Últimas opiniões enviadas
James Gray (1/6)
O arco narrativo de Bobby é bem bizarro (do nada, um gerente de bar no programa de proteção a testemunhas se torna um policial, quê? parece que cortaram uns 30 minutos do filme entre esses dois eventos), mas seu arco, digamos, "psicológico", é sensacional: sentimos as emoções que dirigem o personagem em todas as suas escolhas, a indignação pela impunidade, a raiva pela traição, a determinação pela vingança, o amor e o ressentimento que ele tem por suas duas famílias, tanto a real como a escolhida.
Sinto, porém, que alguns temas foram explorados bem superficialmente: as causas do desgaste entre Bobby e a família, a traição sofrida pelo Bobby, seu relacionamento com a Amada, como se deu a aproximação com os russos, etc etc etc... e o título também me incomoda, "Os Donos da Noite" soa como um filme policial noir, com detetives fodões que realmente aterrorizam a cidade, seja os bandidos ou os inocentes, tal qual Denzel Washington em "Dia de Treinamento", e depois daquela abertura, realmente parecia que seria algo do tipo e sei lá, ver o Mark Wahlberg com cara de bonzinho como o "dono da noite" realmente me frustrou rs
Tratando-se do tema que trata, não tem muito a dizer para mim e não me é muito marcante, mas é um filme policial bastante sólido, alçado a "joia cult" pelo trabalho de direção e fotografia e pela atuação excelente do Joaquin Phoenix (como é sempre de se esperar vindo dele).
Momentos marcantes:
- A abertura, fotos antigas da polícia de NY em preto e branco, com um jazz tocando ao fundo, seguido da Eva Mendes de lingerie ao som de "Heart of Glass", que coisa linda: cliquei pra ver o filme eram três da manhã, morrendo de sono e desinteressado, mas essa cena inicial me segurou e me fez ficar até o fim.
- A perseguição de carro, maravilhosa, mesmo, a atmosfera lembra muito aquela cena aclamada de "The French Connection" e a direção do Gray claramente homenageia seu predecessor, botando um trilho de trem ao lado da estrada e a câmera para trabalhar de dentro do carro, só que na chuva e com um final muito mais impactante, foda!
Você não está sozinho. As pessoas que te amam tentarão te ajudar, da maneira que puderem. Elas explorarão profundas escuridões, lugares gélidos e inóspitos ao seu lado, botando suas próprias vidas em risco para ajudar a salvar a sua. Mas, no final, isso não é o suficiente. Você deverá seguir seu próprio rumo, mesmo que, para isso, você deixe uma estrada limpa e clara para entrar novamente em uma floresta densa e incômoda, como Will ao final do filme (uma das melhores metáforas visuais no cinema nesses últimos tempos). E seria cruel pedir às pessoas que você ama para que te acompanhem mais uma floresta adentro. O máximo que elas podem fazer é deixar uma sacola com comidas e suprimentos e torcer para que você volte para buscá-las. Vencendo ou perdendo, algumas batalhas, nós precisamos disputar sozinhos.
Leave No Trace é o irmão gêmeo de Manchester by the Sea, nesse sentido: sem respostas óbvias e simples para a depressão, tratando-a com um pessimismo real e perfurante.
Últimos recados
Te enviando solicitação de amizade aqui pra acompanhar teus comentários, depois do que cê colocou sobre Poesia. Assisti há um mês, mas algo daquele filme permanece.
Opa Lucas, tudo certo. Então, eu também tenho uma péssima memória pra guardar roteiros/tramas de filmes e impressões mais detalhadas, mas não tenho a sua disciplina. hahaha Ultimamente não estou tendo muito empenho pra comentar.
E uma vida sem filmes fica complicada, hein. Que consiga reservar um tempo pra eles futuramente. Ah, eu gostei filmes dos Srs. Benson e Moorhead (principalmente do Resolution), e estou com o Primavera na lista aqui. Teria mais algum filme nessa linha pra recomendar?
Conversamos, té mais.
Seus comentários são muito bons, cara. Te adicionei aí pra acompanhá-los e roubar alguns filmes. hahaha
Valeu!
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"Iluminação" é a jornada de um cientista sofrendo dos mais urgentes dilemas e angústias que assolam o homem racional. É inédito em seus temas, já que nunca vi uma exploração psicológica tão substancial de um homem da Ciência (de homens de Fé, tem um monte e também costumam ser interessantes), e na sua forma, com um ritmo maluco guiado por uma montagem frenética que opta por cortar arestas e cair de cabeça no cerne da coisa, chegando até a confundir o espectador com o tanto de informação que lhe é transmitida: anos e anos de uma vida, condensados em noventa minutos.
A busca inicial por respostas racionais e finais a tudo que se vê e que se sente, a exploração da biologia, da psicologia e da espiritualidade do Homem como contraponto ao positivismo e à pomposidade acadêmica, a ansiedade causada pela insatisfação das respostas disponíveis e a aceitação de nossa real ignorância. A agoniante necessidade de fazer tudo, conquistar tudo antes dos trinta anos, afinal, as melhores ideias surgem cedo, os ganhadores do Nobel o ganham jovem. O peso do conhecimento do mundo e a busca pela sabedoria de usá-lo corretamente. O que é usá-lo corretamente?
Há diferentes questionamentos propostos aqui, todos igualmente interessantes, alguns que eu, nos meus anos de estudo da Química, tive que lidar pessoalmente. E tudo envolto em uma aula de como fazer cinema (a cena de passagem do tempo por meio de infográficos sobre gravidez é INCRÍVEL). Filme verdadeiramente formidável.