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A narrativa centraliza na luta de uma mulher negra 'abandonada' com dois filhos e acerta com realismo brutal uma miríade de temas sociais: violência doméstica, alcoolismo, a dignidade do trabalho dos catadores, desigualdade social, a complexidade da maternidade periférica, abuso sexual, dependência emocional e a importância da rede de apoio.
Como disse a atriz Shirley Cruz: "As violências contra a mulher são inúmeras, infinitas, primitivas. Elas foram normalizadas na sociedade e resultam em milhares de abusos, humilhações e mortes todos os dias."
O diálogo da Gal com a prima, em particular, é revoltante e real demais, traduzindo a dimensão e a profundidade sistêmica desse problema.
É um filme muito bom, mas saí com a impressão de que podia ser ainda melhor, talvez por acreditar que mais coisas precisam ser ditas e/ou com mais força.
O racismo, a pobreza, a maternidade solo, a injustiça.. é um drama com críticas sociais. O defeito foi condensar tudo muito rápido, porque ficou exagerado, improvável e apelativo emocionalmente.
Porém, pra mim, o enredo se redime quando o plot twist no final dá sentido ao excesso proposital; ele revela, de forma dolorosa e compreensível, o desespero humano.
É uma representação simbólica do esgotamento causado por injustiças sociais pra quem valoriza impacto e empatia.
Algumas atuações e diálogos poderiam ser mais refinados, mas a protagonista sustenta a trama.
É um clichê do gênero, mas com uma tensão consistente, todo amarradinho, as peças narrativas se encaixam. Cheio de reviravoltas, prende a atenção. Um thriller psicológico eficiente!
Porém, o que pega mesmo é a trama paralela: as dinâmicas familiares contemporâneas e o fardo emocional que recai desproporcionalmente sobre as mulheres. Os julgamentos e os sentimentos de culpa. Por não ser o obetivo principal, não tem aprofundamento, é estereotipada, mas com valor reflexivo!