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Data de lançamento
12 Maio 2018Duração
Sérvia, 1999. Vlada trabalha como motorista de caminhão para a OTAN. Ele recebe uma missão de transportar uma carga misteriosa. De Kosovo a Belgrado, ele vai dirigir através de um território estranho e atravessar este país devastado pela guerra. Ele sabe que ao terminar o trabalho, terá que que voltar para casa e enfrentar as consequências de suas ações.
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A história poderia ser mais complexa, porém a ambientação do filme é bem interessante naquela região, o ator está ótimo, o jeito frio de se comunicar do povo daquela região, já torna o filme por si só interessantes.... Imovision
Um filme denso que retrata uma convivência com a guerra. Um filme bom.
Um retrato comovente e impressionante de um homem tentando sobreviver ao caos durante a guerra.
Me conquistou por se importar muito mais com a consequência e a devastação causada pela guerra do que em tentar apresentar o conflito de maneira mais visceral e crua. O não uso de tiroteios e mortes explícitas atribui ao filme um caráter mais intimista sob o olhar de quem sofre diariamente, ininterruptamente, com aqueles bombardeios. E a insegurança causada por tudo isso é palpável, principalmente pelas expressões de cada personagem. Interessante que a questão da carga sempre se apresenta de forma misteriosa, porém não é isso que rege a curiosidade do público completamente. Tanto é que, após a compreensão do que realmente está sendo transportado, o interesse naquela jornada não se esvai. É um filme que realmente tem o controle de cada aspecto abordado.
Para além disso, “A Carga” edifica acerca de sua ambientação, uma atmosfera de terror e desolação. Não há nada de positivo ou que soe otimista no filme, é tudo cinza, sem vida, sem esperança. É evidente que o conflito no Kosovo não apenas ceifou a vida de muitos seres humanos, como também destruiu o futuro de toda uma geração.
A Carga (2019, Ognjen Glavonic) – Crítica – Clube de Cinema Outubro
Um retrato da desolação e indiferença diante das tragédias humanas. A Carga nos mostra como podemos ser responsáveis pelas mortes das pessoas, mesmo não empunhando as armas
Não importa para Vlada, interpretado Leon Lucev, qual carga o caminhão irá transportar. Em sua terceira viagem, a maior preocupação não é com o perigo de dirigir em meio a guerra do Kosovo, mas em quando irá receber. Vlada é uma pessoa de personalidade séria, sem muita conversa. Isso nos provoca a sensação de indiferença, afinal, ele parece pouco preocupado. Essa percepção muda quando vemos ele telefonar para casa ou falar do filho. A guerra, a crise e os conflitos colocam em risco todos, inclusive sua família, antes de pensar no próximo, Vlad está interessado em proteger seu filho e esposa.
Em meio as paradas no caminho, Vlad encontra diversas situações de desolação e indiferença. Vemos os refugiados sendo transportados de barco. Ouvimos o barulho do avião, as bombas sendo lançadas, mas não vemos uma situação de conflito. O filme não mostra o conflito diretamente, mas as consequências e como as pessoas reagem. Uns fogem, outros casam. A cena do casamento, talvez seja o melhor retratado da indiferença. Enquanto alguns comemoram a união dos noivos, um corpo está estirado no quintal, sem ninguém se importar.
Aqui, talvez nos perguntamos como nossas ações individuais em nome da proteção de nossa família, da garantia de nosso emprego pode afetar outras pessoas. O quanto nosso instinto de autopreservação pode ser danoso a outros. Vlad, mesmo como um simples motorista e sua carga misteriosa não é responsável por suas ações, mesmo só querendo garantir o salário. Esse discurso de cumprir a lei e executar o que nos foi pedido é o que permite a indiferença, mas também as pessoas lavarem as mãos diante da morte de milhares.
Esse sentimento é transmitido na imagem e som do filme. Não é filmado como um documentário, mas caminha próximo. Não existe música no filme, a única trilha são os sons naturais. O silêncio é ensurdecedor, ainda mais em uma zona de guerra. Isso combina com a fotografia de tons frios, transmite uma sensação de dia nublado, sem calor, como se tudo fosse cinza. Apesar do desânimo ser predominante não é com esse sentimento que o filme termina.
O filme, escrito e dirigido pelo sérvio Ognjen Glavonić demonstra acreditar na possibilidade da superação das dificuldades e também na mudança das pessoas. Vlad, ainda é motorista, ainda terá uma carga para transportar, mas agora leva uma câmera consigo. O filho de Vlad, decide formar uma banda, em meio a guerra surge a necessidade de expressar os sentimentos de revolta e angústia. Uma forma de se sentir vivo e ter esperança.
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