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House of Numbers - Anatomy of an Epidemic (2009) é um minimamente interessante documentário, bastante superficial, com uma premissa cândida e desorientadora, que ora parece trollagem da melhor qualidade e ora parece investigação ou desnudamento.
veja: falo da obra e não da tese. ou seja, eu não tenho cachorro na briga da relação entre HIV e AIDS. o assunto por si só não me interessa, mas o assunto é apresentado no documentário como se fosse apenas isto: uma tentativa formal de separar ou discriminar ambos.
porém ao tentar distinguir um do outro, o que é revelado é uma conspiração ou ao menos uma série de incertezas ou inseguranças a respeito do que eventualmente ficou conhecido como uma epidemia global.
é apresentado alguns interesses econômicos e políticos em iludir ou inflar números de modo a garantir recursos e financiamento ininterrupto em todo mundo mesmo quando a simples regularização sanitária, com água potável e esgoto provavelmente produziria uma qualidade de vida muito melhor e um número menor de doenças e mortes de casos distintos à AIDS, os quais são muito mais letais. ao mesmo tempo é mostrada a fragilidade comum entre profissionais de saúde em defender ou mesmo citar suas fontes de informação ou replicação de estudos.
ou seja, eventualmente o que antes era chamado de "ciência" ou "consenso científico" é tratado no documentário como um conjunto de crenças conflitantes, mais de uma de cada lado, tornando a discussão antes sobre saúde em esferas de dogma ou coerção majoritária, em polarização, em "narrativas oficiais" contra investigações independentes ou grupos perseguidos.
o mundo será sempre um ambiente difícil e caracteriza-lo ou entendê-lo será sempre elusivo. e só por isto existem estratégia como a ciência, um método de investigação, revisão e criação de novas teses que espera-se que se atualizem à luz de novas descobertas.
segundo a wikipedia americana muitos entrevistados não gostaram da representação feita deles mesmos ou de seus discursos, e talvez isto tenha ajudado a diminuir a divulgação da obra, ainda que muitos ainda hoje parecem continuar a defender a mesma tese de separação entre o vírus e a doença.
foi um documentário relativamente difícil de encontrar... encontrei apenas num torrent russo, sem legendas, etc, mas existem exemplos dele no youtube.
em alguma entrevista em algum lugar... foi dito que o youtube continha versões falsas do documentário, contendo a apologia oposta ao conteúdo original da obra... mas tenho a impressão que não se trata mais do caso, e aparentemente a versão presente no yt é a mesma presente no torrent porém em qualidade de imagem levemente inferior.
em 2012 parece que houve uma entrevista reforçando teses do documentário, disponível para download no site archive org ou o áudio no spotify:
Joe Rogan Experience #282 – Dr. Peter Duesberg & Bryan Callen-480p
eu ainda não o vi, e já está na minha lista de consumo futuro. em conjunto a Communion (1989), Vaxxed - From Cover-Up to Catastrophe (2016), An Inconvenient Study (2025) e Moment of Contact - New Revelations of Alien Encounters (2025).
este último é sobre o caso Varginha que parece ter alegrado bastante aos gringos =]
_o/
Louis Theroux - Inside the Manosphere (2026) é um honesto, talvez levemente superficial e cansativo, documentário sobre um fenômeno digital recente.
não há muita reflexão e não é muito divertido. mas parece bastante fiel aos personagens envolvidos - e digo isto apesar de nunca ter visto nenhum vídeo dos personagens anteriormente mas já vi alguns vídeos do Andrew Tate e Dan Bilzerian, os quais possuem discurso semelhante, são mencionados mas não entrevistados.
Theroux talvez seja um dos documentaristas que mais vi na adolescência, sempre expondo algo considerado underground ou exótico, normalmente com humor, e tratando inclusive de casais de swing em outra oportunidade - o que não difere muita da publicidade ou promessa oferecida pelas "celebridades da manosfera". tais celebridades porém parecem desconhecer o passado do documentarista, mantendo uma posição talvez insegura ou beligerante contra o entrevistador.
como de costume, eu gosto da bastante da existência de tais grupos ou culturas, quiça sub-culturas, e não apenas desta obra mas também das demais pois o contrário me parece uma impossibilidade. ou dito de outra forma, seres humanos sempre irão se unir por alguma afinidade, por menor ou mais destoante que seja e apesar de qualquer opinião ou valor contrário vigente ou majoritário. assim, qualquer idéia de unidade universal ou coesão irrestrita ou massificação homogênea soa-me sempre como fantasia.
pelo documentário não ter tentado ser aprofundado ou reflexivo, não me parece coerente fazer alguma reflexão aqui. apenas perguntar: quanto tempo durará este fenômeno?
