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Temos o pontapé do Universo DC com Snyder!
O início deste filme é um problema, principalmente em relação à montagem. Nessa tentativa de ir e voltar do passado — talvez para não cansar o público com uma história mais linear — acaba falhando: cansa e ainda torna confusas as linhas do tempo.
Zack Snyder começou a carreira dirigindo videoclipes, e isso fica evidente aqui. Parece que cada cena precisa ser épica, o que faz o filme parecer caricato em muitos momentos, porém gera takes bonitos e ótimas fotografias dignas de capa de caderno.
A atuação de Henry Cavill (Superman), se não é boa, ao menos não estraga o filme. Amy Adams (Lois) também funciona. Contudo, quando estão juntos, revelam mais uma falha de roteiro: a construção do casal não convence. Já Zod (Michael Shannon) não compromete, mas também não gera empatia. A verdade é que tudo é muito mediano.
As grandes qualidades deste filme estão na trilha sonora — mais uma vez entregue a Hans Zimmer, que não decepciona — e em talvez a melhor cena ao longo das mais de duas horas: o primeiro voo do Superman. É realmente daquelas que te empolgam e te fazem lembrar que ainda é um filme de herói. E as cenas de luta? Aí sim temos algo impecável feito por Snyder: tudo tem muito impacto e é muito bem fotografado.
Se a luta em si é muito bem coreografada, também traz um problema moral sério ao personagem. Superman sempre foi conhecido por seu amor à vida e por proteger todos os seres vivos ao seu redor. Vê-lo lutando no meio da cidade sem parecer se importar com os humanos que ali estão denigrem fortemente sua obra original e caracteriza uma adaptação, no mínimo, controversa.
Para piorar, temos mais uma decisão narrativa polêmica no fim: Superman matando. É sem sentido. Até aquele momento, ele parecia não se importar com as vidas perdidas durante a luta e, de repente, alguém se lembrou: “ei, o Superman se preocupa com os seres humanos”. Além de uma mudança abrupta de personalidade, sendo o mais gentil possível na avaliação, é questionável colocar no primeiro filme da franquia uma decisão dessas.
O Homem de Aço, no fim, é um filme mediano em quase tudo o que se propõe. Empolga com as cenas de luta e com a trilha sonora, mas modifica todos os valores morais de suas histórias em quadrinhos. É bonito, é épico, é caricato e, às vezes, até vazio de Superman.
Temos uma queda considerável nesta sequência de Mulher-Maravilha, e talvez o principal problema seja justamente o roteiro.
A escolha narrativa de trazer Steve Trevor (Chris Pine) de volta — e da maneira mais criminosa possível — demonstra a total falta de juízo de quem escreveu este roteiro.
Se queriam tanto que o personagem continuasse, por que o mataram no primeiro filme? E trazê-lo desta forma, como um pedido feito pela própria heroína, é ainda pior. Depois de saber que uma vida está sendo manipulada para cumprir esse desejo sórdido, a atitude de Diana (Gal Gadot) vai contra tudo o que a Mulher-Maravilha é e sempre foi nos quadrinhos. Lembrando que, no decorrer do filme, é o próprio Steve quem precisa convencê-la do quanto isso é errado. Patty Jenkins deve ter fumado uma erva muito forte para achar que isso tinha cabimento.
Aliás, a falta de criatividade não ficou só em trazer o Trevor de volta, mas também em tentar resgatar o humor do primeiro filme com as mesmas piadas de alguém tentando se inserir numa nova realidade. Se no primeiro filme era a própria Diana conhecendo aquele mundo novo, agora é o Steve se adaptando à década de 80. Funcionou no primeiro, porém evidencia a falta de inspiração de quem escreveu o texto.
