Apesar de um terço inicial que mais aborrece do que instiga curiosidade, o desenrolar é fantástico pelas brincadeiras com a linguagem e texturas granuladíssimas, além da referência a Limite, de Mário Peixoto, e ao Cinema Marginal.
Eu fiquei surpreso em descobrir que é um filme de 2021, eu jurando ao longo da sessão ser um filme dos anos oitenta ou algo assim. A equipe de fotografia está de parabéns. Gostei porque faz parte daqueles filmes que eu assisto,não entendo quase nada, mas gosto (?). Esse longa metragem tem cenas incríveis, ousadas e diferentes, mas não foi fácil digeri-lo por ser um filme teatral e lúdico.
"As cidades não existem, só os encontros são reais."
A Cidade dos Abismos (Brasil,2021)
Direção: Priscyla Bettim e Renato Coelho. Com: Verónica Valenttino, Arrigo Barnabé, Carolina Castanho, Guylain Mukendi, Sofia Riccardi.
Coincidentemente vi no mesmo dia dois filmes brasileiros importantíssimos, que correm fora da curva e se passam na cidade de São Paulo.
Um é o divertido "O Mestre da Fumaça", e o outro é o intenso e belíssimo "A Cidade dos Abismos."
Filmado em película, a beleza do longa já dá as caras em sua fotografia, mas o filme de Priscyla Bettim e Renato Coelho vai muito além da estética.
Uma mulher trans, uma jovem cis da classe média, e um imigrante africano, testemunham uma morte brutal na véspera do Natal.
Estamos na Rua Rego Freitas num bar decadente da capital paulista, e esse assassinato muda o destino das três pessoas que mal se conhecem mas que formam uma aliança ali.
O filme vai nos levando por uma cidade a beira do caos, onde os sentimentos de medo e de afeto se misturam.
É uma São Paulo crua, fria, suja mas também muito bela. A cidade se mistura com os sentimentos das personagens, se tornando uma coisa só.
É um cinema raro de se ver, do tipo que Helena Ignez faz hoje em dia, herdado do cinema marginal, da boca do lixo.
Entre as atrizes está Verónica Valenttino que atualmente brilha nos palcos com o espetáculo "Brenda Lee e o Palácio das Princesas".
Eu sei que paulista nem é gente, mas eu sou o exato bichinho que vê a capital na tela e fica tentando reconhecer os buraco que faz cenário hahahaha
O filme abrir com a primeira quebra de quarta parede com fodendo Roberto Piva? Isso é meio que esfregar na cara a verve - porras de ter refluxo do meu eu juvenil se arrastar nos recanto noturno, ser meio que adotada no extinto sebo Mobile na praça Carlos Gomes......... enfim foi lá que eu conheci sobre Piva & Willer e esses etc e a nostalgia impossível não inundar.
Então teve aí o elemento pessoal pra apreciação do filme, mas claro que este tem um ponto específico de trampar pessoas marginalizadas na cidade, uma história ali sendo contada e nesta a estetica & estrutura remeter tanto a linguagem datadas (sic) faz seu sentido... - o meu problema é que também causa um desgaste no uso frequente de alguns elementos que deixam o filme moroso e causam certo distanciamento dos personagens, já que se perde o que tornaria os mesmos particulares pra causar empatia - estes se tornam alegorias cada vez mais vazias de humanidade, sendo usados só como ferramentas pra regurgitação de texto literario na narrativa excludente cuspindo reflexões de uma classe media academicista sobre o marginal com a estética *cult retro* pra fechar o pacote.
E tipo não sou das que execra os filme fritação e/ou nos *em busca do próprio belo* que seja, o que acontece é que a sensação aqui é de desiquilíbrio no tom mesmo - dando pra acompanhar esse desgaste na longa duração que foi me perdendo como espectador a cada zoom olhando pra câmera em silêncio ou que seja haha
Mas, enfim, ta contando uma história sim ali, uma sobre apagamento - infelizmente pra mim no final a sensação foi que aqui só ajudou na sabotagem .......... meio que isso. Queria ter bagulhos mais positivos pra falar mas q seja *eu não sou piedoso, eu nunca poderei ser piedoso* & etc
Apesar de um terço inicial que mais aborrece do que instiga curiosidade, o desenrolar é fantástico pelas brincadeiras com a linguagem e texturas granuladíssimas, além da referência a Limite, de Mário Peixoto, e ao Cinema Marginal.
