua reputação como roteirista", pois o primeiro foi arte em escrita, o segunda, uma afirmação ao clichê