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Últimas opiniões enviadas

  • Rodrigo Miguel

    Lá nos anos 2000, quando o agora malquisto Bryan Singer apresentou ao mundo um grupo de mutantes vindos dos quadrinhos em “X-Men: O filme”, o público ainda não estava acostumado com histórias de super-heróis. Era pura novidade, e todos queriam saber como seria o visual dos personagens na tela do cinema. Será que o Wolverine vai vestir o colante amarelo, com máscara e tudo? Os fãs se perguntavam. Depois de inúmeras continuações e do domínio da Marvel nesse praticamente novo gênero, eis que “X-Men: Fênix Negra” entra em cartaz com um ar de despedida, afinal trata-se do último filme da franquia produzido pela 20th Century Fox. O clima de adeus é tanto que, na sessão para a imprensa, a representante do estúdio no Brasil e o diretor Simon Kinberg (em vídeo) agradeceram os jornalistas pela cobertura de “X-Men” no decorrer dos anos.
    Evidentemente que “Fênix Negra”, como conclusão, precisa entregar algo épico, que teste o limite do Professor Xavier (James McAvoy) e de seus asseclas. Então, para isso, nada melhor que a transformação de Jean Grey (Sophie Turner) na mutante mais poderosa do mundo. Grey, ao salvar alguns astronautas em orbita terrestre, é atingida por uma abundante energia que parece ser o resultado de uma explosão solar. Ao voltar ao planeta, ela passa a ter momentos de fúria, que acabam liberando progressivamente o poder recém-adquirido. Os bloqueios de memória sobre o acidente que matou seus pais, colocados no passado por Xavier, também são retirados, fazendo com que ela não confie mais no professor, que escondeu fatos sombrios da infância da garota. Enquanto isso, uma raça alienígena chega à terra, e sua líder (Jessica Chastain), não só sabe de onde vem a tal energia, como quer tomá-la para dominar a terra. Aliás, são seres que surgem do nada, atrás de uma energia que convenientemente está bem perto do ônibus espacial à deriva, e tomam a brilhante decisão de ficar com o pequeno planeta azul para si.
    É com esse fio de trama que o roteiro do próprio Kinberg é construído, dando forma a um filme sem grandes aspirações e sem inspiração. Mesmo na técnica cinematográfica o cineasta não sai do comum. Sua direção é acadêmica nos planos e contra planos nos momentos de diálogos e desinteressante nas cenas de combate que não empolgam ou causam comoção pelas mortes de algumas figuras importantes durante as duas primeiras batalhas. Basicamente ele se repete do início ao fim. A emoção é rasa, independente do bom trabalho dos atores. Bem, de alguns deles pelo menos, pois parece que Jennifer Lawrence está ali apenas para cumprir contrato. Não atua mal por ser competente em sua função, mas mostra certo ar de desinteresse pelo personagem que interpreta há anos. Outro agravante é que Jean se torna praticamente uma deusa, derrotando facilmente Xavier, Magneto (Michael Fassbender), e qualquer ideia mirabolante de cena de ação que seria logo finalizada por um simples levantar de mãos da garota.
    Personagens mal aproveitados fecham a lista de reclamações: Tempestade (Alexandra Shipp) não faz mais que soltar alguns raios, Mercúrio (Evan Peters) tem pouco tempo de tela, apesar de ter se tornado o queridinho dos fãs pelo seu carisma e boas cenas de humor e ação nos longas anteriores. Até Noturno (Kodi Smit-McPhee) que tem mais atenção do roteiro, é irrelevante contra uma Fênix Negra que consegue atingi-lo durante os teletransportes. “X-Men: Fênix Negra” é um produto que acaba não ofendendo ninguém, se tornando, no futuro, aquele filme da Tela Quente que as pessoas assistem até pegarem no sono.
    Obs: É difícil não pensar em uma luta entre Fênix Negra e Capitã Marvel para saber quem sairá vencedora. O futuro dirá.