normalmente neste contexto o termo "red pill" é citado e curiosamente o documentário The Red Pill (2016) não parece tratar de quase nada do que é falado na "manosfera".
ou seja, em 10 anos "red pill" conceitualmente se transformou em outra coisa. e eu teria algum interesse em saber o que termo representará em 10 anos... em 2036 e quiçá depois.
dos entrevistados, o mais velho parece ser Justin Waller (1985-12-04), seguindo pelo Myron Gaines (nascido Amrou Fudl, 1990-02-01). Nicolas Kenn De Balinthazy (Sneako, 1998-09-08) e Harrison James Patrick Sullivan (HSTikkyTokky, 2001-10-06).
os mais novos parecem ter se "formado" na internet. estamos falando de pessoas com fama e dinheiro abaixo dos 20 anos de idade. e não consigo julgar pessoas nesta faixa de idade. errar em análise ou comportamento ou postura é o esperado pela idade.
por fim, é um bom documentário, convém conhecê-lo mas não me deixou saciado. ao contrário, aumentou minha vontade de conhecer mais histórias controversas ou combatidas ou sectárias ou de nichos.
recomendo assistir They Live (1988), Mystic River (2003), Confessions Of A Porn Addict (2008), The Imposter (2012), An Honest Liar - The Amazing Randi Story (2014), The Red Pill (2016), Take Your Pills (2018), There Are No Fakes (2019), Running with the Devil - The Wild World of John McAfee (2022).
_o/
Últimos recados
Fernando, vi um filme que me divertiu e eu adorei... Não sei se curte desenho... Mas esse aqui eu adorei!
https://filmow.com/homem-aranha-no-aranhaverso-t122534/
Oi, moço sumido! kkkkk Casamenteira foi ótimo! xD kkkk
Nunca vi, mas já observei que tem um monte de ator bom! Então vale à pena ver?
Acho que se enganou. Nao sou a pessoa que procura =/
Communion (1989) [br: Estranhos Visitantes] é datado, um pouco lento, e talvez seja o filme de "terror" mais calmo ou pacífico da história do cinema.
não há terror a não ser para aqueles que temam ser o universo mais surpreendente do que normalmente se fala ou se conhece dele.
existe alguma coisa de terror no sentido de delírio ou perda da razão. existe algo de terror em caminhar para loucura, mas este tipo de amedrontamento se difere do que normalmente se caracteriza o estilo "terror" no cinema.
Whitley Strieber, autor e protagonista, em algum momento, em entrevistas, expressa descontentamento com a obra por ela ter contado com o uso de improvisos e termos alheios ao seu texto original.
e ainda o filme não se torna insípido ou desinteressante apesar dos efeitos especiais presentes e atuações teatrais - carregadas e muito saturadas para o cinema.
a história é lenta e bem contada, sem deixar dúvidas ou saltos, e prenderá a atenção dos minimamente interessados em relatos de contatos com 'seres inteligentes não-humanos'.
e se não me engano, esta é uma distinção importante para o autor do livro no qual o filme se baseia: não se trata de 'alienígenas'. o autor simplesmente não sabe o que eles são e não tem a intenção de defini-los como uma coisa ou outra. seu interesse é apenas em relatar o ocorrido. ou pelo menos foi isto o que entendi de uma entrevista recente do escritor.
estou dando uma nota 7.0/10.0 para o filme e sei que é uma nota alta para o quê o telespectador normalmente espera e ainda mais dada as várias fragilidades presentes na obra. porém, o filme prende a atenção, não chega a ser tedioso, não é repetitivo, e assim cumpre minimamente o seu papel principal: entreter o telespectador durante toda sua execução.
ainda me parece que a obra fornece elementos para reflexão, e assim pode entreter ou ocupar o telespectador pós-execução - o que também tende a ser um bom sinal.
talvez seja como os filmes originais de Guerras nas Estrelas... que não se apresentam como obras tão interessantes mas as histórias ou o universo oferecido tendem a compensar quaisquer problemas cinematográficos.
em resumo, não é um bom filme, mas uma boa história.
prefiro recomendar The Incredible Shrinking Man (1957), Solaris (1972), Close Encounters of the Third Kind (1977), Stanley Kubrick's The Shining (1980), They Live (1988), The Langoliers (1995), Dark City (1998), Pi (1998), Pulse (2001), Signs (2002), Moon (2009), Super 8 (2011), Prometheus (2012), Coherence (2013), Under the Skin (2013), The Signal (2014), Arrival (2016), 10 Cloverfield Lane (2016), Mars Express (2023).
_o/