A Casa é o filme em que Bartas finalmente chega a termo com o trauma gerado pelo passado recente de seu país, que ele vinha sistematicamente expressando em seu trabalho. Filmado quase que inteiramente em interiores, o filme segue um rapaz carregando uma pilha de livros, que se move de um quarto a outro de uma mansão ao estilo de Marienbad, encontrando vários homens e mulheres, que não se falam e que podem ser pessoas reais, fragmentos de memória ou frutos da fantasia.
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quero ver esse filme só pra entender o porquê das pessoas imediatamente sentirem o desejo de comentar um monte de abobrinha pseudointelectual logo após assisti-lo...
Essa grande obra, por sua magnificência imanente, manifesta-se como um dispositivo material dotado de uma potência intrínseca, capaz de desencadear transformações no espaço-tempo da consciência, operando uma eficaz dissolução ontológica entre elementos heterogêneos, a fim de permitir a emergência de novas formas de ser-no-mundo. Num contexto puramente hermenêutico percebe-se a meta linguagem por si mesma, representada em um nível abstrato, sem contudo comprometer a interpretação antropomórfica, enquanto paradoxo emocional e evolutivo. Fica evidente o aumento do diálogo entre os diferentes planos da narrativa, o que garante a contribuição de um significado importante na determinação das diversas correntes de pensamento aqui presentes. Ou seria o contrário?
Quero falar sobre o filme, mas ao falar o desrespeito. Como posso ousar descrever essa obra, se ela em sua proposta é silenciosa e parcimoniosa no uso das palavras? Com que pretensão descreverei os elementos históricos lituanos em uma rede social brasileira sobre cinema? Assim, a melhor homenagem que posso fazer a esse filme são o meu silêncio e as minhas sinceras lágrimas. Obrigado, Sharunas Bartas por tornar a minha existência melhor
A grandiosa silenciosidade melodramática da natureza humana. O desengajar taciturno das almas grandiosas. A parcimônia da vida dos indivíduos profundos. O xadrez esquivo das relações. A trilha eremítica dos diálogos. Profundamente anacoreta, desabitado, arredio, apartado, recluso... Um filme para todas as pessoas solitárias e para os lugares de onde elas vêm.
Simbolismo obscuro e difícil. A fixidez da câmera. Epifania da imagem. Toda palavra já foi dita. Apenas a desesperança estampada vivamente/nitidamente na dor dos personagens, das sombras, dos tormentos. Os sonhos são a casa do inconsciente. Silêncio e desolação. Crianças brincando nuas. Um sujeito jogando xadrez consigo mesmo e perdendo. O banquete. Uma espécie de ritual, de busca q tende ao vazio, ao nada. Uma áspera perda q apenas dói sem explicação.