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O filme funciona quase como um espelho do movimento Escola Sem Partido: sob o discurso de neutralidade e proteção dos alunos, revela-se um ambiente de vigilância, medo e silenciamento do pensamento crítico. Ele mostra como uma simples escolha pedagógica pode ser distorcida em acusação moral, transformando a escola em um espaço de julgamento ideológico. Ainda que falte maior contundência dramática (certas tensões ficam sem desfecho emocional esperado), o impacto está na reflexão: quando ensinar vira risco, ou melhor, quando o professor passa a ter medo de ensinar, todos perdem.
Há artistas e há fenômenos. Ney Matogrosso pertence à segunda categoria. Desde os tempos de Secos & Molhados, quando rasgou a caretice da MPB com sua performance andrógina e teatral, até sua carreira solo, marcada por uma curadoria musical impecável, Ney sempre esteve um passo à frente de seu tempo. Mais do que um cantor, Ney Matogrosso é uma entidade da cultura brasileira. Um artista que, ao longo dos anos, manteve-se fiel à única regra que parece guiá-lo: a de jamais ser previsível. Que continue assim, incendiando palcos e desafiando rótulos, pois sua arte é, e sempre será, um manifesto vivo da liberdade.
Assistir a essa obra justamente no Dia das Mulheres intensifica ainda mais a sua potência: revelar desejos e silêncios dialoga diretamente com a luta coletiva por voz, espaço e reconhecimento.