O vilão, que eu já ia esquecendo — e não por culpa minha, afinal Maxwell Lord (Pedro Pascal) é esquecível mesmo —, é só mais um papel dos diversos que o ator fez ao longo da carreira. O próprio filme questiona a falha de motivação ao perguntar “por que desejar mais?!”. Ninguém sabe. É o artefato que trouxe essa sede de ganância? Não sei, só sei que foi assim. E some-se a isso a coadjuvante Mulher-Leopardo (Kristen Wiig), que não ganharia nem num concurso amador de fantasia de alguma loja de quadrinhos.
As atuações, no geral, são ruins. A de Gal Gadot parece de alguém que acabou de aprender inglês. Pedro Pascal e Kristen Wiig, tentando ser maléficos, ficam ridiculamente caricatos. Pine talvez seja o único que se salve, entregando o mesmo carisma do primeiro filme.
Falando em salvamento, parabéns à direção de arte por conseguir trazer a década de 80 ao filme. A trilha sonora é eficaz e até nos faz esquecer a tristeza que estamos vendo. Um elogio também à homenagem à primeira Mulher-Maravilha, Lynda Carter. O último ato não é de todo ruim: tem uma mensagem bonita sobre abrir mão até daquilo que mais desejamos. Só que foi tudo tão pobremente construído ao longo das duas horas e meia de filme que talvez não impacte tanto quanto um corte de TikTok dessa cena final sem contexto.
Mulher-Maravilha 1984 é deprimente comparada ao primeiro filme. Tem direção e roteiro pouco criativos, efeitos especiais que parecem querer homenagear de verdade os anos 80 (uma vez que parecem os efeitos daquela década), atuações no geral ruins e uma fotografia bonita — pena não ser só um papel de parede no computador de alguém.
Venham todos para a loja de conveniência do Jurassic Park! Não há melhor forma de definir a sequência da franquia dos dinossauros.
Querem alguém se atrapalhando com as cordas para criar uma cena de tensão? Ao menos acredito que esta era a intenção. Não digo que conseguiram, talvez raiva seja o melhor sentimento. Que tal uma especialista em comportamento animal que acha superincrível levar um filhote de T-Rex para cuidar? Espera aí, os pais do filhote a seguiram… nossa, quem diria, né? E isso são só alguns exemplos do que podemos encontrar na loja do roteirista que escreveu isto.
As atuações não são ruins, mas os personagens… não posso falar o mesmo. Que coisa triste! Se o primeiro filme te pegava pela história e pelo carisma de cada pessoa, até mesmo o antagonista John Hammond, com sua moral ambígua e que até o fim se desenvolve, nesta sequência não temos a mesma coisa.
Ian (Jeff Goldblum), alçado ao posto de protagonista, não rende. Talvez seu papel seja apenas de bom coadjuvante e alívio cômico. Sarah (Julianne Moore) também decepciona: é inteligente quando convém, capaz até de dizer o que o dinossauro fará assim que acordar do coma, mas também é a mesma que decidiu pegar o filhote dos pais. Peter (Arliss Howard) dá vida ao magnata ambicioso, muito longe da dualidade do primeiro antagonista da franquia; ele é só um “playboyzinho” ganancioso. E ainda ponha de lambuja Kelly, filha de Ian: só uma personagem sem graça que eles acharam que poderia substituir à altura as duas primeiras crianças do filme original. Não… não conseguiu.
Spielberg ainda brilha na direção: fotografias bonitas e panorâmicas, a trilha sonora ainda impacta (mesmo sendo utilizada em cenas desnecessárias, como se quisesse dizer “continuem assistindo, é o Jurassic Park”). As cenas de ação são bem filmadas: não empolgam tanto, mas também não deixam de cumprir seu papel.
O Mundo Perdido é uma sequência triste quando vemos o caminho que poderia seguir, onde até o Velociraptor faz figuração e passa longe de ser a ameaça que um dia foi. Tudo bem, Spielberg, eu te perdoo. Jurassic Park 2 não é ruim, mas machuca o sentimento do que um dia foi uma obra-prima.