Eu fiquei surpreso em descobrir que é um filme de 2021, eu jurando ao longo da sessão ser um filme dos anos oitenta ou algo assim. A equipe de fotografia está de parabéns. Gostei porque faz parte daqueles filmes que eu assisto,não entendo quase nada, mas gosto (?).
Esse longa metragem tem cenas incríveis, ousadas e diferentes, mas não foi fácil digeri-lo por ser um filme teatral e lúdico.
"As cidades não existem, só os encontros são reais."
A Cidade dos Abismos (Brasil,2021)
Direção: Priscyla Bettim e Renato Coelho.
Com: Verónica Valenttino, Arrigo Barnabé, Carolina Castanho, Guylain Mukendi, Sofia Riccardi.
Coincidentemente vi no mesmo dia dois filmes brasileiros importantíssimos, que correm fora da curva e se passam na cidade de São Paulo.
Um é o divertido "O Mestre da Fumaça", e o outro é o intenso e belíssimo "A Cidade dos Abismos."
Filmado em película, a beleza do longa já dá as caras em sua fotografia, mas o filme de Priscyla Bettim e Renato Coelho vai muito além da estética.
Uma mulher trans, uma jovem cis da classe média, e um imigrante africano, testemunham uma morte brutal na véspera do Natal.
Estamos na Rua Rego Freitas num bar decadente da capital paulista, e esse assassinato muda o destino das três pessoas que mal se conhecem mas que formam uma aliança ali.
O filme vai nos levando por uma cidade a beira do caos, onde os sentimentos de medo e de afeto se misturam.
É uma São Paulo crua, fria, suja mas também muito bela. A cidade se mistura com os sentimentos das personagens, se tornando uma coisa só.
É um cinema raro de se ver, do tipo que Helena Ignez faz hoje em dia, herdado do cinema marginal, da boca do lixo.
Entre as atrizes está Verónica Valenttino que atualmente brilha nos palcos com o espetáculo "Brenda Lee e o Palácio das Princesas".
Filmaço em cartaz por pouco tempo. Corre pra ver.
#acidadedosabismos
#cinemabrasileiro
#cinemamarginal
Uma missa rezada pelo Padre Júlio Lancellotti, enquanto Arrigo Barnabé toca órgão. Preciosidades que vemos somente no cinema brasileiro.
Eu sei que paulista nem é gente, mas eu sou o exato bichinho que vê a capital na tela e fica tentando reconhecer os buraco que faz cenário hahahaha
O filme abrir com a primeira quebra de quarta parede com fodendo Roberto Piva? Isso é meio que esfregar na cara a verve - porras de ter refluxo do meu eu juvenil se arrastar nos recanto noturno, ser meio que adotada no extinto sebo Mobile na praça Carlos Gomes......... enfim foi lá que eu conheci sobre Piva & Willer e esses etc e a nostalgia impossível não inundar.
Então teve aí o elemento pessoal pra apreciação do filme, mas claro que este tem um ponto específico de trampar pessoas marginalizadas na cidade, uma história ali sendo contada e nesta a estetica & estrutura remeter tanto a linguagem datadas (sic) faz seu sentido...
- o meu problema é que também causa um desgaste no uso frequente de alguns elementos que deixam o filme moroso e causam certo distanciamento dos personagens, já que se perde o que tornaria os mesmos particulares pra causar empatia - estes se tornam alegorias cada vez mais vazias de humanidade, sendo usados só como ferramentas pra regurgitação de texto literario na narrativa excludente cuspindo reflexões de uma classe media academicista sobre o marginal com a estética *cult retro* pra fechar o pacote.
E tipo não sou das que execra os filme fritação e/ou nos *em busca do próprio belo* que seja, o que acontece é que a sensação aqui é de desiquilíbrio no tom mesmo - dando pra acompanhar esse desgaste na longa duração que foi me perdendo como espectador a cada zoom olhando pra câmera em silêncio ou que seja haha
Mas, enfim, ta contando uma história sim ali, uma sobre apagamento - infelizmente pra mim no final a sensação foi que aqui só ajudou na sabotagem .......... meio que isso.
Queria ter bagulhos mais positivos pra falar mas q seja *eu não sou piedoso, eu nunca poderei ser piedoso* & etc