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O Agente Secreto é um filme que parece estar sempre caminhando entre dois mundos: o que o espectador espera ver e o que o filme realmente quer mostrar. Kleber Mendonça Filho transforma a expectativa de ação em um estudo sobre como as histórias se perdem antes mesmo de serem contadas.
Wagner Moura entrega uma atuação intensa e silenciosa. “Marcelo” parece sempre à beira de algo que nunca se revela totalmente, e essa ambiguidade dá força ao personagem. Cada gesto contido carrega tensão, como se ele estivesse sempre fugindo de uma lembrança que não supera.
O final, que tanta gente discute, funciona como um choque porque devolve ao espectador exatamente aquilo que o filme inteiro vinha preparando: incompletude. Não há catarse, não há reencontro, não há resposta. O Brasil nunca fechou as histórias da ditadura, nunca resolveu seus desaparecimentos, nunca costurou suas próprias lacunas. O Agente Secreto encerra sem encerrar porque esse é o único final honesto possível.
House of Dynamite começa extremamente bem. A direção da Kathryn Bigelow cria um clima de tensão constante, convincente e envolvente. O ritmo inicial é forte, o ambiente é sufocante no ponto certo, e a sensação de urgência funciona de verdade. É o tipo de início que faz você acreditar que vem um grande filme pela frente.
O problema é quando a narrativa se fragmenta em vários pontos de vista. Em vez de aprofundar a história, o filme se dispersa. Os personagens não têm tempo para existir, as situações perdem impacto e a trama se desconecta emocionalmente. O elenco, apesar de ótimo, é mal aproveitado: Rebecca Ferguson desaparece, Jason Clarke não tem espaço pra desenvolver nada e Idris Elba surge em cenas que quebram completamente o tom.
O final, por sua vez, é simplesmente frustrante. Não é aberto de forma interessante, é abrupto. Depois de construir tensão o filme inteiro, ele corta no momento em que deveria entregar alguma conclusã. No fim, House of Dynamite é uma ideia forte enfraquecida pela sua própria estrutura.
Apesar das ótimas atuações de Emily Blunt e de uma performance surpreendente do Dwayne Johnson, o filme não entrega o impacto esperado. Para algo chamado “The Smashing Machine”, quase não há ação, e a narrativa simplesmente não avança. A história começa no ponto A e permanece ali até o final, com exceção do momento em que Mark Kerr decide ficar limpo.
Os diálogos são fracos e a câmera faz tudo parecer um interminável reality de bastidores do UFC, sem intensidade ou emoção. A relação entre os personagens é tão tóxica e desconexa que fica difícil se importar com qualquer um deles. O final apenas reforça essa sensação, principalmente com o desfecho escrito que parece resultado de orçamento estourado.
O filme foi claramente overhyped. A ideia tinha potencial, mas o ritmo arrastado e a execução pobre tornam tudo bem menos interessante do que poderia ser. O destaque fica mesmo para a atuação do The Rock, finalmente mostrando que consegue ir além dos papéis estereotipados.