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  • Rodrigo Miguel

    Hollywood, os astros do Rock estão se esgotando! Por isso, em um futuro próximo, as tão frequentes cinebiografias que você costuma filmar não existirão mais. Chega de sexo, drogas e Rock and Roll. As orgias não poderão ser chamadas assim, pois não haverá pessoas para participar delas. Tudo o que era para ser mostrado, já foi mostrado. Aquela carreirinha de cocaína cheirada com uma nota de dólar se tornou obsoleta. Os dramas de solidão que favorecem o mergulho nas drogas e na bebida foram banalizados. Siga em frente Hollywood! Os grandes gênios não precisam de filmes feitos em seus nomes para serem lembrados, principalmente os que ainda estão vivos. Mantenha a câmera desligada e deixe que o público puxe na memória as suas músicas prediletas. Só assim para que os astros e estrelas sobrevivam decentemente. Bem Hollywood, depois do aviso, é preciso falar sobre “Rocketman”.
    Para começar Hollywood, você tem um diretor que obteve algum sucesso com outra dessas cinebiografias e o fez repetir quase quadro a quadro o conceito estético de seu filme anterior. O roteiro também se repete em sua estrutura, basta analisar o arco do personagem principal para perceber que seus anseios, desejos, erros e obstáculos são narrativamente apresentados da mesma forma que no filme sobre um tal de Fred Mercury. Hollywood, agora você até pode dizer: “Espera! Os roteiros são escritos com base em artistas com vidas parecidas”. Dá para entender essa sua justificativa Hollywood, mas será que outros pontos relevantes da extensa carreira de Elton John não poderiam ter sido confeccionados além do comum? Você precisava ser tão preguiçosa ao mostrar os problemas do cantor com os pais, com a homossexualidade prestes as aflorar e com vício em drogas e bebidas? “Bohemian Rhapsody” chegou antes e já contou essa história. Um desavisado defensor de Hollywood pode entrar na discussão e perguntar: “Se trata de um filme sobre um Rockstar. O que esperava?” Bom, sempre se espera algo que faça a plateia se emocionar, e o artista Elton John emociona o mundo todo, há muito tempo, sem precisar do cinema para lhe dar uma força.
    A despeito de suas convenções narrativas, querida Hollywood, saiba que “Rocketman” tenta se destacar como musical, mesmo nas cenas fora do palco. Os atores se esforçam, principalmente Taron Egerton, que realmente canta e não é dublado como um recente ganhador do Oscar de melhor ator. Egerton se saí bem, conseguindo incorporar um pouco do espírito de Elton John. Já Jamie Bell, que faz o compositor Bernie Taupin, e Richard Madden, o inescrupuloso agente John Reid, são razoáveis nas linhas musicais que lhe cabem. Até o repetidor Dexter Fletcher tem algumas ideias surrealistas ao inserir, nos momentos das apresentações, alucinações que fazem a plateia dos shows e o próprio vocalista flutuarem, ou mesmo pincelando pequenos encontros do Elton adulto com o Elton criança. Fletcher também saí da linha ao ir despindo o cantor de sua fantasia durante um encontro de alcoólicos anônimos. No início da projeção, ele chega fantasiado espalhafatosamente e vai perdendo os adereços assim que mostra gradativamente sua verdadeira personalidade. Afinal, deixa de se esconder.
    Infelizmente Hollywood, esses são apenas alguns desvios na rota traçada por você, e não são suficientes para elevar o nível da produção ao ponto de evitar seu completo esquecimento com o passar dos anos. É certo que aquele defensor de Hollywood poderia voltar afirmando: “Mas, o próprio Elton John está envolvido na produção. Então, é uma adaptação mais do que fiel”. Ele de fato faz parte da produção, que a serve como uma espécie de diário filmado. Isso não significa que teve controle sobre todo o processo “criativo” por trás do espetáculo.

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  • Rodrigo Miguel

    Independentemente do resultado qualitativo da última temporada de Game of Thrones, e das discussões sobre as polêmicas decisões tomadas pela dupla de showrunners David Benioff e D.B. Weiss para terminar a história, não dá para negar que essa série entrou para história da arte pop. O nível de GOT se tornou tão alto que não é correto tratar tudo o que foi feito como mais uma produção para TV. O que o mundo viu durante oito anos é puro cinema. Cinema superlativo, com bom roteiro, muita ação e efeitos visuais de alto padrão. Claro que, para entregar toda essa grandiosidade em tela, era preciso contar com uma vasta e experiente equipe nos mais variados níveis de produção. Para homenagear todas essas pessoas que deram a vida por GOT, a HBO levou suas câmeras para os bastidores com “Game of Thrones: A Última Vigília”.
    Com esse documentário, a diretora Jeanie Finlay capta os últimos takes de um grande sucesso que será difícil de esquecer. O espectador que pode ter sentido ódio depois dos créditos finais de “The Iron Throne”, vai se emocionar com a paixão que cada membro da equipe empregou em seus trabalhos. Não são apenas empregados trabalhando por dinheiro, são, antes de mais nada, fãs que estariam ali mesmo de graça. Pessoas anônimos que formaram uma família junto com os astros e estrelas, diretores e produtores, para levar a tristeza, o horror, a surpresa e a alegria para milhões de pessoas.
    Apesar de ter a participação de Emilia Clarke, Kit Harington, Lena Headey, Peter Dinklage, Sophie Turner, Maisie Williams, entre outros, o que interessa a Finlay são aqueles que ninguém conhece. Ela segue um figurante que já trabalha na séria desde a terceira temporada, uma artista responsável pelas próteses que dão vida às várias criaturas imaginadas por George R. R. Martin e um coordenador da equipe que faz a neve de Winterfell e Porto Real. Dá ainda um pouco de atenção para a cabeleireira de Clarke e Harington, para a dona de um trailer de comida instalada nos sets de filmagem e para a equipe de dublês, que tem como chefe ninguém menos do que o Rei da Noite, interpretado por Vladimir Furdík . Dando voz para esses trabalhadores de bastidores, “A Última Vigília” faz com que público veja o fator humano por trás de tudo, independente do milionário marketing e dos holofotes.
    Evidentemente que os queridos atores principais também são responsáveis por momentos especiais, principalmente quando, no início dos trabalhos da derradeira temporada, leem o roteiro final de seus personagens em uma mesa redonda. A comoção e decepção que cada um demonstra são verdadeiros e provam o amor que eles sentem pela obra. É de partir o coração ver Kit Harington aos prantos quando sabe o destino de Daenerys, enquanto Emilia Clarke o observa com feição de tristeza. No final de uma leitura nessa mesma mesa redonda, todo os presentes comemoram o destino do rei da noite, assim como os fãs o fizeram quando assistiram em suas casas há algumas semanas. Há apenas um problema ao término do documentário: o seu próprio término, porque isso significa que GOT chega definitivamente ao fim, deixando para os muitos aficionados um longo inverno a enfrentar.

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